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Um mundo paralelo, viagem, barulho e piada

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

E o governo brasileiro não cansa de nos surpreender, negativamente, claro.

Desde a semana passada que a nossa presidente está fora do país. Foi à Suíça onde participou do Foro Econômico Mundial de Davos. Lá, esbanjou otimismo com relação à nossa economia, que não para de causar preocupação pela forma atabalhoada como vem conduzida, com a equipe econômica se valendo de uma tal “contabilidade criativa” para fechar as contas do ano passado, colocando compromissos vencidos para pagar no ano seguinte, segurando artificialmente os chamados preços públicos para evitar que causassem embaraços à meta inflacionária. Ainda na Suíça, sua excelência vaticinou que tudo ficará pronto a tempo da copa do mundo e que esta será melhor de todos os tempos.

Nesta última afirmativa, mais uma prova que não sabem o que dizem. Vejam: Quase nenhuma obra de mobilidade das que foram prometidas saíram do papel. Nas principais cidades sedes o trânsito tornou-se um problema que inferniza a vida dos habitantes, já imaginamos o que acontecerá quando à população normal for acrescida os turistas que para cá virão. Sem contar que os nossos aeroportos já estão se preparando, em face à falta de obras, para um plano B, qual seja, ridículas tendas para funcionar como terminais.

Até os estádios, para onde drenaram parte dos recursos públicos, que juraram não investir, estão com obras atrasadas. Segundo soube, a FIFA informou por estes dias, que a nossas obras estão mais atrasadas do as obras da última copa realizada na África do Sul. Lembram que as vésperas da copa ainda via funcionários arrumando as coisas?

Apesar disso tudo a nossa presidente acha que está tudo muito bem. Que será a melhor copa. Que tudo ficará pronto a tempo.
Saindo da Suíça sua excelência partiu com destino ao farol das Américas, a nação dirigida com mão de ferro pelos irmãos Castro e onde um cidadão comum para ter um carro popular precisa trabalhar apenas 500 anos. Mas quem precisa de carros, se por lá temos um transporte público de qualidade?
No seu destino para Cuba a comitiva presidencial, que lotava dois aviões (acho que nem o presidente Sarney quando fez a célebre viagem a Paris, com uma comitiva que assombrou a França, levou tanta gente), achou oportuno fazer uma parada estratégica em Lisboa, Portugal. Lá, como é próprio dos deslumbrados e dos que atiram com pólvora alheia, a comitiva presidencial instalou-se em caríssimos hotéis, segundo divulgou a mídia, algumas suítes custando 8 mil euros, o valor de um carro popular. Tudo isso por um pouso. Achou oportuno frequentarem restaurantes caros e famosos. A primeira versão de que a escala em Lisboa seria técnica e decidida em última hora, cai por terra quando se sabe que o governo português informa que já sabia da escala desde a quinta-feira, assim como restaurante que informou que as reservas também tinham sido feitas também na quinta-feira.

Acabo de ver nossa presidente na TV falando sobre a polêmica parada em Lisboa. Com a arrogância própria dos que estão certos, sua excelência não titubeou em professar que o jantar no caríssimo restaurante foi pago pelos começais. Tranquilo. Tudo bem. Como perguntar, não ofende, qual a razão da mentira? Porque o desencontro de informações prestadas pelos ministros? Porque não hospedou-se na Embaixada brasileira? Como funcionários que não ganham nem R$ 20 mil, podem pagar hospedagens e jantares tão caros?

Em Cuba, nossa presidente entregou o porto de Mariel, uma obra na qual investimos quase um bilhão e que ninguém consegue provar a importância para o Brasil desta obra. O contrato entre os governos foi classificado como secreto e seus detalhes só serão conhecidos depois de 2030. Sempre me pergunto a razão do selo de secreto neste tipo de contrato. Porque os cidadãos, responsáveis pelos pagamento das contas, não podem saber o que se passa?

O Brasil dos tempos atuais tem sido prodigioso em distribuir recursos públicos a nações amigas, com duvidoso retorno aos interesses nacionais.

Ainda em Cuba, sua excelência, agradeceu aos anfitriões pelo envio dos milhares de médicos do “Programa Mais Médicos”.
O agradecimento, embora protocolar, mais parece uma piada. Senão vejamos: Nós, contribuintes acabamos de bancar um porto estratégico para o país dos irmãos Castro. O governo deles nos envia milhares de médicos (úteis? necessários? não discuto), mas em compensação enviamos a eles R$ 10 mil por cada profissional. Destes recursos, suspeita-se que menos de 30% (trinta por cento) os profissionais receberão, o resto ficará com o governo.

O carisma dos irmãos é algo fora do comum. Eles acabam de receber um monumental presente, receberão uma formidável mesada todos os meses e nós que somos os agradecidos. Não parece piada?


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Passando batido e dormindo no ponto

Por Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Se Félix (o da novela) dissesse num dos seus chistes: “– Pelas contas do rosário, só posso ter dormido no banquete de Herodes para permitir a entrega da cabeça de João Batista a dançarina Salomé”, não retrataria de forma mais perfeita o que aconteceu na reunião da Comissão de Intergestores Bipartite – CIB, em que foi aprovada uma resolução que termina por liquidar a nossa já combalida saúde municipal.

Li que a CIB, reunida no último dia 23 de janeiro, decidiu, que São Luís irá remunerar os tratamentos feitos em anos anteriores, pela cidade de Teresina, de pacientes oriundos do Maranhão, por proposta do secretário de saúde do estado. Em sentido figurado, apenas isso, temos o banquete de Herodes (a reunião CIB) na qual foi entregue a cabeça de João Batista (a verba da saúde) para Teresina (Salomé). Isso só foi possível por que Félix (o secretário) dormiu e deixou passar a patranha. Para evitar que a saúde municipal quebre faz-se necessário que o município recorra imediatamente as instâncias próprias do Ministério da Saúde e até da justiça, se for o caso. Se passaram batido e dormiram no ponto é hora de correr atrás e evitar o prejuízo.

Não sou militante da área, apenas uma das tantas pessoas que vem acompanhando o assunto desde muito tempo, e como tal, sei que as decisões da CIB são fruto de consenso entre os secretários de saúde dos municípios, integrantes da CIB. Não posso acreditar que ninguém, nem mesmo o secretário de saúde do Município de São Luís tenha se erguido para alertar a violência que se estava fazendo contra a saúde da capital. Ademais, o Município de São Luís, até por sua condição de gestor pleno teria o poder de vetar a decisão absurda que querem transformar em resolução obrigando São Luís a pagar atendimentos pretéritos feitos pelo Estado do Piauí, que pelo volume torna impraticável qualquer política de saúde daqui para frente.

Ora, pelo que me informei, até essa nova resolução, estava em vigor uma outra pactuada tempos atrás, que vinha estabelecendo que os atendimentos deveriam ser feitos nas unidades onde o município do paciente é referenciado, se o município desejar mandar o paciente para outra unidade que não a de referência deveria fazê-lo através de uma guia própria para que o município que receba o paciente possa cobrar da Secretaria de Estado e esta descontar do teto do município que encaminhou.No caso da dívida existir, e acredito que exista, que seja descontada dos tetos de quem mandou os pacientes.

Diante disso, da falta deste controle, que se desconte do teto de São Luís, os valores destes atendimentos para o qual o município não contribuiu de nenhuma forma, e para o qual não se tem como aferir de forma devida, é uma temeridade que beira a irresponsabilidade tanto por omissão quando por comissão do membros da CIB.

Causa espanto é que diante de um fato tão absurdo ninguém tenha se levantado e erguido a voz contra. Não se compreende sequer a posição da Secretaria de Saúde do Estado em propor e encapar tal proposição. A impressão que fica é que ninguém sabe fazer conta ou fizeram ouvidos moucos ao que fora pactuado anteriormente. Em qualquer dos casos imperou o silêncio, da forma que imperou quando Salomé pediu a cabeça do profeta João Batista.

Em qualquer dos casos ainda isso não elide a responsabilidade do secretário de saúde do município que não usou do seu poder para impedir o que estava acontecendo. Aliás, cada vez mais se torna palpável o desconhecimento da atual equipe da saúde para gerir o sistema. Parece que ninguém sabe o que é o SUS. Eu e as pessoas acostumadas com o SUS ainda não conseguimos entender que convênio foi aquele que o município assinou com o HUUFMA na semana passada uma vez que a unidade já faz parte da rede municipal desde 2004, quando São Luís passou a gestor pleno do sistema, recebendo mais de R$ 80 milhões anuais, dos quais R$ 43 milhões repassados diretamente pelo Ministério da Saúde do teto do município para o HUUFMA e o restante mediante apresentação de faturamento. Isso sendo feito na última década.

O município é que não tem cobrado e enviado os pacientes, como deveria, para unidade, causando como resultado a sobrecarga da rede própria municipal. Ora, se se trata de um convênio novo, significa que vão pagar o dobro que já vem sendo pago? Vão onerar ainda mais o teto financeiro do município? Se não é convênio novo, porque submeteram o prefeito a apresentar uma novidade de museu? Se não é novo e agora dizem que vão fazer o deveriam vir fazendo na última década, o HUUFMA vai devolver o que já recebeu durante esse tempo todo? Confesso que ainda não entendi o que aconteceu. Vão apenas fazer o que já deviam está fazendo? Vão dobrar a capacidade de atendimento? O HUUFMA tem condições para fazer isso? Vão pagar o dobro pelo serviço? São perguntas que exigem do Sr. Félix (o secretário), os esclarecimentos devidos.

A impressão que fica é que a Secretaria de Saúde, conduziu o prefeito, num exemplo de absurdo, a comprar um carro que já lhe pertencia. Pois a unidade já rede do município, apresentar como novidade é agir como o cidadão que compra o carro que já lhe pertencia. Vamos combinar que esse tipo de coisa é de matar de inveja, os competentes vendedores de carros que fazem ponto ali na pedra que funciona na Praça Catulo da Paixão Cearense. Acho que nenhum deles conseguira tal feito.

O prefeito da cidade deve se admirado pela paciência com que tem tem tolerado tantos desacertos, infelizmente, cada dia que passa, essa paciência com a falta de gestão, causa danos, muitas das vezes irreparáveis à população ludovicense. Ainda ontem, li uma notícia que pela dureza, até hoje me custo acreditar.

Li que um cidadão que acidentou-se na Avenida dos Africanos, praticamente no coração da cidade, veio a óbito, segundo dizem, pela demora no atendimento de urgência e emergência da cidade. Me custa acreditar que isso tenha ocorrido. Estamos numa capital de mais de um milhão de habitantes e que é gestora plena do sistema de saúde, não tem cabimento que pessoas morram por falta de atendimento. Não dá para acreditar. Acho que nem o Félix (o da novela) seria capaz de achar normal esse tipo de coisa.


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Grandes homens não tratam assuntos pequenos

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

As notícias que chegam do planalto central é de mais uma crise no nosso venerado STF. Desta vez por conta de declarações do ministro-presidente sobre a não prisão de um dos condenados no processo do mensalão, o deputado petista José Paulo Cunha.

Haveria necessidade, de mais uma vez, submeter a população ao vexame de assistir os maiores homens do judiciário nacional lavando roupa suja por conta de uma “picuinha” como essa? Ninguém assinou o mandato de prisão que presidente deixou de assinar. Paciência, o mundo não acabou por que o condenado ficou mais trinta dias ausente da Papuda, ao que sei ele não fugiu, não escafedeu-se, sua pena não foi extinta por conta disso ou prescreveu. Não faz sentido é que se gere uma crise institucional por uma tolice como essa.

A mídia, que também, não se aquieta sem gerar um escândalo, sobretudo quando, junto com ele vem uma “prestaçãozinha” de serviço aos seus patrões, não cessa de inflamar ainda mais o ambiente, muitas vezes até dando vazão aos seus preconceitos mais recônditos. Sobre a viagem que fez o presidente do STF à Paris, França, e à sua visita ao uma loja de grife, não faltou quem se achasse no direito de tratá-lo como o próprio demônio.

Explico como. A maioria de nós se lembra do filme brilhantemente estrelado por Meryl Streep e tendo como diretor David Frankel, intitulado “O diabo veste prada”. O filme que é uma adaptação de um livro do mesmo nome, de Lauren Weisberger, fez muito sucesso.

Pois bem, numa campanha sórdida, os amigos, agregados e aliados dos “mensaleiros”, que desde novembro, depois de regulamente condenados, foram presos e estão vendo o sol nascer quadrado, não para de referir-se ao ministro do STF dizendo que ele “veste prada”, em suas diversas variações.
Ora, ora, não precisa ir muito longe para deduzir que estão chamando o ministro da “coisa ruim”, o “tinhoso”. Não disfarçam que é uma alusão ao filme, para chamá-lo de diabo. Poder-se-ia até encarar com bom humor o trocadilho (de fato é uma tirada interessante). Nada teria demais, afinal, no filme, o diabo, era em sentido figurado, a extraordinária e elegante Meryl Streep, em papel memorável., que lhe rendeu indicação ao oscar e um prêmio globo de ouro. Entretanto, os detratores do ministro não possuem senso de humor para tanto.

As insinuações tem as conotações do racismo embutido, ao preconceito de não se admitir que um negro, um pobre ou os dois juntos, tenha chegado onde chegou, que possa conhecer o mundo e a vestir-se com roupas de grife. Pessoalmente, acho tudo isso uma vaidade tola, uma ostentação desmedida num país de miseráveis. Nunca senti nenhuma vontade de vestir ou calçar marca. Meu atual sapato tem, por baixo, uns sete anos, e acho que ainda dura mais um tempinho, e não é prada. Nunca dei mais que R$ 100,00 (cem reais) numa camisa, nunca usei um terno que passasse de R$ 1.000,00 (mil reais) e assim mesmo a contragosto. Entretanto, não é por achar isso, que se deve dá azo ao preconceito e ao racismo, mesmo por que, não é essa a primeira vez que fazem isso. Antes, durante e depois do julgamento do “mensalão” plantaram e fizeram plantar acusações e preconceitos contra ele, ora era o feitor, ora era corrupto, ora deslumbrado, ora o recalcado, e por aí vai.

O próprio ministro, com sua queda por picuinhas, não se cansa de alimentar a diminuição das instituições brasileiras, logo ele, que todo dia sofre as conseqüências.

Este é apenas um pequeno exemplo de como andam as instituições nacionais. O Brasil se tornou uma grande “terra de ninguém”, onde quase todo mundo se acha no direito de tirar sua vantagem ou enricar à custa do suor do contribuinte.
Outro dia o presidente do Senado da República achou que nada tinha de errado em requisitar um avião da FAB para ir fazer um singelo implante de cabelo na cidade de Recife (PE). Há algo mais patético que um presidente de tão elevada instituição se ocupar de implantes capilares?
Não faz muito tempo, vi a patética imagem de um governador de estado mergulhando numa cisterna para tentar estancar um vazamento, fazia não por necessidade, mas apenas no exercício prático de demagogia (não digo o governante não deva experimentar as auguras que experimenta o povo, é dever dele fazer isso). Não queremos governantes que resolva um problema numa cisterna, queremos um resolva toda a crise no abastecimento de água, de esgoto, de saneamento, habitação, saúde e educação.

O populismo dos políticos brasileiros, chega as raias da insanidade, quase todo dia temos exemplos disso.

Trago comigo uma história que ouvi ainda na infância. Contaram-me de uma concreção de freiras que foram habitar num dos lugares mais insalubres da cidade. Eram freira muito boas, devotadas as pobreza. Com o passar do tempo elas começaram a se sentir hostilizadas pela comunidade. Por mais que tentassem não conseguiam entender, como elas que eram tão boas estavam sendo hostilizadas. Até que uma perguntou para um líder da comunidade qual a razão da hostilidade. O líder explicou-lhes a razão: Eles moravam lá por não ter para onde ir, queriam alguém que os ajudassem a sair daquela condição de miséria e não que fossem morar lá como se fosse normal habitar aquele tipo de lugar.

Os grandes homens, os governantes a quem os povos confiaram os seus destinos, esperam bem mais destes homens públicos. Não acham ser normal tanta discussões em torno de “picuinhas”, assuntos menores que não resolvem os problemas que atravessam o país.

Fico pensando, como é ficam os milhares de julgamentos pendentes do STF quando vemos ministros perdendo tempo com a assinatura ou não assinatura de um único mandato de prisão, que não altera em nada a rotina da sociedade.

Divago sobre quem, de fato, se preocupa com a pauta nacional quando temos um presidente do Senado da República, preocupado com sucesso ou insucesso do seu implante capilar. Pois é, chegamos ao ponto em que o implante capilar ou plástica dos grandes da nação ocupam os debates ao invés dos assuntos de interesse de toda a sociedade. E o mais grave é que os pagamos para cuidar dos nossos interesses e não de sua vaidade.
Fico indagando se o governador não deveria ceder lugar a um bombeiro hidráulico, decerto mais habilitado que ele para resolver o problema da cisterna enquanto ele ia cuidar da falta de água, saneamento, moradia, etc., de todos os habitantes do estado.

Um dos grandes problemas que o país atravessa é que não temos homens públicos preocupados com o interesse público, com o crescimento econômico, com a balança comercial, com a segurança das nossas fronteiras, com o caos da saúde, como os péssimos indicadores na educação. Os nossos políticos, em geral, estão preocupados é com próxima eleição, seus interesses giram em torno dos votos que podem conseguir com um favorecimento aqui e ali. As obras de interesse da nação que venham a resolver os gargalos da nossa infra-estrutura eles passam ao largo, querem saber é da emendinha da sua base, de preferência para negociar e pegar um troco com ela. Preocupam-se é com o emprego do aliado, afilhado ou correligionário que poderá o carga para lhe favorecer na eleição.

O Brasil se perde quando vemos homens que deveriam ser grandes e se ocuparem de temas grandes os vemos pequenos cuidando de assuntos menores que eles.
Grandes homens não tratam assuntos menores. Se tratam, não são grandes.


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Na saúde a bagunça continua

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

O prefeito de São Luís não tem acertado com seus secretários de saúde. Com pouco mais de um ano estamos no segundo secretário. O primeiro, pelo que soube, saiu numa situação bastante desfavorável. O segundo, até aqui não disse ao que veio ou se ao menos sabe qual é o seu papel.

A prova mais cabal da falta de controle ou de conhecimento do que seja a gestão do SUS é uma notícia que leio hoje no Jornal Pequeno, dando conta que o prefeito assinaria na data de hoje, 23/01, um convênio com HUUFMA. A princípio pensei que fosse coisa dos adversários essa notícia. Lendo-a com mais cuidado, meu espanto só aumentou, a matéria tem como fonte a prefeitura, com declaração do próprio secretário da pasta, vendo o tal convênio como um grande avanço para a saúde do município.

O secretário que se chama Félix, deve entender tanto do assunto ou está informado sobre o tema quanto o seu xará da novela das 9:00 horas. Se entendesse o que é SUS e gestão plena não submeteria o prefeito a esse tipo de vexame.

Vejam o que declarou sua excelência, o secretário: “Será um ganho enorme para a população, pois o Hospital Universitário fica integrado às redes prioritárias de atenção à saúde, com alguns serviços que não tínhamos antes, como assistência à gestação de alto risco e referência em urgência e emergência nas áreas de neurocirurgia, ortopedia e cardiovascular”.

Seria perfeito. Acontece que o HUUFMA já está integrado a rede de saúde do município desde que este, através da Portaria 2476/GM, de 17 de novembro de 2004, tornou-se gestor pleno do sistema. O secretário, parece não conseguir entender que sendo o Município de gestão plena do SUS, toda a rede de saúde já está sob o seu comando. Escrevi sobre isso em meados de dezembro. O HUUFMA já recebe recursos do teto do município de São Luís para prestar os serviços que agora o prefeito foi chamado a conveniar. Será que ninguém ocorreu avisar que não tem porque celebrar convênio e que a unidade conveniada já estava na rede?

Vou além. Será que ninguém na administração sabe que o município possui gestão plena do sistema e que, portanto, todas as unidades estão sob o comando da secretaria de saúde do município? Será que sabem o que significa gestão plena?

Diante do absurdo que que acabo de testemunhar sou obrigado a deduzir que o município não sabe que está na gestão plena desde 2004, conforme portaria referida, ou não sabe o seja gestão plena. Não sabe que é responsável por toda a saúde do município e mais daqueles que aqui vierem em busca de socorro e que tem sorte quando conseguem sair dos corredores das unidades de saúde.

Gostaria de saber como explicarão ao ministério da saúde a razão de terem assinado um convênio com uma unidade que já integrante da rede.

A Lei Orgânica da Saúde, Lei 8080/90, já tem mais de vinte anos e as pessoas responsáveis por sua aplicação não demonstram qualquer conhecimento sobre o tema. Quando um secretário de capital gestor pleno não sabe como lidar com as unidades sob sua responsabilidade dá para imaginar o quanto anda a situação.

O pior disso tudo é que esse não é um privilégio deste secretário. Até quem tem a obrigação funcional de conhecer também não sabe o que seja SUS.

Já disse aqui algumas vezes que o MPMA contribuem para que os gestores cometam improbidade administrativa. Um dos exemplos de como isso ocorre testemunhamos quase todos os dias, promotores entram na justiça para obrigarem os gestores a custearem tratamento de pacientes fora de domicílios os chamados TFD’s, na maioria das vezes a justiça concede. Acontece que os municípios maranhenses não possuem rubrica para TFD’s, nunca a Comissão Intergestora Bipartite incluiu recursos nos tetos dos municípios para esses tratamentos. Se existem recursos para isso, estes estão no teto do Estado do Maranhão e não nos tetos municipais, principalmente aqueles que só recebem para fazerem a atenção básica.

Pois é, só que as ações são propostas unicamente contra os gestores municipais, a ninguém socorre a ideia de incluir o estado na demanda. Até entendo que a urgência e a necessidade de atender uma emergência médica exigem uma ação rápida. Mas por que só incluir os municípios no polo passivo ou os gestores municipais, que mal recebem os recursos da atenção básica, e não o estado onde supostamente estariam os recursos para os chamados TFD’s?

Resultado: Os prefeitos com o justo receio das penas infernais que contem a Lei de Improbidade Administrativa e até mesmo por dever humanitário, acabam tirando recurso de algum outro lugar para atender as requisições do Ministério Público ou decisão da justiça. Não estariam cometendo improbidade?

Fico com a impressão que ninguém sabe o que seja SUS ou não querem saber. Será que a direção do HUUFMA não sabe que a unidade é integrante da rede e que não haveria necessidade de se celebrar convênio algum? Será que o MPMA não sabe o absurdo que é se exigir que municípios em gestão básica banquem tratamento fora de domicílio se não possuem recursos em seus tetos para isso?

Nas avenidas da cidade vejo placas informando que a saúde avança. Me pergunto como é que se avança se os gestores do sistema estão mais perdidos que o cachorro que caiu do caminhão de mudança?

Como já disse em textos anteriores, o sistema de saúde é único é isso que significa SUS. Sendo único ele pode funcionar com três comandos, o comando do município, do estado e do HUUFMA, não faz sentido.

É esse descompasso que faz com que as pessoas não tenham um atendimento digno, que morram nas macas acumuladas nos corredores dos socorrões da vida.

O sistema de saúde não funciona porque que quem deveria conhecer o assunto não o conhece e outros tentam tirar – e tiram – vantagem das pessoas nos momentos em que estão mais fragilizadas.

Outro dia um rapaz me procurou para perguntar se conhecia determinado político pois precisava que eu falasse com ele para lhe conseguir um leito no Hospital Geral do Estado e lhe disseram que esse político era o “cara”, por lá. Esse cidadão precisando de um cirurgia corretiva de uma outra feita naquela unidade precisa da intermediação de um terceiro, um político, para lhe conseguir um leito que lhe é de direito.

Como é que a saúde pode funcionar assim. Esse tipo de coisa não é compatível com os avanços estabelecidos pela Constituição Federal de 1988 e na Lei Orgânica da Saúde de 1990. Na verdade, estamos vivendo no Maranhão um feudal, onde um direito báscico necessita de favor de um político.

O Maranhão precisa romper com esse tipo de coisa. Poderiam se mirar no exemplo do Piauí. Ainda semana passada o secretário de saúde de Teresina, que parece ter uma relativa compreensão do que seja gestão plena, esteve aqui, em São Luís, para cobrar do governo estadual o ressarcimento dos atendimentos que faz de pacientes do estado naquele município. Ele, como gestor pleno, sentou com o secretário de Saúde estadual para cobrar o que acha devido ao município de Teresina.

Aqui, o grande avanço do SUS é celebrar convênio com uma unidade que já faz parte da rede ou conseguir um leito através do favorecimento de um político.

Não consigo entender como ainda não saímos da Idade Média.


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O dinheiro que escoa

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Li uma matéria, muito bem escrita, por sinal, dando conta dos gastos governamentais com mídia. O jornalista ‘denunciava’ que a Embratur celebrou contratos em outubro com vigência de um ano no valor de R$ 270 milhões, um valor segundo ele, jornalista umas cinco vezes o que gastará o governo do estado. Também acho elevado que se gaste tanto mídia. Neste caso, entretanto, darei um desconto por conta de outro absurdo, os gastos monumentais da copa do mundo. Os gastos absurdos que faz o governo se justificariam – vamos ver se confirma – com uma estratégia para atrair turistas para o país e diminuir um pouco a sangria dos cofres nacionais por conta do evento.

Na mesma matéria há outro dado importante sobre a questão dos gastos com mídia que é o que se aproxima mais da realidade do dia a dia, informa o texto:

“No total, em sua passagem pela Embratur – desde o início de 2011 – Dino gastou mais de R$ 321 milhões com mídia, o que equivale a pouco mais de duas vezes o total usado pelo governo maranhense no mesmo período, que chega a R$ 157,05 milhões.”

Tratam-se números monumentais. O valor de R$ 321 milhões gastos desde 2011 na promoção do país, principalmente se considerarmos que o país por diversas circunstâncias não consegue atrair turistas. Quem quer vir a um país violento desigual onde tudo é longe é a infra-estrutura aeroportuária é caótica? Quem quer vir a um país onde tudo é caro e se tornou uma prática a exploração de qualquer pessoa com um sotaque um pouco diferente do nosso? Hoje, se você se programar bem, é possível se fazer turismo no exterior com preços muito mais em conta do que dentro do nosso pais. Outro dia ouvi dizer que estava mais caro ir Natal do que ir a Miami, mais caro ir a Porto Alegre que Nova Iorque (EUA).

Os gargalos do turismo brasileiro não se resolverão sem que resolvamos os nossos problemas internos. Cada vez mais teremos brasileiros indo ao estrangeiro do que viajando pelo Brasil. Alguns até dizem que suas viagens para fora do Brasil são até lucrativas.

Como vemos, não será muito fácil fechar essa conta, ainda que gaste muito mais do que se tem gasto. É gasto, que, ainda que traga algum turista, jamais irá chegar perto de equilibrar a “conta turismo” do Brasil. Debitar essa conta no presidente da empresa é um excesso só justificável pelo açodamento eleitoral. A responsabilidade é, na verdade, dos que governam o país a mais de uma década, o consórcio PT/PMDB e seus agregados. A política de turismo é política de Estado, tanto que até temos um ministério exclusivo para cuidar do assunto.

Pois bem, como disse, acho excessivo esses gastos com a ideia de promover o país que não possui política nenhuma para setor. É o dinheiro do contribuinte que trabalha quase seis meses por ano apenas para pagar impostos.

Entretanto, a comparação que se faz com o governo do estado, dizendo que este gastou com toda sua mídia metade do que gastou a Embratur no período, me parece que depõe mais contra governo ao invés de o socorrer.

Senão vejamos.

A Embratur tem por missão, a promoção do turismo de todo o país, de todas as unidades da federação. Isso é feito internamente e também no exterior, ou seja, deve ser uma mídia que atinja

turistas de todo mundo com maior foco naqueles que tem tradição de viagens de seus habitantes – ao menos em tese é para ser assim, não é?

Por sua vez o governo do Estado do Maranhão, com seu gasto de quase R$ 160 milhões, no mesmo período, gastou pouco menos da metade do que gastou a Embratur – para vender o Brasil inteiro para todo o mundo –, para “vender” o Maranhão para os… maranhenses. São mais que R$ 52 milhões por ano, mais de R$ 4 milhões por mês para entupir a população com comerciais a cada intervalo dos horários nobres de TV’s, rádios, jornais e internet. Todos dias, todos os instantes somos convidados a conhecer o nosso estado.

Como disse, são números assombrosos. O valor gasto como mídia são suficientes, por exemplo, para a construção de quatro escolas de bom nível. O problema para os governantes é que escolas se funcionam como devem, a população deixa de acreditar nos competentes comerciais que são mostrados na mídia, que se reconheçam, nem parecem que falam do Maranhão de verdade como dizem os governantes.

Aqui pode faltar dinheiro para tudo. Saúde, educação, segurança, etc., nunca se teve noticia foi que faltou dinheiro para a propaganda.

Este é o país das prioridades invertidas. Os grandes eventos que o governo federal prometeu que não iria consumir nossos recursos e que iriam trazer os turistas para o Brasil, talvez tenham todas as arenas prontas para os jogos graças aos impostos dos contribuintes. O que não se terá são aeroportos dignos, trens que valham a pena ou ônibus e corredores de transportes à disposição dos “turistas”.

É assim que segue o Brasil e o Maranhão. Ninguém sabe é um rumo.


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Eu quero minha cidade de volta

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Dia desses, por uma estranha coincidência, tanto a governadora do Maranhão quanto o seu pai, o ex-presidente e senador da República José Sarney, teciam elogios sobre o caráter pacífico do povo maranhense. Diziam que o nosso povo tem um caráter pacífico. Decerto que já foi assim. Aqui não não se ouvia falar em crimes bárbaros ou de assaltos à luz do dia, pela manhã, tarde ou noite. Quando muito se tinha um “descuidista” a cortar uma bolsa de uma senhora vez ou outra no formigueiro da Rua Grande.
Lembro que andava, como já disse aqui, por centro da cidade, ruas e becos e nunca fui molestado. Podia ao cinema, à bibliotecas, ficava até altas horas conversando com os amigos nas praças ou nas pontas de ruas, andava de ônibus para cima e para baixo sem qualquer temor. Tínhamos uma cidade pacifica. Um povo calmo, tranquilo, ordeiro.
Pois bem, esse caráter pacífico do maranhense e do brasileiro, por assim dizer, ficou no passado. Está semana uma ONG mexicana divulgou seu relatório anual sobre os lugares mais violentos do mundo. Entre as cinquentas mais violentas, dezesseis são brasileiras. Parece pouco, mas não é. Destas, nove são nordestinas e oito são capitais, Fortaleza no Ceará é a sétima no ranking e a nossa São Luís, a décima quinta. Vou além, acredito que se tivessem levado em conta os números da região metropolitana nossa performance talvez estivesse melhor, quer dizer, pior.
Ninguém tem um número exato, mas estima-se que existam no mundo cerca de 41 mil cidades, entre tantas somos a décima sexta em números de crimes. Somos pacíficos.
enquanto pensava no caráter pacifista do maranhense um amigo me liga e avisa que mataram mais um preso em no presídio de Pedrinhas e que já eram 65 as vítimas de homicídios desde que o dia primeiro dia do ano. Hoje é 21º dia.
A sociedade maranhense e ludovicense precisa se perguntar o que aconteceu com o nosso estado, com a nossa cidade. Precisamos saber como chegamos a isso e quem são os responsáveis. Quem teve participação por comissão ou omissão. Quem deixou de fazer o que devia. Não podemos aceitar que as culpas sejam diluídas de tal forma que autores vítimas sejam igualados.
Uma cidade que já foi pacífica, como nos lembramos que foi, quase provinciana, não se torna a 15ª cidade mais violenta do mundo do dia para noite. Foi um processo que contou a participação e omissão de muitas autoridade, muitos foram os que se preocuparam mais com os seus interesses que os com os interesses do nosso estado e da nossa cidade.
Não faz muito tempo podíamos andar livremente para por toda cidade, os crimes não existiam, era motivo de apreensão quando ocorria um homicídio. Muito diferente hoje, quando acontecem 12 homicídios num único fim de semana e achamos normal, já não nos perturba. Hoje não se encontra praticamente ninguém na cidade que não tenha sido vítima de algum crime. São roubos de veículos, assaltos a residências e toda sorte de violência.
A realidade, por mais dura que seja, é que os nossos governantes não se desincumbiram das suas atribuições, não tomaram de conta da cidade, não cuidaram dela. O resultado é que a “bandidagem” assumiu o comando. Estamos todos presos e eles soltos ditando as ordens. Mandando e desmando. Tudo por inércia dos que deveriam tomar de conta, de bem administrar os nossos destinos.
Os governantes nos aprisionaram e abandonaram a cidade a própria sorte. Pior que isso é que não se dão conta do que aconteceu, nem um plano ou uma ideia para nos tirar do atoleiro que seus equívocos, sua incompetência e sua intolerância nos colocou.
Diante do quadro que nos defrontamos, os comerciais que os governares fazem soam como uma afronta a população pois vendem o que não temos. O horário nobre coalhado de comerciais dizendo que vivemos no paraíso prometido por Deus, no entanto, deste paraíso não podemos usufruir o mísero direito de nos sentar na porta uma boca de noite e conversar com os vizinhos. Talvez seja uma estratégia, se não podemos ficar na porta de casa, conversando com os vizinhos, ficamos dentro de casa, desde bem trancados, para podermos assistir, pela TV, os comerciais mostrando o maravilhoso mundo em que vivemos. É isso que está acontecendo. Estamos conhecendo o Maranhão, ao menos o que estão nos vendendo, muito bem vendido alias, pela TV.
Mas os nossos governantes acham normal esta situação, não se incomodam ou não demonstram nenhum desconforto com isso. O Maranhão, vai muito bem, obrigado, é o que dizem. Os que questionam isso, são os inimigos do povo.
Vendem essa ideia com tanta eficiência que outro dia conversando com um jovem que não deve ter 20 anos e ele me dizia: “todos nós somos culpados”. Não é verdade. Essa culpa não é de todos nós. Os culpados são os que usaram o poder para enricar, os negligenciaram o serviço público, os que tornaram os assuntos de interesse público um bom negócio para os amigos, parentes e apaniguados. Os que lucram contudo que o estado faz, muitas vezes indevidamente.
A sociedade não quer muito. Quer que as autoridades cumpram o seu dever, garanta os direitos básicos, saúde, educação, saneamento, infra-estrutura, segurança. Nos contentamos em termos o direito de ir e vir sem medo, o direito entrarmos em casa sem sermos assaltados, sem ter os veículos tomados ou termos os nossos filhos assassinados na porta de casa. O direito de não sermos prisioneiros em nossa própria cidade, de podermos conversar com os nossos vizinhos na porta.
Queremos o direito de termos a nossa cidade de volta. Queremos que devolvam a cidade aos cidadãos, à cidadania. Essa é a questão, queremos a nossa cidade de volta. Hoje a cidade não é mais nossa. Devolvam a nossa cidade!


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Artigo

Para que não digam que não falei do amor

Por Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

O que é o amor? De uma hora para outra leio declarações de amor para o maranhão. Todos amam o estado. E amam tanto e com tal intensidade que sentem a necessidade de externar. Não amam com ações, com palavras. E amor que dizem sentir é amor cego, aquele não enxerga os defeitos, o amor pernicioso da posse e da dominação.

Dizer que ama sem enxergar os defeitos não é amor. Não se pode amar o que não se conhece. Quando não se conhece os defeitos, quando se tenta a todo custo negar a sua existência está a negar-se o próprio amor.

Muitos são os declaram o amor pelo Maranhão. Poucos são os que conhece o estado e seu povo. É possível amar sem conhecer?

Uma vez um jornalista amigo me perguntou se eu achava que o Maranhão iria avançar – isso já tem uns dois anos –, disse-lhe mais, o estado não tem como não crescer, ainda que os nossos governantes tudo façam para que isso não ocorra, o crescimento virá. Cheguei a escrever sobre isso entre 2011 e 2012. Não é que eu seja um sábio, não, muito pelo contrário, é que o Maranhão reunia e reúne as condições para um crescimento acima da média. Esse crescimento não vem no volume que se espera e anseia devido a incompetência das autoridades, a falta de visão dos administradores, o interesse em manter a miséria. Ano passado o estado cresceu 15% (quinze por cento) e eu digo: só? As nossas condições para o crescimento sempre foram bem superiores as taxas que se apresentam. E, como digo sempre é um crescimento torto, um crescimento fundado na concentração de renda. Temos uma elite muito rica falando em milhões, lagosta e caviar e na outra ponta temos a maioria da população falando em bolsa-família, sururu e calango.

Isso quando tem o que comer. Quando olhamos o Maranhão sabemos que o crescimento que é real (eu não brigo com os números), não chega para o grosso da sociedade. Aqui na capital temos um dos metros quadrados mais caros do Brasil, apartamentos que custam milhões de reais, parte da elite falando em imóveis no Rio de Janeiro, São Paulo ou em Miami (USA), como se fala em ir a Barreirinhas, enquanto no interior ainda impera as casas de pau-a-pique, cobertas de palhas, enquanto a maioria das famílias sobrevivem graças aos programas sociais de transferencia de renda, bolsa disso, daquilo e daquilo mais enquanto ninguém se fala numa política de geração de renda que retire as pessoas da miséria e do abandono. A miséria funciona como uma espécie de indústria a gerar dia a pós dia eleitores dispostos a trocar seu voto por um prato de comida.

Muitos dos que dizem que amam o estado apresentam esse crescimento como prova de amor. Se é assim, poder-se-ia apresentar os demais indicadores como prova de ódio. Já estamos cansados de saber que somos quase o último em quase tudo que é indicador, quando não estamos em últimos estamos em penúltimo, rivalizando com o paupérrimo Estado de Alagoas. Vejam essa equação: O Maranhão que cresceu mais de 15% (quinze por cento) ano passado, rivaliza e alterna com Alagoas os últimos lugares nos indicadores sociais. Me respondam: Isso está certo? Um estado com tanto potencial rivalizar em quase tudo com o Estado de Alagoas que não possui riqueza nenhuma? É esse o amor que os nossos governantes tem pelo estado?

Sempre que falo sobre o crescimento do Maranhão uma ideia em sentido contrário me vem a cabeça. Estávamos no período de racionamento de energia. Todos os cidadãos, tendo que desligar suas coisas, etc. Quando foi feito a avaliação das regiões que mais economizaram energia o norte e o nordeste ficaram por último. Um julgamento apresado levaria a imaginar que o povo destas duas regiões não teriam comprometimento com o país pois não poupavam energia, não contribuíam com o esforço nacional. A realidade é que em ambas as regiões as pessoas já não tinham mais o que economizar, pois o consumo normal já era o maior exemplo de economia. Era como uma pessoa cujo o regime não permitia mais nenhum aperto no cinto.

O crescimento do Maranhão era assim. Chegamos ao ponto em que os governantes, a elite que sempre esteve no poder não tinha e não tem mais como conter o avanço, daí as razões do crescimento. Entretanto, o que podem e o que tem feito é impedir que esse crescimento chegue para as pessoas. Na verdade chegam para bem poucos. Convivemos num estado em que a educação está na rabeira da rabeira, a saúde pede socorro para o Estado do Piauí, o saneamento básico não chega para 96% (noventa e seis por cento) da população. Sobre isso as mesmas desculpas de sempre. Será que ninguém tem vergonha de termos que conviver com números como estes?

Assim como vivemos na nossa vida pessoal, as declarações de amor não correspondem a práticas do dia a dia. Mais parece com a prática daquele cidadão que todo dia e para todos diz que ama a esposa e dentro de casa a espanca dia sim e no outro também até quase levar o seu objeto do amor à morte. Como nestes casos, não duvido do amor, que deve ser do tipo doentio, que é confundido com posse, com propriedade, com o “eu sou o seu dono”. O tipo de amor que não serve. É o amor dos covardes, o amor mil vezes declarado mas que não se materializa no afeto ou no carinho e que apenas é declarado com receio da perda. Não perda por amar, mas a perda da posse.

Em sentido reverso não duvido do amor que tem o nosso estado pelos seus governantes, pela sua elite. Foi o estado que lhes deu tudo que têm. Toda sua fortuna, toda sua riqueza foi retirada do nosso pobre Maranhão. Riqueza que não é partilhada pelo conjunto da sociedade. Muitos possuíam uma coleira que carregavam na mão – a cachorrinha, já tinham comido tempos atrás –, e aqui fizeram fortunas.

O Maranhão sim, tem amado muito essa elite. Entretanto não tem recebido o mesmo amor de volta. É um amor que não é correspondido. Na verdade é um amor que muito se assemelha aquele amor de uma música que ouvi que dizia mais ou menos assim: “Ex my love ô, ô, ô, ex my love, se botar teu amor na vitrine ele não vai valer 1 e 99.”

O amor que muitos dizem sentir pelo Maranhão é assim, tal qual a música, se colocarmos na vitrine não vai valer R$ 1,99.
É o que penso. É o que testemunho. E ainda, sobre o amor, indago: Quem ama maltrata?


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Artigo

Estado leva cidadão ao crime

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Uma notícia aqui me chama a atenção: Mais dois criminosos linchados por cidadãos. Quase ninguém mais dá atenção. Já não choca e não é mais notícia. Cada vez mais os cidadãos maranhenses estão substituindo o estado e fazendo justiça com as próprias mãos. Outro dia ouvi no barbeiro o comentário de um cidadão. Ele reclamava que durante um linchamento que a turba fazia de uns marginais, uma senhora passava e chamou a polícia para conter a barbárie. Ele e mais alguns dos presentes não continham a indignação, não com o crime, mas com a atitude da senhora. Um ainda comentou que as senhoras, sobretudo as de mais idade, atrapalhavam esses atos de justiciamento.

A banalização com que isso vem ocorrendo me faz indagar o que acontece com uma sociedade que tem tanto desejo de matar. Não se discute aqui a questão da culpa do meliante que sofreu o linchamento, muitas vezes capazes das maiores atrocidades e que faria o mesmo. Mas dele é de se esperar.

Mas o que dizer de um cidadão de bem, um bom marido, um bom pai, cumpridor de suas obrigações como cidadão, que paga seus impostos, em suma, uma pessoa exemplar que todos os domingos está sentado na primeira fila da igreja? O que o leva a agredir até a morte um semelhante? A incomodar-se se alguém liga e a policia consegue impedir o assassinato coletivo? Como não saber que deveriam entregar o bandido ao Estado? Como não saber que estão cometendo um crime mais grave do que aquele estão a coibir ou a retaliar? Como igualar furto ou tentativa de furto a um assassinato?

Muito já se gastou de tinta para se descrever o caráter indomável das multidões. Um deles estatui que se são todos não é ninguém, se todos contribuem para o assassinato, ninguém matou. Entretanto, ainda assim, há um cadáver estendido no chão.

Durante esses linchamentos todos querem desferir um chute, dar um soco, sangrar o bandido. E sangram e chutam e socam até que o infeliz não tenha mais forças para tentar deter os golpes ou morra a vista de todos. Depois disto ou por pressão da polícia saem para continuar o seu dia, ir ao trabalho, a festa, ao cinema como se nada tivesse acontecido. Alguns sequer lembram que acabaram de participar de um assassinato.

Esse texto não pretende discutir os contornos jurídicos do linchamento, se deveria ou não haver uma definição específica código penal, se deveria constar punição específica ou a aplicação pura e simples do homicídio prevista no artigo 121 do estatuto penal, o que busco aqui é discutir, de forma bem ligeira, quais razões leva a sociedade tomar para si o desejo de justiciamento, prender, julgar, condenar e executar a pena tudo de uma vez à vista e com a colaboração ou cumplicidade de todos. Penas essas, muitas vezes, desproporcional ao agravo.
O meu sentimento é que a população está exausta com tanta violência. Ninguém mais se sente seguro em lugar nenhum, não podem andar nas ruas sem estarem assombrados pelo medo. Outro dia uma brincadeira levou a um ou dois assassinatos, numa reação, fruto de estress, por parte de um policial.

Outra razão que leva a sociedade a tomar para si o exercício que foi confiado ao estado é a omissão estatal. A sociedade elege seus governantes para que eles dirijam o estado, organize e coloque ordem na casa, se encarregue de evitar crimes, reprimir os que ocorram e punir os que cometerem delitos. A omissão e a não confiança que o Estado cumpra seu papel leva os cidadãos a tomar para si esta responsabilidade, mais essa.

Outra razão é que ninguém se sente como se tivessem sido “ele” o matador, foram todos, um cidadão sozinho, na maioria das vezes, morre mas não reage ao ataque criminoso, entretanto, em grupo, oculto pelo anonimato das ações coletivas, não acham nada demais desferir o primeiro chute ou o soco derradeiro. não há a reprimenda moral, o freio íntimo que impede o indivíduo de cometer um ato que ele friamente e sem o auxilio da turba não faria.

A sociedade, amedrontada e anestesiada pelo sentimento de insegurança, não só apoia como louva essa conduta, muitos cidadãos, a saberem de um linchamento, faz é lamentar não ter participado do mesmo. Na outra ponta o Estado sabedor que não cumpre seu papel, tem silenciado diante destes crimes coletivos. Não recordo de ter tomado conhecimento de alguma condenação de cidadãos por ter participado de algum destes linchamentos, cada vez mais violentos e frequentes. Como até os familiares das vítimas (?) parecem concordar com o justiciamento e não vão atrás, estes são homicídios nunca elucidados.

A nossa sociedade acha normal isso. Se por ventura algum dia fosse algum destes linchamento a julgamento, não tenho dúvida que os linchadores seriam todos absolvidos.

Assim como tantas, essa é mais uma conta da qual somos, sociedade, credores do Estado. Temos uma das mais altas cargas tributárias do mundo, até o dia 20 de maio de todos anos, trabalhamos unicamente para sustentar a máquina pública. Apesar disso temos que pagar por saúde, por educação, por segurança – vivemos cercados por cercas elétricas, circuitos de câmeras, pagamos segurança privada, etc. –, temos que exercer o papel do estado na repressão ao crime e na punição aos culpados.

O cidadão brasileiro, o cidadão maranhense é pacífico, infelizmente, o Estado que deveria conservar esse espírito cordial, tem levado, com a sua incompetência, esses cidadãos ao crime, a manchar suas mãos com sangue ao fazer justiça com suas próprias mãos. E quem pode recriminar os tomam para si a responsabilidade do estado e ele é omisso?

Poucos se dão conta destes fatos. Reflitam sobre isso.


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Maranhão

Assim como atrás da cortina de ferro

Abdon Marinho.

Abdon Marinho.

Assistindo aos acontecimentos do Maranhão fico com uma sensação de já haver assistido a esses fatos tempos atrás, como se arremetido, por uma máquina do tempo aos anos oitenta. Não sei se há ainda os que se recordam daqueles anos em que os países do leste europeu tentavam se libertar do jugo da URSS (União da Repúblicas Socialistas Soviéticas), do seu modelo político e os seus governos – a grande maioria fantoches de Moscou – insistiam em dizer que estava tudo bem, que a sociedade estava feliz, que havia pleno emprego, desenvolvimento. As notícias que chegavam ao ocidente eram poucas mas ficávamos com a aquela sensação que tentavam esconder a dura realidade que aqueles povos viviam. Os governos dia sim e no outro também, faziam de tudo para difundir que eram as foças capitalistas ocidentais que estavam tentando derrubar os governos e que o seu povo estava era sofrendo a influência da decadência capitalista ocidental. Os mais velhos devem lembrar.

O Maranhão vive praticamente a mesma situação – resguardadas as devidas proporções – temos o grupo que está no poder insistindo que estamos todos muito bem, que vivemos um reino de prosperidade e que até as nossas mais graves mazelas, como a violência é conseqüência do sucesso econômico que alcançamos, do nosso desenvolvimento, que os problemas mostrados pela imprensa faz parte de uma grande campanha imprensa sulista, não agem não contra os governantes, na verdade estão agindo contra o próprio Maranhão, contra todo o povo, querendo que deixem de usufruir essa prosperidade toda conquista por obra e graça dos governantes.

A propaganda do governo aqui nunca foi tão presente, insistente, incessante, como naqueles dias dos anos oitenta, não para de divulgar os grandes feitos do governo e de seus governantes. A prosperidade chegou, nunca se avançou tanto como agora. Principalmente no horário nobre, não tem um intervalo em que a propaganda não esteja lá em todos os canais. Uma diferença com aqueles países é que aqui são vários canais divulgando a propaganda oficial, lá só haviam os canais oficiais.

Campanhas são feitas para despertar o sentimento nacionalista (no caso “estadista”), o povo precisa apoiar os governantes contra essa campanha insidiosa contra o nosso estado. Vamos mostrar para todos que amamos a nossa terra. Tudo que dizem é mentira e ainda tem uns agentes infiltrados no meio da nossa sociedade que ficam passando essas informações mentirosas contra o nosso governo que é o próprio estado. Esses infiltrados não amam nosso estado, não gosta do nosso povo.

Assim como outrora, a máquina de propaganda escalou todos os meios, rádios, TV’s, jornais, mídia eletrônica, as penas dos escribas que cercam e se beneficiam do do poder, ninguém pode deixar de contribuir com causa, a ordem é dizer até onde não mais poder que tudo isso que acontece, inclusive as mazelas é coisa do adversário. É ele que está por trás de tudo. Tem o dedo do “tinhoso” em toda a campanha contra o “povo do Maranhão”.
Deve se ressaltar o máximo os defeitos dos adversários, como forma de desviar a atenção para os problemas para os quais são questionados, mas também para colocar na cabeça da patuleia que todos são iguais, que nunca será nada diferente, que são até piores que o poder que pretendem substituir. É assim que, por via oblíqua, se tenta até inculpar o gestor municipal de São Luís pelas mortes que ocorreram durante todo o ano que passou. Não digo com isso que o sistema de saúde municipal está atendendo como deveria a população, nada disso, muito pelo contrário, o sistema de saúde deixa muito a desejar, muito mesmo. Exige uma providência emergencial por parte da administração municipal para fazer cessar a espécie de acampamento de guerra que se tornou os socorrões, uma situação grave, vexatória e humilhante para a população. Agora, daí, insinuar que o gestor é tão ou mais perigoso que os líderes das facções criminosas que determinaram a imolação de vítimas inocentes, vai uma grande distância. Não lembro de ter visto isso antes, nem naqueles dias em que ruíam aqueles regimes.

O ambiente de informação é tão contaminado pela política que a mídia externa, jornais, TV’s, sites, etc., mandam seus correspondentes. Não confiam na isenção dos profissionais daqui ou querem, eles mesmos, sentir o “clima” do estado. As vezes, assistindo a esses noticiários, fico pensando: “vão já chamar o enviado especial, diretamente do Maranhão”, lembram? Naqueles dias os chamados enviados ou correspondentes especiais entrevistavam o povo daqueles países como se fosse um povo de outro planeta. Há alguma diferença entre o que acontece hoje? Mostravam os palácios suntuosos dos governantes e as palafitas ou as favelas miseráveis onde viviam a maioria da população. Alguma semelhança?

Tudo. Até quando governo, diz que as forças externas fazem tudo para desetabilizar um governo que está fazendo o certo e são essas forças do “mal” que querem levar o nosso povo para um modelo “decadente” que se vive além da cortina, já houve até quem dissesse que casa de pau-a-pique, com cobertura de palha era um traço de nossa cultura, que é uma opção do povo morar assim, palafitas não passam de um estilo de vida.
Além do que já se disse acima, outros sinais visíveis do dèjá vu são os que tentam minimizar os nossos problemas, dizendo que é igual a todos os lugares e que fora daqui tudo é muito mais grave, tudo muito pior. Aqui é que estamos bem e que não devemos nos deixar influenciar pelo assédio da mídia burguesa sulista.

As semelhanças vão além, enquanto escalam os escalões intermediários para tentar sustentar o regime, os mais espertos começam a fazer o governo de terra arrasada, muitos já buscam se precaver para a eventualidade de surgirem alguns contratempos.
O discurso e a prática são os mesmos daqueles dias é a história se repetindo mais uma vez, desta, como diria aquele barbudo, como farsa.
Abdon Marinho é advogado.


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Poder

Ostentação

Por Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Hoje quando o amigo encostar a cabeça no travesseiro para dormir, nossa riquíssima Ilha do Amor, já terá provado seu crescimento e riqueza já tendo matado, em 15 dias 42 pessoas, mais da metade do que Áustria com seus mais de 8,3 milhões de habitantes em todo o ano de 2013 (56); pouco menos que a metade do que a Suécia com seus 9,5 milhões de habitantes matou (91); mais do que a Noruega com seus 5 milhões de habitantes matou no mesmo ano (29); mais que o dobro do que matou a Eslovénia com seus 2 milhões de habitantes (15); mais da metade do que matou a Croácia com seus 4,5 milhões de habitantes (62); apenas dez a menos que a Suíça com seus quase 8 milhões de habitantes (52); doze a menos que a Irlanda com seus 4,5 milhões de habitantes (54); quase três vezes o que matou Hong Kong com seus quase 7 milhões de habitantes (17); quase o triplo do que matou Singapura com seus 5 milhões de habitantes (16); quase o mesmo tanto que matou a Dinamarca com seus 5,5 milhões de habitantes (47). Encerro aqui.
Como podemos ver, as nações citadas não entendem nada de ostentar suas riquezas. Apenas essa “merreca” de homicídios num ano inteiro. Ora, ora, vê-se que não entendem nadinha de riqueza ou desenvolvimento.


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