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Associações de imprensa criticam ordens judiciais envolvendo fonte do jornalista Luís Pablo

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) manifestaram “profunda preocupação” com o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra o ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão Raimundo Cutrim.

Em nota conjunta divulgada nesta terça-feira (11), as entidades defenderam a proteção do sigilo da fonte jornalística e afirmaram que medidas judiciais que violem essa garantia ameaçam a liberdade de imprensa.

Cutrim é apontado como fonte do jornalista Luís Pablo, que divulgou em seu blog informações sobre o suposto uso de veículos do Tribunal de Justiça do Estado por familiares do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entidades defendem sigilo da fonte

Na manifestação, ABERT, ANJ e ANER afirmaram que ações judiciais que resultem na quebra do sigilo da fonte não encontram amparo constitucional. As entidades citaram o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição, que resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.

A nota também sustenta que questionamentos relacionados a reportagens devem ser tratados pelos instrumentos previstos em lei, como direito de resposta e indenizações.

Para as associações, a violação do sigilo de jornalistas e de suas fontes pode provocar intimidações contra a imprensa e não é compatível com o livre exercício do jornalismo.

Busca contra Raimundo Cutrim

A operação contra Cutrim foi solicitada pela Polícia Federal (PF), autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a PF, Cutrim teria utilizado o cargo público para obter informações e imagens dos veículos posteriormente divulgadas por Luís Pablo. Os dados teriam sido retirados de sistemas com acesso controlado.

Em março, o próprio jornalista foi alvo de busca e apreensão. De acordo com a PF, o celular e o computador dele foram apreendidos e forneceram indícios contra Cutrim e um advogado ligado ao jornalista.

Os investigadores também informaram ter encontrado conversas entre Luís Pablo e Diogo Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís, além de uma transferência bancária de R$ 100 mil em benefício do jornalista.

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