O Governo do Maranhão dá início, no próximo dia 27 de julho, ao programa Cuidado em Saúde Mental na Pós-Graduação no Maranhão, uma realização conjunta da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) e da Fundação Escola de Governo do Maranhão (EGMA). A proposta inaugura no estado uma política de fomento que trata o bem-estar de quem produz ciência como parte da própria estrutura da pesquisa, e não como cuidado acessório.
Os números que motivam o programa explicam a urgência. Levantamento nacional com 2.903 pós-graduandos brasileiros encontrou 74% de relatos de ansiedade, 31% de insônia crônica e 25% de quadros depressivos, marcas bem acima das observadas na população em geral (COSTA; NEBEL, 2018). Diante desse cenário, a proposta desenvolvida pela Fundação EGMA e pela FAPEMA pretende atuar na promoção de uma cultura institucional de cuidado, permanência acadêmica e valorização da pesquisa.
Durante doze meses, o programa formará oito turmas e atenderá até 200 participantes, entre mestrandos, doutorandos e bolsistas vinculados à FAPEMA. Cada turma cumpre 25 horas de formação organizadas em cinco módulos, que vão do reconhecimento do adoecimento acadêmico ao manejo do estresse e à construção de sentido na carreira científica.
Para o presidente da FAPEMA, Nordman Wall, investir no bem-estar dos pesquisadores é investir na ciência produzida no estado. “A produção científica depende de pessoas saudáveis física e emocionalmente. Essa parceria representa um passo importante para que nossos pesquisadores tenham acesso a ferramentas que contribuam para uma trajetória acadêmica mais equilibrada e sustentável”, afirmou.
A presidente da Fundação EGMA, Leuzinete Pereira, destacou o caráter inovador da proposta. “Estamos construindo um programa que reconhece os desafios enfrentados por quem produz conhecimento científico e oferece suporte qualificado para o desenvolvimento de competências socioemocionais fundamentais à formação acadêmica e profissional”, disse.
Além das atividades formativas, os participantes terão acesso a uma rede permanente de apoio psicológico composta por profissionais especializados, que acompanharão os pesquisadores durante toda a vigência do programa. O projeto também prevê oficinas voltadas à promoção da saúde física, reconhecendo a integração entre bem-estar emocional e hábitos saudáveis como elementos essenciais para a qualidade de vida acadêmica.
Para a coordenadora acadêmica, a psicóloga e mestra em Políticas Públicas Catarina Bogéa, o programa parte de uma mudança de premissa. “A pós-graduação aprendeu a tratar o adoecimento como preço inevitável da produção científica. Trabalhamos a partir do dado de que o pesquisador que adoece psiquicamente rende menos e por menos tempo. Cuidar de quem pesquisa é proteger o próprio investimento público em ciência”, afirma.
Ao colocar o cuidado no centro da política científica, o Maranhão se posiciona entre os primeiros estados a tratar a permanência de pesquisadores como questão de gestão pública. Reter quem já foi formado custa menos e rende mais do que repor quadros a cada evasão, e é nesse cálculo que o programa firma sua aposta.
As inscrições e o cronograma das turmas serão divulgados nos próximos dias pelos canais oficiais da FAPEMA e da EGMA.
