Artigo

E o galo inda não cantou

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Em três dos evangelhos, Marcos 14, Lucas 22 e João 18, consta a narrativa de Jesus Cristo onde disse a Pedro que antes do galo cantar duas vezes ele teria negado ao mestre três. Com pouca variação na narrativa ou na interpretação do texto – ficamos em dúvida se as negativas se deram todas antes do galo cantar ou se o galo chegara a cantar as duas vezes antes das negações –, o fato é que a negação de Pedro é encontrada em diversos textos e nas mais variadas artes sacras, esculturas, pinturas, xilogravuras, etc.

Durante o feriado de carnaval li um texto que me trouxe a lembrança da negação de Pedro. Um dos mais renomeados jornalistas da cidade escreveu com todas as letras que o candidato apoiado pela governadora, convidado pelo governo a deixar o cargo de prefeito, onde tinha um trabalho a desenvolver, com o propósito de preparar-se para vir a ser candidato do grupo, percorrer o estado inteiro e se fazer conhecido com o objetivo claro, cristalino e cantado em prosa e verso desde que deixou de ser o primeiro na província para ser o segundo em Roma, pasmem, não seria o homem do grupo, não seria um filho do “ancien régime”, melhor dizendo do atual regime. Listou as pessoas dentro do governo, dentro da estrutura de poder, que não se conformam, não sei se agora ou se desde sempre, com a ascensão do escolhido para continuar o exercício do poder em nome de ou garantir que que os “malfeitos” não serão objeto de qualquer investigação ou que se moleste os “malfeitores”. Diz mais: Seria o candidato oposicionista o verdadeiro representante do antigo regime, ele sim usufruíra de todas as benesses que o poder exercido por quase meio século foi capaz de proporcionar aos seus eleitos e bajuladores de todos os naipes.

Achei o texto um engraçado embora não tenha me surpreendido, em absoluto, com o mesmo. Na verdade, trata-se apenas da comprovação da estratégia que já havia desenhado no fim de 2012 e começo de 2013, em dois textos, se não me engano, “Como vejo 2014” e “Amadores e profissionais”, cantei essa pedra (ainda não sei como não acerto os números da megassena! Rsrs), disse com todas as letras que o candidato em gestação para representar o atual grupo na disputa pelo poder, para continuar a história do mando e do comando, era o melhor do grupo, inclusive que iria dizer, sem constrangimento, que não era do atual grupo, que era um técnico capacitado, sem ligações familiares, ainda que por afinidade com o atual grupo.

Como disse nos textos escritos há mais de ano, a estratégia que poderíamos apelidar de “A negação de Pedro”, já era algo perfeitamente previsível assim como a anunciação feita indiretamente, por um dos escribas do regime. Ora, não é sem razão o escriba lança a ideia em pleno reinado de Momo com a intenção clara de sentir o pulso da sociedade, saber quais seriam as reações dos destinatários e ainda ainda abrir caminho para que o próprio “Pedro” conforme seja a reação, aceitação ou a “não crítica”. Resta saber é se decidiram apenas prospectar o terreno de tal forma discreta que nem mesmo os demais jornalistas/blogueiros que sempre são escalados para reprodução da “voz do trono” ou se a aceitação foi de tal forma desfavorável que não ousaram, por enquanto, lhe dá mais ênfase. Em qualquer dos casos, essa é uma estratégia que será usada mais adiante. Talvez no calor da campanha eleitoral, no momento em que verdade e mentira se confundem, e que o mais proveitoso aos contendores seja a disseminação da confusão na cabeça dos eleitores. A mentira para os meus verdade é, a verdade, ainda que clara como a luz dos dias, para os teus será a borrada mentira.

Vou além, não se trata de uma estratégia sem sentido, cínica talvez. As pesquisas já devem apontar aquilo que nós, que conhecemos o Maranhão, que temos falado com as pessoas dos mais distintos setores sociais e dos mais distintos pontos, sabemos desde muito tempo, há um cansaço natural muito acentuado com os atuais inquilinos do palácio. As pessoas nem questionam se têm feito algo ou não, se o que fazem tem fins eleitoreiros ou não, se o candidato ungido para continuar o grupo é mais capacitado, preparado ou não para o cargo. O que se escuta de todos é que querem algo diferente, querem mudar de qualquer forma. Esse

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é o fator mais preponderante na eleição deste ano. Ainda que os governistas conseguissem responder a todas as inquietações dos eleitores no que se referem às suas necessidades mais prementes, acho difícil que consiga, ainda que gastem rios de dinheiro dando “meios” para que os chamados cabos eleitorais, prefeitos, vereadores e lideranças, “conquistem” os votos, ainda assim restará essa grande parcela do eleitorado, que indiferente a apelos, recursos, obras, benefícios pessoais ou coletivos, querem uma mudança. Para essa grande parcela, mais que a maioria do eleitorado, não interessa que lhe venda o candidato como trabalhador, realizador, competente, etc.

A “negação de Pedro”, posta em discreta prática é apenas o começo do virá. Venderão, como se diz, “geladeiras para esquimós”, no propósito de dizer que o ungido não é quem é, não veio da pipa da mesma cachaça, do saco da mesma farinha.

não duvidem se ouvirem em relação a criadores e criaturas o seguinte bordão, muito usado em programas de humor: “E eu te conheço?” Pelo andar da carruagem só falta isso.
E olhem, que em matéria de eleição, o galo ainda nem cantou.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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Artigo

Mortos no armário

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

No último dia 25 de fevereiro, em quase todos os veículos de comunicação, uma informação preocupante: O Ministério Público Estadual informou que, após checar as estatísticas sobre homicídios ocorridos no estado com o ocorrências do Instituto Médico Legal – IML, verificou-se que, apenas em relação as mortes ocorridas na capital e região metropolitana, há uma discrepância, para menos, de 400 mortos, entre 2010 e 2013.

Qualquer pessoa que acompanhe com cuidado a crônica policial da cidade, seja através dos jornais, seja através das rádios AM, desconfiava que os números apresentados pela secretaria possuía algo de estranho, como por exemplo, no rádio ouvíamos a notícia que morreram 12 ou 13 pessoas no fim de semana e verificar que na estatística da secretaria estavam registrados 10 ou 9. Ficava com a impressão que ouvira mal ou duvidada até que tinha ouvido. Mais de uma vez tratei do assunto em meus textos.
A situação agora é diferente, não se trata de uma mera suposição, há uma acusação formal do MPMA de que a SSP/MA manipula os números de homicídios ocorridos no estado, principalmente na região metropolitana. A acusação não dá conta de uma ou outra “omissão” ou “esquecimento”, trata-se de 400 mortos não contabilizados, como se não existissem, como se nunca tivessem existido ou nunca tivessem morridos.

Em qualquer lugar do mundo uma notícia como esta não ficaria escondida em uma matéria num canto de página de jornal ou ignorada pelas entidades de direitos humanos, parlamentares e afins. Aqui é como se nada tivesse ocorrido. Desde que a notícia foi divulgada em rede nacional que se espera um desmentido oficial, uma explicação para o fato dos números divulgados oficialmente não serem os mesmos que constam do “livro de mortos” do IML e, nem a governadora, nem o secretário de segurança, acham que o fato merece um esclarecimento, que o cidadão tem o direito de saber o que está acontecendo.
Ora, como pode, o governo do estado, diante de uma acusação tão grave, não se manifestar? Como pode silenciar diante disso? Pois é, é o que tem acontecido. Não há no site do governo ou da SSP/MA, uma explicação para a acusação formulada pelo MP de que os números sobre homicídios foram omitidos, que os mortos sumiram das estatísticas oficiais.

Vejam o que está se discutindo: O governo tem se mostrado incapaz de debelar a violência que assola o estado, a matança é atribuída ao desenvolvimento, entretanto, para ocultar o nosso “desenvolvimento” se retira das estatísticas parte dos homicídios ocorridos. Não basta a ineficiência no combate a violência, que os homicídios não sejam elucidados e os criminosos punidos, agora se retira dos mortos o direito de constarem das estatísticas oficiais sobre a criminalidade.

A ausência de uma explicação do estado para o sumiço destes mortos (que o MP diz não constarem nos números divulgados oficialmente) é algo muito grave. O Estado, aqui em sentido “lato” não tem esse direito, não pode ocultar deliberadamente o número de homicídios ocorridos em seu território. A supressão de dados estatísticos sobre a violência, sobretudo homicídios, é questionado até nas ditaduras mais atrasadas.
O governo do Maranhão comete dois atos atentatórios a democracia em que vivemos, primeiro o ato em si de ocultar as mortes ocorridas, segundo que, confrontado, com a informação de tamanha gravidade, assim como nas ditaduras, agem como se não devessem qualquer explicação ao distinto público. Como se uma acusação tão grave não tivesse sido lançada. Lançada pelo MP e difundida em grandes veículos de comunicação. Não se trata de uma ilação feita pelos chamados “detratores” do Maranhão.

O que esperaria num estado de normalidade democrática era, primeiro, que não tivéssemos que conviver com tanta violência, segundo que os mortos não sumissem das estatísticas oficias e terceiro, que o estado chamasse para si a responsabilidade, apurasse a responsabilidade pelo sumiço dos mortos e punisse os que deram causa a isso. Nada disso acontece, acho que a governadora – não se tem notícia –, sequer chamou o secretário de segurança para pedir explicações sobre a apuração do Ministério Público. É como se não tivesse governo no Maranhão ou, pior que isso, como se vivêssemos sob um regime ditatorial no qual as autoridades não acham dever explicações a quem quer seja.

O governo parece não se importar com o fato secretário de segurança haver escondido no “armário da omissão” tantos mortos. Mas isso faz sentido no atual governo, se todos os desacertos da segurança ocorridos nos últimos tempos, apenas rendeu a demissão do time, mais não do técnico que é intocável, o sumiço de mortos das estatísticas, parece pouca coisa. Ora, se não há punição pelo fato de não apresentar resultado no combate a violência, ocultar o número de mortos, ao menos para os governantes, deve ser um “crime” menor, talvez uma “contravenção”. Fico imaginando os bastidores do poder: – menino, mataram muita gente esse mês? Só uns cem, excelência, reponde. – Faz assim, coloca aí na contabilidade só 85. E por aí vai.

Assim segue o Maranhão, ninguém é responsabilizado por nada, ninguém é demitido, ninguém explica nada a patuléia sufocada por tantos impostos e garantidora da farra dos donos poder.

Os mortos no armário governamental, que deve ser enorme a ponto de caber tantos, não clamam apenas por justiça, querem antes o direito de existirem oficialmente.
Abdon Marinho é advogado.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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Poder

Fechado com a minoria

Por Abdon Marinho

Abdon Marinho.

Abdon Marinho.

O Supremo Tribunal Federal decidiu que alguns dos condenados na ação penal 470, o processo do chamado “mensalão”, apesar de coincidentemente seus interesses terem convergidos para diversas práticas criminosas, não formaram uma associação criminosa, a quadrilha de que trata o art. 288 do Código Penal Brasileiro. Podem festejar o fato de serem apenas corruptos, ativos ou passivos, peculatários, etc. Não são quadrilheiros e com isso, pessoas que chegaram a conspirar contra a própria o próprio estado, contra a ideia que temos de democracia, não tardam a a serem soltos, livres para continuarem a delinqüir, para continuarem a atentar contra a democracia, para continuarem o seu projeto de poder pelo poder, uma espécie de IV Reich dos trópicos.
Independente do mérito da decisão – que ao meu sentir trata-se de um dos maiores equívocos da história judiciária nacional –, neste texto abordo o assunto por outro aspecto.

A Constituição Federal assegura em seu artigo 5º que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:..”

Indago, não fossem os condenados figuras de proa do partido que está inquilino do Palácio do Planalto, será que o processo teria sido revisto para livrá-los da pena de quadrilha? Talvez, não nos cabe fazer ilação sobre a honorabilidade dos ministros da mais elevada corte do Brasil. Talvez a decisão não tenha envolvido qualquer sentimento que não análise pura e cristalina dos autos.

Acontece só essa dúvida, que é a dúvida que passa pela cabeça de nove entre dez brasileiros já é danosa à justiça brasileira. Ainda mais quando a decisão absolutória foi tomada maioritariamente pelos ministros indicados pelos dois últimos presidentes, sobretudo os mais recentes, aqueles com muito afinidade com os “donos do poder”.

Assim como tratou-se apenas de coincidência a convergência de ações criminosas pelos condenados, na lição destes ilustres julgadores, também deve ter sido coincidência terem sido nomeados pelos dois últimos presidentes, que por mera coincidência também são integrantes do mesmo partido dos principais implicados nos graves crimes agora reexaminados.

Por coincidência, logo no inicio do julgamento que “maneirou” as penas dos corruptos condenados, um jovem ator que ficara preso por 16 dias “por engano” foi solto. Vejam vocês o grau de igualdade que estamos construindo no nosso país. De um lado a mais elevada Corte embrenha-se nas franjas da lei, nas interpretações mais convenientes da lei, alguns exercícios de teóricos complexos para socorrer os que atentam contra a própria razão de ser da justiça e do outro alguém que passa 16 dias preso, e assim são muitos, e por muito mais tempo, pelo crime de encontrar-se no lugar errado, na hora errada ou por ter características que não visão do Estado os tornam criminosos em potencial. A estes brasileiros não servem embargos, ainda que infringentes, não serve a lei, não serve a Constituição. Nada lhes socorrem, nem as maiorias circunstanciais.

Volto ao “talvez”, para dizer que talvez mais importante que serem soltos em tempo breve os condenados do mensalão, seja a compreensão que a cada dia que passa a igualdade que deveria ser o norte perseguido não passa de uma miragem do deserto. Os condenados que agora se beneficiam do nosso direito penal bonzinho – o direito que não serve aos pobres e miseráveis, ainda inocentes –, são os mesmos que sempre escaparam aos rigores da lei, a mesma elite que está aí desde o inicio da colonização brasileira.

Caem as máscaras. Por muito tempo estes se vestiram de defensores dos menos favorecidos, entretanto bastou a primeira contrariedade para fazer uso de tudo aquilo que sempre juraram condenar em busca de uma sociedade mais justa e igual.

A lição que tiramos do resultado do (re)julgamento não é que foi reparada uma injustiça, pelo contrário a lição que tiramos é que os poderosos (e cada vez mais veremos isso) estão a salvo da reprimenda legal a que devem submeter-se todo e qualquer cidadão. O que nos sobra é a convicção que as instituições estão cada vez mais sendo fragilizadas, por um governo que ditaduras e reverencia ditadores.

Os criminosos condenados sabem dos crimes que cometeram, sabem que não são inocentes, jamais demonstraram qualquer arrependimento, pelo contrário a posição sempre foi de afronta a Justiça, ao STF ao Estado. Logo que forem soltos, tal qual qual aquele “bandidinho” apreendido e solto outro dia, estarão cometendo os mesmos crimes. Desta vez em situação mais vantajosa pois contarão não apenas com uma maioria circunstancial dentro do Poder Judiciário, com o poder de nomeação e a falta de fiscalização do Senado da República, essa maioria será bem maior. Caminham para isso a passos largos e sem qualquer constrangimento.

No Brasil, o dito popular que diz “a alegria de pobre dura pouco” foi mais uma vez confirmada. Por um momento tivemos a impressão que o país caminhava para a democracia plena, para a igualdade de todos perante o a lei. Essa impressão se desfez, no seu lugar uma data triste para a história do país.

Nos sobra a saudade de termos vivido, ainda que um momento, sob o império da lei e da igualdade, pela primeira vez vimos poderosos julgados, condenados e sendo punidos.
Uma vez li uma frase que dizia mais ou menos assim: “É difícil acostumar-se com a escuridão após ter conhecido a luz”. É essa a sensação que experimento com o passo atrás dado pelo nosso STF. Mais que isso, triste com a certeza que é só começo da degradação que ameaça tomar de conta do Brasil.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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Poder

Ladeira a baixo

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Por Abdon Marinho

Leio aqui que as ações da Petrobras alcançou o mais baixo valor desde 2005. Trata-se de uma notícia preocupante. A empresa que resistiu a todos os tipos de governo, inclusive os duros anos de ditadura militar, já não mostra o mesmo fôlego nos dias atuais.
A situação fica mais delicada quando não faz muito tempo se anunciou a auto-suficiência em petróleo não faz muito tempo. Mais ainda quando se sabe do protagonismo da empresa na exploração do petróleo.

A empresa não está quebrada, entretanto os números de hoje é reflexo do seu uso político nos últimos anos. Negócios nebulosos, com claros indícios de corrupção, como é o caso da compra de uma petroleira no Texas (USA) por no mínimo cinco vezes o seu valor real; o aparelhamento da empresa, que passou a ter dirigentes mais identificados com lutas sindicais que com economia de mercado; a utilização dos recursos direta ou indiretamente na sustentação da errática política de governo; e um outro sem número de desatino.
A conseqüência é o que temos visto. Aquela que já foi a maior empresa do país, umas das maiores do mundo, em qualquer setor, apresenta resultados pífios e intranquiliza o mercado e tem suas ações desvalorizadas.

Os efeitos danosos do caos, embora muitos não se dêem conta, não são sentidos só pelos grandes capitalistas, estes, acostumados com todo tipo de especulação aguentam bem. O mesmo não se pode dizer dos pequenos investidores que por inspiração do governo, sacaram seus fundos de garantias para comprar ações da empresa; o mesmo também não se pode dizer dos fundos de previdências dos servidores públicos que utilizaram seus ativos para capitalizar a empresa esperando e confiando num retorno seguro, o que até agora, não vem ocorrendo.

Os desacertos são tantos que quando a empresa divulgou ontem seu balanço junto um plano de investimento de logo prazo, algo em torno de 200 bilhões até 2020, o mercado fez pouco caso, não confiou no anúncio, tanto que as ações caíram, no dia seguinte, ao seu pior patamar desde 2005. Não confiou porque qualquer um sabe que já se tornou estratégia de governo, diante de uma notícia ruim, inventar uma história bonita, pintar um futuro promissor, que depois não se realiza. Apenas os tolos, bem tolos, continuam confiando nestes contos da carochinha. A bem da verdade, ninguém parece saber o que diz. Não parecem entender nada do assunto que está em pauta.
Nos últimos anos o governo enveredou pelo caminho da mentira e do disfarce, até os números da economia são maquiados, chamam essa contabilidade de “criativa”. Um eufemismo para não terem que assumir que não conseguiram fechar as contas, que os recursos públicos estão sendo consumidos pela política.

O país no atoleiro e não existe um projeto de infraestrutura que depois apresente um retorno para a macro economia. A impressão que fica é que não temos ninguém pensando no futuro da nação, preocupados com a produção de alimentos, ambiente, energia ou qualquer outra coisa. entregaram o pais na mão de políticos que só enxergam até a próxima eleição. Tudo gira em torno disso. Depois da deste ano, começa-se a pensar na seguinte e por aí vai. O interesse nacional cede vez ao interesse eleitoral. A máquina pública virou um trampolim para o enriquecimento da classe política, que faz tempo, não produz um estadista, bem poucos não conseguem pensar além do seu interesse pessoal, quando muito pensam no interesse do partido e dos diversos empreiteiros-satélites que lucram cada vez mais.

A economia nacional não vai bem faz tempo – depende de dois ou três setores e até de impostos de uma única empresa para evitar o vexame –, e não venham dizer que isso é devido a crise mundial, uma parte sim, entretanto a outra e maior parte é decorrente da inércia do próprio país que não tem um projeto de desenvolvimento que não realiza as obras de infraestrutura que tanto necessitamos. As poucas iniciativas parecem atender unicamente aos interesses mais mesquinhos, a roubalheira que cada vez mais ganha lugar de destaque entre as diversas as nossas mazelas.

Os números da Petrobras não podem ser visto como um fato isolado, muito pelo contrário, é um claro indicador que estamos chegando ao ponto de onde não mais podemos descer.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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Poder

O Brasil nos envergonhará outra vez?

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Logo que soube que a médica cubana Ramona Matos Rodriguez, homiziara-se no Congresso Nacional a espera do deferimento de um pedido de asilo político, recordei-me da angústia que senti quando vi o governo brasileiro devolver aqueles atletas que fugiram da delegação daquele país durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, ocorridos no Rio de Janeiro.

O governo num primeiro momento sinalizou com asilo através de manifestação de integrantes do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), para depois, com uma desculpa, para lá de esfarrapada vir dizer que os atletas preferiram retornar aquele país. Só os muitos crédulos compraram a história.

O governo brasileiro no episódio de flagrante violação de direitos humanos, descumpria um dos fundamentos mais caros da diplomacia nacional até então e violava de forma incontornável a Constituição Federal, pois lá consta de forma cristalina: “Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: … X – concessão de asilo político”. O governo de então preferiu, ao cumprimento da orientação diplomática existente desde sempre e do mandamento constitucional, devolver os atletas à ditadura.

É, diante deste retrospecto que se pergunta: “O Brasil nos envergonhará outra vez? Envergonhará as pessoas de bem para atender aos irmãos Castro? Repetirá o que fez com os atletas Rafael Capote e Michel García?”

Já falamos algumas vezes sobre o caráter heterodoxo do contrato de trabalho envolvendo os médicos cubanos. Sob qualquer aspecto que se examine, não temos como achar que estejam regular. Vejam, recebemos médicos de diversos países para atuar no “Programa Mais Médicos”, como é que se ache normal que uns recebam R$ 10.000,00 (dez mil reais), para gastar como querem e outros recebam menos de R$ 1.000,00 (mil reais) para fazer a mesma coisa, com a promessa de receberem, quando do retorno ao país mais US$ 600,00 (seiscentos dólares americanos) quando do seu retorno, ficando com o governo cubano quase 80% (oitenta por cento) do salário? Alguém consegue alguma explicação razoável. Nosso governo informa que serão 6.000 médicos cubanos, 80% (oitenta por cento) do salário que nós, contribuintes, pagamos, não será a justa contraprestação pelo serviço prestado pelos médicos – que até onde sei, têm trabalhado com muito zelo – mais sim servirá para alimentar os cofres da ditadura.

Me permitam tratar o assunto com clareza. Desde que, em 1850 foi aprovada a Lei Eusébio de Queiroz, que pôs fim ao comércio de escravos, exploradores deste tipo de mão de obra, que é análoga à daquele período, uma nação não lucrava tanto. O pior disso tudo é ver o Brasil está patrocinando esse tipo de comércio.

Assisti a entrevista da médica. Alguém tem dúvidas do que acontecerá a ela caso o Brasil não lhe conceda o refúgio solicitado? Dúvida existe sobre o que começará com sua família? Alguém duvida que daqui a pouco começará a campanha de difamação contra a médica? Tudo isso acontecerá.

A sociedade brasileira precisa se manter vigilante e evitar mais essa vergonha. Na entrevista do representante do CONARE senti a mesma conversa mole da orientação ideológica da política do governo. Como na vez passada dos atletas juraram de pés juntos que eles que quiseram voltar. Agora fala que irão verificar se a médica tem razões para pedir asilo, que tem que examinar a situação do país de origem. Ainda duvidam?

tanto no episódio dos atletas em 2007 como agora envolvendo a médica Ramona Matos Rodriguez, uma ausência se faz sentir. Até agora os nossos valentes defensores dos direitos humanos não deram um pio. Alguém ai viu aqueles mesmos que foram as ruas defender o asilo ao criminoso Cesare Batisti, condenado a prisão perpétua por crimes contra a vida, dizerem algo a favor da médica que nada vez no seu país? Que não matou ninguém? Que não foi condenada?

O Brasil por todas as instâncias concedeu asilo a um criminoso condenado por uma nação democrática por crimes contra a vida, negará asilo a uma cidadã aterrorizada que nada fez?

O representante do CONARE acha que deve examinar se a cidadã cubana apresenta documentos capazes de comprovar os riscos que corre. Me digam se não parece piada? O governo italiano é menos confiável que o governo cubano? O Sr. Batisti, condenado por homicídio é mais merecedor do nosso asilo que uma médica que tem por oficio salvar vidas? Não me parece razoável. Não basta a vergonha de aceitarmos que trabalhadores prestem serviço à nossa população numa condição de quase escravidão, teremos que conviver com mais essa?

Nosso país só pode está muito doente para termos diretos tão elementares sendo defendidos pelo partido Democratas enquanto assistimos, daqueles juram por tudo, defenderem os direitos humanos, o mais eloquente silêncio.

O asilo pleiteado pela médica Ramona Rodriguez é uma necessidade que se impõe, é justo, legítimo é necessário. Nenhum cidadão de bem pode se calar diante de uma decisão diferente do governo brasileiro. Não temos o direito de sermos coniventes com mais esse tipo de vergonha que ofende a nossa história e nosso compromisso com a democracia e a liberdade dos povos.


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Maranhão

Um vizinho bem atrapalhado

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Pois é, se você está pensando que estou me referindo a uma dessas comédias que costumam passar no horários vespertino das televisões, lamento, o assunto é um pouco mais grave e delicado e refere-se aos novos vizinhos do meu escritório, o nosso valoroso MPMA.

Como já falei no texto “Quem vigia o vigiador”, o Ministério Público resolveu alojar-se ao lado do meu escritório, no prédio onde outrora funcionou o “Panorama Pálace Hotel”. Após uma reforma, o prédio foi adaptado para receber os ilustres promotores da capital, que estão com sem local para trabalhar desde que o prédio construído especificamente para esse fim, começou a ruir sobre suas cabeças e entrou em reforma desde 2008, uma obra que pela longevidade, além de merecer chamar-se “espeto de pau”, também se poderia chamar de o “manto de Penélope” – para os que não lembram, Penélope foi a esposa de Ulisses e quando o marido estava em guerra muito bem narradas por Homero na sua ilíada, para fugir do assédio de uma dezena de pretendentes dizia que só podia responder as propostas de casamento quando terminasse um manto que tecia durante o dia e que, espertamente, desmanchava o que havia feito a noite – pelo ritmo das obras de reforma, muito se assemelha ao famoso manto que trata a mitologia grega, tal a sua morosidade. Ouvi dizer que o contrato de locação do prédio ao lado será de três anos, significando que neste tempo sua sede originária ficará em reforma. Que de reforma, mas parece, apenas para ficar na mitologia, uma odisseia.

Como dizia, o MPMA ainda está em fase de mudança e pelo que assistimos, mais uma vez, parece que meteu os pés pelas mãos. Quando a quase um ano começaram a reformar o prédio vizinho e quando posteriormente soube iriam alojar aqui o MPMA, alguns fatos me intrigavam principalmente como funcionaria a logística. Não sendo engenheiro, arquiteto ou urbanista, mas também não sendo lerdo, pensava como fariam para conseguir estacionar os veículos de suas excelências e dos funcionários. Até pensei que tinham um plano, que iriam construir um estacionamento na parte inferior do prédio, urbanizar um matagal que existe embaixo ou ainda fazer um acordo com o asilo para conseguir espaço ou ainda fazerem a rua lateral para desobstruir o trânsito.

Não fizeram nada do que imaginei. Como resultado o vizinho está, praticamente, travando todo o trânsito na região. Ora, as únicas vagas que poderiam usar para estacionar, por assim dizer, que pertenceriam ao prédio que ocupam, não chegam a dez vagas na frente do prédio. Só promotores são mais de cem, talvez o mesmo número ou mais de funcionários com veículos, mais as pessoas que precisam do MPMA. É uma situação bem semelhante de se querer enfiar a Igreja da Sé dentro da Igreja de Santaninha. Não tem como. Trata-se de um imenso desconforto para as pessoas que já estavam instaladas na rua e nas próximas e até para os membros do MPMA, seus funcionários e para a sociedade, o funcionamento das promotorias, na forma como está. Ontem um cliente meu teve que estacionar duas ruas antes do escritório, situação idêntica a enfrentada pelos demais vizinhos.

Aqui, no Maranhão (vão já dizer que estou na campanha contra o estado, a serviço dos comunas, rsrsrs), as pessoas não se preocupam com as conseqüências das coisas, não se planeja antes de construir e por isso mesmo estão sempre correndo atrás para solucionar problemas ou ignorando-os. Passo pelas MA’s que cortam ilha, o que vejo são construções e mais construções de condomínios, muitos sequer sem obedecer ao recuo mínimo exigido da via pública. As autoridades responsáveis não fiscalizam isso. Ninguém se preocupa com o impacto que essas obras causarão na cidade, na trânsito, no dano ambiental, etc. Apesar de existir lei proibindo a construções sem projetos de saneamentos, muitos condomínios continuam a despejar seus esgotos no que restou dos nossos rios, isso quando não constroem sem respeitar suas margens.

Não se percebe, das autoridades, qualquer preocupação com o futuro dos municípios da ilha. Se as pessoas terão como sair de casa, se terão água para beber ou uma rede de esgoto. Os rios já mataram todo em face deste silêncio cúmplice.
A situação chega ao ponto do próprio Ministério Público, que é o fiscal da lei, providenciar uma mudança de suas instalações sem antes cuidar de fazer um estudo de impacto de vizinhança, sem se dá conta dos seus próprios problemas de logística.

A impressão que fica é que ninguém, nem quem teria a missão de se preocupar, tem qualquer preocupação com os atos de hoje. Vejam um exemplo, para onde olharmos encontramos construções em áreas que deveriam, se é que não estão, em áreas de preservação ambiental, margens de rios mangues, etc., passando pela localidade chamada Beira-rio, vejo nascer uma construção quase dentro do Rio Paciência, as fundações em estado avançado, no Ipase a mesma coisa, e por aí vai. Mas dizer o quê, se até a sede da Procuradoria-Geral de Justiça foi construída em local, que a menos, aos meus olhos de leigo, parece dentro de área de preservação. Vejam, não é um local ermo, no interior da ilha, é em pleno Calhau. Não é um cidadão comum, um pescador que desrespeita a piracema ou um lavrador que por ignorância mata uma palmeira para retirar-lhe o palmito e se alimentar, é Procuradoria-Geral de Justiça. Mas quero acreditar que estou errado e a construção está dentro do que se considera na mais perfeita ordem.

Outro dia, numa rádio, ouvia um promotor falar da mudança para as novas instalações, sobre as melhores condições de trabalho que teriam, indagado sobre os problemas ambientais, inclusive esse de construção em área de preservação, disse que faziam o que podiam, mas que não tinham olhos para tudo. Pelo que vejo, estão deixando de ter olhos para muitas coisas, inclusive para olhar dentro de casa.
É triste constatar que os desacertos, ao invés de serem exceções, estão, cada vez e com mais frequência, se tornando regra.
Deus meu! Quem irá nos socorrer?


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Artigo

Muito além da riqueza e desenvolvimento

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

O Maranhão continua mostrando ao Brasil e ao mundo o quando está desenvolvido e rico. Os amigos que acessaram blogues e outros meios de comunicação devem ter visto a profusão de eventos e solenidades no interior estado, são autênticos comícios, uns mais afoitos, os reforçam com carretas, passeatas, etc. Quando vejo as notícias, os pedidos de votos, explícitos e implícitos, nestes eventos me pergunto pelo nosso diligente Ministério Público. Não me perguntem a razão.

A razão destes eventos apoteóticos? Simples. Assinatura de Ordens de Serviços para construção de uma estrada aqui, um asfaltamento ali, uma obra qualquer acolá. Me digam, existe maior prova de desenvolvimento e riqueza do esta? Uma população inteira ou grande parte dela, ser arregimentada por prefeitos, vereadores, cabos e os que os valha, para testemunhar assinatura de ordens de serviços que poderiam ser perfeitamente assinadas nos gabinetes dos secretários sem maiores consequências e sem maiores alardes?

Estes eventos, provas maiores do nosso desenvolvimento e riqueza, têm sido vistos com mais intensidade neste momento. Os possíveis candidatos como terão que sair dos cargos que ocupam por força lei eleitoral, por conta disso brindam a sociedade com inaugurações de ordens de serviço”, é isso mesmo, não pensei que veria esse tipo de coisa, estão inaugurando ordens de serviço. Eis um sinal do nosso extraordinário sucesso econômico.

Como os amigos podem perceber, a ironia que tento imprimir no texto, não tem sentido de ser, pois é uma ironia triste, não tem nenhuma graça.

Esta mobilização popular que se assiste e que fazem questão de impor aos nossos olhos, é fruto do sentimento de gratidão de quem anseia há muitos anos por uma obra e pensa que os governantes estão lhes fazendo um favor, que estão sendo bondosos com os povo.

O povo não sabe, infelizmente, que os governantes não fazem nada além do seu dever. Que as obras públicas não favores de governantes e sim um direito do povo, que os recursos empregados em tais empreendimentos são oriundos dos impostos de todos os cidadãos, que os governantes são meros administradores – e maus administradores – dos nossos recursos, dos recursos de todos.

O povo não sabe, porque desde sempre lhe foi negado o acesso as coisas mais elementares, como saúde, educação, justiça e até o direito de ir e vir. Nada demais, só o essencial. Por conta disso hoje, em pleno século 21, o povo festeja assinaturas em ordens de serviço. Pois é, contrariando o que dizem os nossos governantes, o nosso estado é tão rico, está tão bem financeiramente, que acham uma grande vantagem e fazem com orgulho, verdadeiros comícios, festas, para testemunharem a assinatura de uma singela ordem de serviço. Não se trata de inauguração de uma obra, uma escola, uma estrada, um posto médico, a desesperança chegou ao ponto do povo festejar a notícia que o governo fará isso ou aquilo.

A mídia oficial, os jornalistas amigos através de seus blogues ou colunas, noticiam estes fatos com tanto alarde que chegam a cometer um abuso dentro de outro abuso. Não se dão conta do quanto isso é vergonhoso, do quanto isso é triste para o nosso estado, do quanto de atraso esse tipo de festejo embute de atraso. Será que acham esse tipo de coisa normal? Será que tem mesmo coragem, de além da fronteiras do Maranhão, espalharem os maravilhosos festins que fazem para comemorar a uma assinatura? A excesso na comemoração de uma obra que os governantes ainda farão? Talvez sim. Vivemos aquela situação em que se perdeu o limite e compostura diante da realidade dos fatos.

O povo festeja essas pequenas conquistas por que não tem conhecimento do seja seus direitos. direitos sempre negados ao longo dos anos. É aceitável que o cidadão simples lá do São João do Carú, que amargava horas em um barco durante o inverno, igual tempo durante o verão em estradas inexistentes; que o cidadão simples de Lagoa Grande, comemore a promessa de que, finalmente, irão afastar sua estrada e não terão mais que se aventurar em paus-de-araras; que os cidadãos de Afonso Cunha, Duque Barcelar e Coelho Neto, festejem. Muitos destes cidadãos nunca tiveram acesso a nada, principalmente a educação. É natural que o neto do senhor que aparece no comercial do governo do estado, narre com especial felicidade, ter visto uma estrada asfaltada, que diga tratar-se da coisa mais bonita que já viu, “uma estradinha brilhosa”, como bem definiu. Só que isso isso não é vantagem, isso é a comprovação da situação de extrema pobreza que vive o nosso povo a ponto de encantar-se com uma estrada asfaltada, na maioria das vezes, tão malfeitas, tão frágeis, que não duram dois invernos. E ainda assim, o nosso povo, tomado pelo encantamento, agradeça. E eu compreendo perfeitamente isso, fui um daqueles meninos que moram nos povoados, na beira da estrada, cujo o maior acontecimento era ver um carro passar.

O que não dá para aceitar – e não é normal que se aceite – é que pessoas esclarecidas, formadoras de opinião vejam vantagem e endossem que se façam eventos públicos, que se arregimente centenas, milhares de pessoas, para testemunharem assinatura em ordens de serviço.

Esta é, de fato, uma forma muito peculiar de demonstrar o quanto o Maranhão cresceu, ficou rico e se desenvolveu.


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Artigo

Um debate ideológico tardio

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

No Maranhão, não é de hoje, as coisas acontecem com relativo atraso. Basta dizer que quando o Brasil tornou-se independente de Portugal em 7 de setembro de 1822, o estado (então província), demorou quase um ano para aderir, só o fazendo em 28 de julho do ano seguinte, dando aos maranhenses mais um feriado, que a grande maioria não sabe a razão, nem o seu significado.

É assim, com esse sentimento de retardo, que o Maranhão se prepara para uma eleição onde um dos seus temas será um debate do século passado, conceitos de capitalismo, comunismo, direita, esquerda, essas coisas que ninguém mais discute em parte alguma do mundo.

Já sabia que esse tipo de debate iria ocorrer. Ainda nos fins de 2012 e começo de 2013, escrevi sobre a inconveniência de se ter um candidato com chances de ganhar a eleição filiado a um partido que em pleno século 21 se mantém preso a postulados de difícil compreensão por grande parte da sociedade maranhense. Se tivessem me ouvido teriam migrado para um partido que excluísse da pauta eleitoral o debate teremos nessa eleição e estaríamos discutindo os assuntos que verdadeiramente interessam ao nosso povo, qual seja, o que cada candidato, o que representa a continuação do atual governo e o que representa a oposição têm como proposta para o Maranhão, o que pensam e que farão em benefício do povo.

Tomara que o debate evolua para o que interessa ao invés de girar em torno do nada ideológico do momento. Quando digo “nada ideológico” não tenho a intenção de ofender ninguém é apenas no sentido de mostrar que cada um sabe da impossibilidade material que se tem de implantar um modelo comunista no Brasil e muito menos no Maranhão. Diante disso, ao menos, ao meu sentir, está se discutindo sobre o “nada ideológico”, sobre algo sem chances de acontecer. Apesar disso, entretanto, acho legitimo que se questione os candidatos sobre as posições de seus respectivos partidos sobre todos os temas. Os situacionistas têm questionado os comunistas sobre suas posições quando a Coreia do Norte, Cuba, FARC’s, etc, sobre passar o réveillon em Copacabana ou vestir uma camiseta da grife lacoste. Os oposicionistas têm que está preparados para o ônus de estarem num partido cuja definição menos ofensiva é chamá-lo de exótico. Desde que me entendo por gente, que o partido tem posições exóticas sobre o mundo, passou uma vida defendendo a ditadura albanesa, quando ela caiu, não deu um pio. Defende até hoje a ditadura dos irmãos Castro em Cuba e o modelo norte-coreano com seus expurgos, seus campos de trabalhos forçados, seus morticínios de adversários, defende as violações das liberdades individuais em todos governos ditos populares. Na verdade populares de fachada como Equador, Venezuela e Bolívia.

Os governistas aproveitam-se disso, trazem o debate eleitoral para esse campo da ideologia partidária, como estratégia para enfraquecer o candidato oposicionista. Desde o sempre o chamam de “o chefão comunista” ou “chefe comunista”, o questiona sobre ter vestido nesta ou noutra ocasião uma camisa de grife, no episódio que li tratava-se de uma lacoste (depois disseram que era falsa), sobre o lugar onde passou o réveillon e com quem, já disseram com todas as letras que o seu partido teve participação na barbárie e na matança de pedrinhas, devido a ligação do seu partido com as Farc’s através do chamados foro de São Paulo, já se falou do apoio do partido à causa do terrorismo internacional, seu antiamericanismo, já li sobre uma cobrança de posição quanto ao último expurgo de Pyongyang.

Os questionamentos são feitos por pessoas que possuem ligações com o grupo situacionista, mas também por pessoas que até, onde sei, não possuem vinculo partidário ou ideológico nenhum, a exemplo do Dr. Pedro Leonel que escreveu sobre o possível vinculo do partido com o grupo guerrilheiro colombiano. O seu artigo, embora ele tenha deixado claro que expunha suas posições no serenar dos acontecimentos para evitar outro que não o debate de ideias, foi muito bem explorado politicamente por quem esse debate interessa.

Se é legitimo? Lógico que é. O candidato oposicionista sabia que iria responder pelas exóticas posições adotadas por seu partido, pelas teses que Marx e Engels escreveram ou que pensaram em escrever, pelo que a URSS e Albânia fizeram no passado e pelo Cuba, Coreia do Norte e até a China, fazem no presente.

Tanto o futuro candidato quanto seus apoiadores sabiam disso, pois sabem que todas as armas que puderem usar para se manterem no poder serão usadas, ninguém entrega o poder de mão beijada. A parte do questionamento ideológico é apenas um aperitivo para o que vem por aí. Talvez essa seja a parte até mais mais fácil, o jogo duro mesmo, será jogado mais lá para frente, na hora que vaca parida desconhecer bezerro. Como vemos, o debate ideológico é apenas insinuado, alguém diz uma coisa aqui, outro joga um pertado ali, um terceiro uma pedra acolá, um artigo, um post nas redes sociais, uma notinha de rodapé nas colunas dos jornais, faz parte do estratégia

“cerca Lourenço”, querem suscitar a dúvida na cabeça dos eleitores. Ainda como roteiro de campanha irão atrás de tudo que puderem contra o candidato, seus aliados e apoiadores, tanto no campo pessoal, profissional ou ideológico. É um ataque quase que incessante, só falta dizer que foi o indigitado que salgou a Santa Ceia.

A parte que os adversários diretos não puderem fazer, passarão para os que, por algumas moedas, não vêem nada demais em vender a mãe. E a entregar. Antes só vendiam. Hoje vendem, entregam e ainda dão uma irmã de brinde.

O debate ideológico a essa altura da história tem apenas o efeito fustigador, se rende votos no varejo, não modifica muita coisa no atacado. Ainda que digam a não mais poder sobre os malefícios do comunismo, que os comunas comem criancinhas e todas essas tolices que costumam dizer. Nos dias de hoje poucos serão os que acreditarão que o projeto dos nossos comunistas seja esse, sequer haveriam condições mínimas para implantação de um modelo parecido com o comunismo no Brasil e muito menos no Maranhão, como dissemos acima. O debate neste sentido é meramente acadêmico e eleitoral.

Em todo caso, acadêmico ou não o partido sofrerá, durante toda a campanha que se avizinha, o constrangimento de ser cobrado em suas posições, e isso, diga-se de passagem, por sua própria culpa. Ora, o partido, se nunca fez uma autocrítica sobre a história, assim age por um sectarismo tolo e sem efeito algum. Agem porque durante a sua existência inteira a única expectativa era de ser oposição, no máximo pegar uma sinecura aqui e ali, como já fizeram no governo de Lula/Dilma e até mesmo no Maranhão no primeiro governo da atual governadora. Ainda não acordaram para a real possibilidade de virarem governo e de como terão que governar, caso isso ocorra. Por conta disso ainda não se deram conta da oportunidade que estão perdendo em não romper com os governos autoritários que apoiam e acham que dirigem verdadeiros paraísos na terra (embora nenhum dirigente partidário tenha mostrado interesse de ir residir em nenhum daqueles países). Passa da hora de um partido, com reais chances de conquistar um governo estadual, tomar uma posição clara com relação aos abusos cometidos pelos governos coreano, cubano, equatoriano, venezuelano, e os demais que parecem viver ainda no século passado, ter uma posição firme no se refere aos direitos humanos, a liberdade de expressão, etc. Posições que amenizem as críticas que já vem sofrendo e que sofrerão cada vez mais ao longo do ano. Uma coisa é você poder dizer e fazer o que quer na oposição, outra coisa é a responsabilidade de ser governo de um estado que tem um potencial de crescimento e que precisará de investimentos internos e externos.

Outro dia um amigo me questionou, diante do arcabouço ideológico que começou a tomar conta eleição, o que eu achava de um governo comunista no Maranhão, se seria nos moldes coreanos. Respondi-lhe com o humor que me é característico, disse-lhe: “– Não devemos nos preocupar, primeiro por que os nossos comunistas, quase nenhum sabem o que é comunismo, socialismo, etc. e segundo por que, até diante de um mapa-múndi bem poucos saberão identificar onde fica a Coreia do Norte, guarde suas preocupações para coisas úteis”. Assim encerrei o assunto.

Como de resto, como tudo que acontece no Maranhão, até um debate de cunho ideológico, que seria saudável noutros tempos, aqui nos remete a ideia do atraso e do oportunismo político eleitoral. Quem se veste de crítico defende até o “diabo” se isso lhe render um punhado de votos. Usam o debate de cunho ideológico para fugir da real discussão que se deveria travar sobre a realidade do Maranhão que ostenta indicadores tão piores quando as ditaduras que agora, e só agora, fingem combater. O debate que começam a travar não passa de mais um disfarce para mascarar essa realidade.


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Artigo

Um país de absurdos

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

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Não há como não sentir desgosto diante de certos fatos que acontecem no Brasil e que, de tão rotineiros, todos fingem não existirem.

Nesta semana foi divulgado que o nosso país é o oitavo do mundo em número de analfabetos adultos. Vejam, entre as mais de duzentas nações existentes, o Brasil ocupa a oitava posição em número de analfabetos, possuindo uma população de pessoas que não conseguem se expressar pela escrita, superior a população de muitos países. Ainda assim aparece um burocrata, falando em nome do governo para dizer que tudo vai indo muito bem.

Se numa ponta temos milhes de brasileiros que nunca conseguiram decifrar e usar os sinais gráficos da escrita para se comunicar, temos na outra um número ainda mais mais assustador (outro dia fale disso por aqui), o número de universitários que saem da universidade analfabetos alcançou espantosos 4% (quatro por cento).

O números vão sendo divulgados e as pessoas parecem não atentar que estamos falando do nosso país. Começam a achar que a situação em que nos encontramos é normal. Que estamos todos muito bem, obrigado.

Ontem mesmo, em um dos noticiosos foi divulgado que uma grande parte do nordeste ainda amarga uma das maiores secas dos últimos sessenta anos. Ninguém parece se importar com isso. Em muitos locais as pessoas bebem água que até os animais refugam, por não terem outra. A indústria da seca continua rendendo lucros aos que vidm da miséria alheia. Se recursos são disponibilizados para minorar esses problemas, estes não chegam na outra ponta e não há responsabilização nenhuma por isso.

Será que ficou no esquecimento a promessa do governo de entregar as obras de transposição do Rio São Francisco desde 2012?

A obra já consumiu quase o dobro do orçamento original e o pouco que foi feito o tempo destruiu porque era de péssima qualidade. Acho que hoje não se tem mais previsão de entregar a obra. Enquanto isso o sertanejo continua experimentando toda sorte de privação e ainda agradecendo aos governantes pelas migalhas que recebe. O próprio rio, que irrigaria o nordeste através dos canais, apresenta sinais de exaustão porque nada ou quase nada tem sido feito para recuperá-lo e aos seus afluentes. Em diversos pontos, no período de estiagem, como agora, não é possível navegação.

Assim a riqueza do país vai indo pelo ralo. Obras não feitas que vão custando o dobro ou mais para serem concluídas.

O Brasil não vem sendo pensado para o futuro, o que impera é a lógica da urnas. Os governantes fazem todos os arranjos possíveis para garantir, não uma sustentação política e apresentar projetos que façam o país avançar, mas sim, sustentação eleitoral. Só se foca resultados eleitorais. As benesses, o enriquecimento dos políticos. Qualquer um que fizer uma análise apurada e real sobre o patrimônio dos nosso políticos, haverão de impressionar-se com o quanto que prosperaram enquanto exerceram mandatos e ocuparam cargos públicos.

Achamos isso normal. Assim como achamos normal que o interesse público fique submetido ao interesse particular do governante e dos seus apaniguados.

Nesta mesma semana leio que um dos condenados pela Justiça brasileira, por graves crimes, diga-se de passagem, Sr. Delúbio Soares, em menos de uma semana, arrecadou, mais de um milhão de reais para o pagamento de suas multas. Solidariedade de seus companheiros de partido, dirão. Será? Será que não são recursos públicos migrando indiretamente para as contas dos condenados, através do aparelhamento do Estado que instituíram? Nunca saberemos. Mas já sabemos de uma coisa: a mesma solidariedade que esses generosos companheiros mostram com criminosos condenados, não demostram com os sertanejos que estão passando fome e sede por conta de sua incompetência e inércia. Nunca ouvi dizer que tenham arrecadado ou feito qualquer campanha para minorar os efeitos da seca. Pelo contrário, fingem que ela não existe. Mais que isso, apostam na ignorância do povo, na generosidade das pessoas, que esmagadas pela miséria, são agradecidas pelas esmolas que recebem.


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Amar o Maranhão é…

Por Abdon Marinho

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Os menos moços devem lembrar dos bonequinhos da campanha amar é… que fez muito sucesso em meados dos anos oitenta. Foi uma empolgação tinha bonecos, em papéis de chicletes e por ai a fora.

Como no Maranhão tudo chega atrasado, criaram uma campanha de amor pelo o Maranhão, como se os maranhenses não amassem o estado e quisessem vê-lo prosperar.

Seguindo a mesma linha da campanha dos anos oitenta, segue abaixo alguns tópicos para faixas, cartazes, bonecos, etc.

Amar o Maranhão é… Ignorar que menos de quatro por cento dos seus habitantes possuem rede de esgoto.

Amar o Maranhão é… Ignorar que das cem cidades mais pobres do país, quarenta e nove ficam aqui.

Amar o Maranhão é… Ignorar que a expectativa de vida do maranhense é cinco anos menor que a média nacional.

Amar o Maranhão é… Ignorar que a nossa educação pública é uma das piores do mundo, conforme atestam os dados do ENEM é do PISA.

Amar o Maranhão é… Ignorar que um estado tão rico esteja entre os últimos em renda per capita e IDH.

Amar o Maranhão é… Achar normal que se tenha por aqui uma das piores taxas de mortalidade infantil.

Amar o Maranhão é… Aceitar como normal que quem precise de atendimento médico seja socorrido nos estados vizinhos.

Amar o Maranhão é… Achar normal que tenhamos uma das piores malhas viárias do Brasil e louvarmos o governo quando ele nos brinda com uma estrada asfaltada com asfalto tão fino que se poderia chamar de “película asfáltica”.

Amar o Maranhão é… Achar normal que a maioria da população não tenha água encanada em suas casas.

Amar o Maranhão é… Achar normal viver num dos lugares mais violentos do mundo com taxa de homicídios acima da média nacional e a capital do estado ser a 15ª mais violenta entre mais de 41 mil cidades existentes no planeta.

Amar o Maranhão é… Achar normal a corrupção tomando de conta das instituições.

Amar o Maranhão é… Concordar com a brutal concentração de renda nas mãos de poucos enquanto a maioria da população padece sem os serviços básicos.

Amar o Maranhão é… Aceitar de forma passiva que os donos do poder tenham acesso a tudo, ocupem todos os postos importantes na máquina pública enquanto os que não são da “panelinha” não tenham acesso a nada.

Amar o Maranhão é… Acreditar na caríssima propaganda oficial e comprar como verdadeira tudo que dizem sobre o quanto estamos avançados em relação ao resto país.

Amar o Maranhão é… Ignorar que o atraso do estado se deve ao receio que tinham os empresários em investir aqui por que os donos do poder, parentes e apaniguados sempre exigiam uma participação societária.

Amar o Maranhão é… Ignorar que os donos do poder se julgam donos do próprio estado e que, por isso mesmo, são nossos senhores e suseranos a quem devemos agradecer por suas existências.

Amar o Maranhão é… Achar normal que não aja qualquer alternância no poder por séculos sem fim.
Amar o Maranhão é… (Essa aqui você completa e acrescenta mais algumas).

Se você ama o Maranhão tem que concordar com tudo isso. Se você não concordar com a lista acima e mais algumas que pode acrescentar.
Por onde passo vejo essa ridícula campanha “Eu amo o Maranhão”. Tal campanha não consegue ser original em nada e muito se assemelha a campanha dos governos militares no seu período mais sombrio: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. O pano de fundo era o mesmo a legitimação através de um suposto nacionalismo.

Será que amar é isso?


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