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Lauro da Enciza tem R$ 5 milhões bloqueados pela Justiça após desastre ambiental em São Luís

A Justiça do Maranhão determinou, nesta quinta-feira (5), o bloqueio de R$ 5 milhões da empresa Valen Fertilizantes e Armazéns Ltda, de propriedade de José Lauro Moura. Ele também é dono da Enciza Engenharia, envolvida em vários escândalos de corrupção no Maranhão.

Segundo a determinação, a Valen está sendo acusada de provocar vazamento de produtos químicos altamente poluentes, como sulfato de amônia e ureia na região da Vila Maranhão, zona rural de São Luís.

Relatório elaborado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh) aponta que o vazamento teve origem em maquinários recém-adquiridos pela empresa, armazenados sem proteção adequada. Com as chuvas, o material tóxico foi arrastado para fora do terreno e atingiu áreas da comunidade vizinha.

O documento confirma a contaminação hídrica e recomenda a retirada imediata das famílias da área afetada, considerando a permanência dos moradores perigosa e insustentável. Durante fiscalização, a Blitz Urbana constatou ainda que a empresa realizava uma obra de grande porte sem alvará de construção.

A intervenção foi embargada por riscos à segurança. Também foi identificado que a canaleta de drenagem de águas pluviais não possuía sistema de tratamento, funcionando como via direta de poluição ambiental.

Diante do caso, foi movida uma ação para responsabilizar a empresa pelos danos ambientais e sociais. Na decisão, o juiz Douglas Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, determinou que a empresa providencie, em até 24 horas, a remoção e acomodação das famílias em hotéis ou imóveis alugados por, no mínimo, 30 dias. A delimitação da área de risco ficará sob responsabilidade da Defesa Civil e da Sema.

A empresa também deverá fornecer água potável adequada ao consumo humano no prazo de 24 horas. Em até cinco dias, terá de disponibilizar equipe multidisciplinar com médicos, psicólogos e assistentes sociais, além de custear exames clínicos e toxicológicos das pessoas potencialmente expostas.

O maquinário contaminado deverá ser retirado da área em até 24 horas, e barreiras físicas, como lonas e biomantas, devem ser instaladas em até 48 horas para conter a contaminação. A empresa terá ainda prazo de dez dias para apresentar um plano de contingência.

A Valen Fertilizantes também está proibida de retomar obras ou atividades operacionais relacionadas a fertilizantes até obter autorização dos órgãos competentes.

O magistrado determinou ainda a indisponibilidade de até R$ 5 milhões em recursos da empresa para garantir o cumprimento das medidas e a reparação integral dos danos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 10 mil por obrigação não atendida.

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