Mesmo após ser afastada do cargo por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) no âmbito de uma operação da Polícia Federal sobre roubo de dinheiro público, Nakyoane Cunha Andrade, ex-secretária e sobrinha do prefeito Rigo Teles, segue dando ordens e orientando vereadores em votações do interesse da gestão.
Print de conversa em grupo de WhatsApp, obtido pela reportagem do Neto Ferreira, mostra a investigada em atuação direta com o parlamentares: “Só lembrando que eu mesmo fiz o pedido aos vereadores sobre os 70%”. Em seguida, reforça: “Pra depois não falarem que a gestão não pediu”.
Sobrinha também da deputada estadual Abigail Cunha, a ex-secretária Nakyoane aparece, mesmo formalmente afastada de suas funções e sem possuir nomeação, mostrando influência sobre decisões políticas e administrativas do município — o que pode configurar, em tese, o crime de usurpação de função pública e levanta suspeitas de possível afronta direta à decisão judicial que manteve na época o afastamento do cargo.
A medida judicial foi adotada na investigação de esquema de aproximadamente R$ 55 milhões na compra de livros didáticos pela prefeitura de Barra do Corda. A decisão, assinada por juiz federal substituto do TRF1, não apenas afastou a investigada, como também tinha o objetivo claro de interromper sua influência dentro da gestão.
Mesmo diante desse cenário e das restrições impostas na época, um print de conversa em grupo de WhatsApp expõe.
O caso ganha contornos ainda mais graves pelo fato de que, atualmente, a sobrinha do prefeito não ocupa qualquer cargo público, o que torna sua atuação completamente irregular do ponto de vista legal.
Na prática, o que se observa é a atuação de uma “gestora de fato”, alguém que, mesmo sem qualquer investidura legal e impedida por decisão judicial, continua exercendo poder dentro da máquina pública.
A conduta pode configurar usurpação de função pública, além de interferência indevida na administração e possível descumprimento de decisão judicial — situações que podem agravar ainda mais o caso já investigado pela Polícia Federal.
O blog tentou contato com a Prefeitura e Nakyone, mas ambos não se manifestaram.

