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Auditoria-Fiscal do Trabalho resgata trabalhadores em condição análoga à de escravo em fazenda no MA

Quatro trabalhadores foram resgatados pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinculada à Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (SIT/MTE), durante uma fiscalização em uma propriedade rural localizada em um povoado da zona rural de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão.

A ação fiscal, realizada a partir do final de julho de 2026, identificou que os trabalhadores estavam submetidos a condições análogas à de escravo, sem registro formal de emprego e em situação caracterizada como degradante. Segundo a fiscalização, os trabalhadores haviam sido aliciados pelo empregador na região do Vale do Mearim, no centro do estado.

Durante a operação, os Auditores-Fiscais do Trabalho constataram uma série de irregularidades nas condições de trabalho e moradia oferecidas aos empregados. Entre os problemas identificados estavam alojamento sem condições adequadas de habitação, ausência de estrutura básica, falta de medidas de saúde e segurança e descumprimento de obrigações trabalhistas.

O local utilizado como moradia pelos trabalhadores apresentava condições consideradas inadequadas para ocupação humana. O alojamento era uma construção de pau a pique, com piso de terra batida, sem forro, com paredes deterioradas e sem vedação suficiente para garantir segurança e isolamento térmico, ambiental ou acústico.

A fiscalização também verificou instalações elétricas precárias, com risco de choque, explosão e incêndio. A situação era agravada pelo armazenamento de combustível no mesmo ambiente onde os trabalhadores dormiam. O espaço ainda era utilizado para guardar ferramentas de trabalho, produtos químicos tóxicos e abrigar animais de diferentes espécies.

Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, não havia camas nem armários para que os trabalhadores pudessem guardar seus pertences pessoais. O botijão de gás estava instalado dentro da cozinha, próximo ao fogão e sob uma mesa de madeira, aumentando o risco de incêndio. O fogão utilizado no preparo dos alimentos também não possuía chaminé, fazendo com que a fumaça permanecesse concentrada no ambiente.

Além dos problemas estruturais, a fiscalização encontrou condições precárias de subsistência. Os trabalhadores enfrentavam insegurança alimentar e hídrica, com fornecimento de alimentos em estado de deterioração e ausência de local adequado para armazenamento e conservação.

Também foi constatada a falta de saneamento básico. Os trabalhadores não tinham acesso a água encanada, pia, chuveiro ou descarga sanitária. A água utilizada era armazenada a céu aberto, sem tratamento, em recipientes onde havia presença de animais vivos e em decomposição.

A inspeção identificou ainda a ausência de registro dos contratos de trabalho em Carteira de Trabalho, exames ocupacionais, treinamentos básicos de segurança, fornecimento de equipamentos de proteção individual e medidas adequadas para atendimento em casos de acidentes.

Após a análise das condições encontradas no local e nas frentes de trabalho, os Auditores-Fiscais do Trabalho caracterizaram a submissão dos quatro trabalhadores à condição análoga à de escravo, conforme previsto no artigo 149 do Código Penal, na modalidade de condições degradantes de trabalho.

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