O Ministério Público Eleitoral deu parecer favorável à manutenção da cassação do prefeito de Caxias, Gentil Neto, e do vice, Eugênio Coutinho, por irregularidades nas eleições de 2024. O órgão também pediu a inelegibilidade por oito anos do ex-prefeito Fábio Gentil, apontado como um dos responsáveis pelo esquema.
A manifestação reforça decisão anterior da Justiça Eleitoral, que identificou uso da estrutura da prefeitura para interferir no resultado do pleito. Entre os principais indícios estão contratações temporárias feitas em massa às vésperas da eleição, sem justificativa técnica, concentradas principalmente nas áreas de saúde e educação.
O parecer também aponta compra de votos. Dados obtidos por meio de quebra de sigilo mostram transferências via PIX e uso de contas digitais para repasses a eleitores. Em um dos casos, foi identificado o pagamento fracionado a uma família, realizado na véspera e no dia da votação.
Segundo o Ministério Público, havia atuação organizada de intermediários, responsáveis por listar eleitores, mapear locais de votação e distribuir dinheiro e benefícios em troca de apoio. Registros telefônicos e de localização reforçam a suspeita de que as ações ocorreram de forma coordenada.
O órgão conclui que houve comprometimento da liberdade de voto e desequilíbrio na disputa eleitoral. Apesar disso, entende que não há provas suficientes de participação direta do vice-prefeito no esquema, defendendo a retirada da inelegibilidade dele, mas mantendo a cassação.
O caso será analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, que decidirá se confirma a perda dos mandatos e a convocação de novas eleições em Caxias.
