O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, convocou uma reunião com parlamentares do partido na tarde desta terça-feira (27), em Brasília, após relatos de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos. A possível viagem provocou incertezas entre aliados e dirigentes da sigla, que discutem a reorganização da oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, também compareceu à sede do partido para participar das conversas.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, cinco aliados do senador relataram ter recebido a informação de que ele embarcou para os Estados Unidos, com previsão de chegada a Miami por volta das 16h30 desta terça-feira. Até o momento relatado pela publicação, havia incertezas sobre o paradeiro do parlamentar.
Aliados relatam mudança de decisão
De acordo com interlocutores ouvidos pelo O Globo, a possibilidade de deixar o Brasil foi discutida por Flávio ainda no domingo (25), após a derrota eleitoral, mas inicialmente rejeitada pelo senador.
A decisão teria mudado depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão dos passaportes do parlamentar. Segundo os aliados, Flávio ficou indignado com a medida e passou a temer a possibilidade de ser preso.
Inicialmente, o senador teria decidido que apenas a mulher e as filhas deixariam o país, por questões de segurança. Depois, teria optado por acompanhá-las.
Defesa não conseguiu contato com senador
Na manhã desta terça-feira, integrantes da defesa de Flávio afirmaram ao O Globo que não conseguiam contato com o senador.
Os advogados tinham um encontro previsto com ele para recolher os passaportes e providenciar a entrega dos documentos à Polícia Federal (PF). A reunião, no entanto, não ocorreu.
O prazo estabelecido por Moraes terminou às 11h desta terça-feira, sem que os passaportes fossem entregues.
Viagem divide aliados do PL
A possível saída do país provocou divergências entre integrantes do entorno de Flávio. Parte dos aliados avalia que a viagem poderia prejudicar sua capacidade de liderar a oposição ao governo Lula. Outros defenderiam a saída diante do receio de novas medidas judiciais.
O episódio representa um desafio para Valdemar Costa Neto, que tenta manter a unidade do partido após a derrota presidencial e organizar a atuação das bancadas eleitas para o Congresso Nacional.
Investigação envolve suspeitas financeiras
A decisão de Alexandre de Moraes foi tomada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
Além de determinar a entrega dos passaportes, o ministro proibiu o senador de manter contato com o advogado. Ambos negam irregularidades.
As informações sobre a possível viagem de Flávio aos Estados Unidos foram divulgadas por veículos de imprensa e atribuídas a fontes ouvidas pelas publicações.
