O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse nesta quinta-feira que não gostou da carta de teor golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. Na primeira versão do documento, publicado depois que o candidato derrotado deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, Flávio chegou a se autodeclarar “presidente eleito do Brasil”, apesar do resultado das urnas.
Não gostei — afirmou Valdemar, antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.
Na saída, ele falou que “ninguém concorda” com a manifestação de Flávio e que é necessário “tocar o partido para frente”. Valdemar ficou cerca de duas horas com Bolsonaro.
— Lógico que ninguém concorda com isso. Queremos tocar o país e o partido para frente. Ninguém aprova isso. Ninguém quer ter problema. Flávio passou por uma situação difícil. Nós compreendemos, mas não aprovamos — completou Valdemar.
O presidente do PL disse que não tratou do assunto com Bolsonaro e que os dois conversaram sobre a eleição. Valdemar afirmou que o ex-presidente não sabia do plano de fuga de Flávio.
A manifestação do presidente do PL ocorre em meio a divergências entre aliados de Flávio sobre a postura adotada pelo senador após a derrota eleitoral. Integrantes do partido vinham defendendo que ele reconhecesse o resultado das urnas e assumisse o papel de principal liderança da oposição ao governo Lula.
Na carta, Flávio também agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei. Após a divulgação do documento, uma nova versão foi publicada, substituindo a expressão “presidente eleito do Brasil” por “líder”.
A mudança foi atribuída pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, a um “erro de confecção”. Marinho também afirmou que não havia provas de fraude eleitoral que sustentassem questionamentos sobre o resultado da eleição.
A saída de Flávio do Brasil, na última terça-feira, surpreendeu integrantes da própria legenda, que não haviam sido previamente comunicados da viagem. O senador deixou o país depois de ter sinalizado a aliados que permaneceria no Brasil para exercer a liderança da oposição.
A carta também foi rechaçada por partidos como União Brasil e MDB, que defenderam o respeito ao resultado das eleições de domingo, reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As manifestações ocorreram após Flávio se autodeclarar presidente eleito, apesar da derrota nas urnas para Lula, e reforçaram a posição das legendas em defesa do resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
