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Prefeito de Campestre ameaça cortes em serviços públicos após derrota de Flávio Bolsonaro

O prefeito de Campestre do Maranhão (MA), Fernando Bermuda (Republicanos), que ameaçou demitir servidores que não votassem em Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições deste ano, agora fala em uma possível redução, e até mesmo interrupção nos serviços públicos do município devido a derrota do senador e de políticos de direita no pleito.

A manifestação consta em um vídeo divulgado pelo prefeito em grupos da cidade, ao qual o Metrópoles teve acesso.

Nele, Fernando faz uma longa reflexão após as eleições de 2026, e diz estar “lambendo as feridas, tentando sara-las”.

“A população que votou nos outros [candidatos], quando chegar no hospital, lembre-se: se faltar algum recurso, faltar remédio, médico, [sic] algum buraco na rua, o que faltar de serviços públicos, foi o seu voto que contribuiu para isso”, disse Bermuda em um vídeo após o segundo turno do pleito em que Lula (PT) saiu vitorioso.

Prefeito fala em perda de apoio parlamentar
No vídeo, o prefeito reforçou o argumento e disse que o município deixou de receber investimentos de deputados aliados. Segundo ele, a saúde será a mais afetada.

“Não vou conseguir fazer show. A parte da saúde é onde será mais afetada, porque o recurso que vem não dá para cobrir o que eu faço”, afirmou.

Bermuda citou que ampliou a rede desde 2021, quando assumiu com atendimento duas vezes por semana, para o funcionamento 24 horas e oito ambulâncias, mas que os repasses atuais não cobririam a estrutura.

Discurso contrasta com dados e urnas

O argumento de perda de apoio contrasta com dois pontos.

Primeiro, com o resultado eleitoral. Isso porque dois nomes apoiados por Bermuda em Campestre foram eleitos com votações históricas. Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) foi reeleito deputado federal com 188.853 votos, o mais votado do Maranhão para a Câmara. Paulo Casé Fernandes foi eleito deputado estadual com 95.608 votos, o mais votado do União Brasil no estado.

Segundo, com os repasses federais.

Dados do Portal da Transparência mostram que Campestre do Maranhão recebeu R$ 41,40 milhões diretamente nos cofres do estado em 2026 para serviços e administração, além de R$ 17,71 milhões pagos diretamente à população via programas sociais, como o Bolsa Família.

Na mensagens reveladas pelo Metrópoles no dia 7 de agosto, ele associou a continuidade de ações da administração à eleição de candidatos de sua preferência. Naquele mês, pediu apoio a aliados para garantir recursos ao município.

Prefeitura nega boicote à saúde

Em nota ao Metrópoles, a prefeitura disse que não pretende suspender os atendimentos especializados, mas estuda uma “readequação temporária” por causa da disponibilidade orçamentária e de incertezas sobre os recursos de 2027.

A proposta é reorganizar consultas, procedimentos e especialidades, priorizando o essencial para garantir o atendimento até o fim de 2026.

A gestão alegou que os repasses federais da Média e Alta Complexidade (MAC) são insuficientes e que depende de emendas parlamentares para manter os serviços.

Confira nota da prefeitura na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA

A Prefeitura de Campestre do Maranhão esclarece que não há intenção de suspender os serviços de atendimento especializado oferecidos à população. O que está sendo avaliado é uma readequação temporária da oferta de serviços, considerando a disponibilidade orçamentária atual e as incertezas em relação aos recursos previstos para 2027.

A medida busca ajustar o quantitativo de atendimentos e procedimentos, bem como reorganizar a oferta de especialidades, priorizando as demandas mais essenciais e garantindo a continuidade da assistência até o final de 2026.

É importante destacar que os recursos federais destinados à Média e Alta Complexidade (MAC) ainda são insuficientes para atender integralmente às necessidades do município, tornando necessária a complementação por meio de emendas parlamentares e outras fontes de financiamento.

A prioridade da gestão é preservar os serviços, manter a qualidade da assistência e assegurar que a população continue tendo acesso aos atendimentos, com responsabilidade na aplicação dos recursos públicos e planejamento diante do cenário orçamentário futuro.

Do Metrópoles

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