A defesa do ex-secretário de Estado do Maranhão Raimundo Cutrim pediu pela suspeição de Flávio Dino da relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa do ex-secretário alega viés político da atuação de Dino no caso e aponta conflito de interesse na condução do inquérito.
“Ora, se em um momento ele é o relator de uma prisão contra o Raimundo Cutrim, e no segundo momento ele é apontado como a vítima no caso que é de relatoria do ministro Moraes, a gente entende que há um choque de interesses aí. Se em um momento ele é vítima, em outro momento ele é o algoz, e o relator de uma prisão desproporcional e encabida. Então esses são os fatos que nos levaram a peticionar junto ao STF”, disse José Berilo de Freitas Leite Filho, advogado de defesa de Cutrim, em entrevista ao Contexto Metrópoles.
A defesa do ex-secretário sustenta que Flávio Dino é relator de um caso que resultou no pedido de prisão de Cutrim, enquanto o ministro é apontado como vítima em outro inquérito no STF que também tem o ex-secretário como alvo.
Entenda
Há dois casos envolvendo Cutrim no STF, um sob relatoria de Alexandre de Moraes e outro sob relatoria de Flávio Dino.
No caso do qual Dino é relator, o ex-secretário é suspeito de ter atuado para obstruir as investigações envolvendo o assassinato de um empresário maranhense que teria negociado propina com o governo do Maranhão. O caso ocorreu em 2022 e ficou conhecido como Tech Office. De acordo com Berilo, Dino pediu a prisão de Cutrim neste inquérito.
No segundo inquérito, do qual Dino é apontado como vítima, o relator é o ministro Alexandre de Moraes. No caso, Cutrim é apontado como a fonte de um jornalista que revelou o uso indevido de veículos funcionais por familiares de Flávio Dino. Neste caso, Moraes determinou a quebra do sigilo da fonte do jornalista Luís Pablo, além de busca e apreensão contra Cutrim.
“Clima de animosidade”
Em entrevista ao Metrópoles, o advogado José Berilo defende ainda que o cliente não cometeu crime e aponta para viés político nas decisões. “Ele é inimigo, pessoal e político, há muitos anos do ministro Dino. Isso é público e notório”, alega.
Ainda de acordo com a defesa do ex-secretário, existe um “clima de animosidade” entre Dino e Raimundo Cutrim. José Berilo afirma ainda que a situação é observada com viés político, sobretudo em um contexto eleitoral no Brasil, no qual há uma disputa acirrada entre grupos políticos no Maranhão.
“Vemos tudo isso como questão política, nós estamos a poucos dias das eleições […] fica muito estranho alguém que foi governador do estado do Maranhão e agora é ministro do STF, julgar causas de inimigos políticos, como o governador [do Maranhão, Carlos Brandão] e o delegado aposentado Raimundo Cutrim. Me soa estranho. Então, a preocupação é latente”, pontua a defesa.
Clima político no Maranhão
Ainda em entrevista ao Contexto Metrópoles, José Berilo explica que o policial federal aposentado Raimundo Cutrim fazia parte do grupo político formado por Dino e Carlos Brandão no Maranhão, mas que eles romperam após desarranjos políticos no estado.
A afinidade política entre os dois os levou a construção de uma chapa para o governo no estado, com Flávio Dino como governador e Carlos Brandão como vice — chapa que comandou o estado entre 2015 e 2022. Após isso, Dino foi eleito senador, assumiu o Ministério da Justiça em 2023 e depois foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir uma vaga no STF.
Carlos Brandão (sem partido) assumiu o governo do Maranhão em abril de 2022. Desentendimentos entre os dois, contudo, levaram a um rompimento entre dinistas e a família Brandão. De acordo com fontes do estado consultadas pelo Metrópoles, a falta de compromissos dos dois lados envolvendo cargos e acordos, levou ao rompimento dos grupos.
O rompimento se consolidou depois que Carlos Brandão decidiu lançar o próprio sobrinho, Orleans Brandão (MDB) como seu sucessor ao Palácio dos Leões, rompendo uma aliança da esquerda maranhense.
(Metrópoles)
