Durante a operação Fundo Oculto, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 21,7 mil em espécie na residência de um dos investigados por desviar quase R$ 10 milhões para financiar campanha eleitoral no Maranhão.
O valor foi encontrado em uma gaveta de um cômodo da casa do alvo.
As investigações identificaram um esquema que utilizava empresas detentoras de contratos com prefeituras maranhenses para canalizar recursos públicos que, logo após o crédito nas contas empresariais, eram convertidos em espécie. Os dois grupos operavam com o auxílio de um funcionário de um banco em São Luís.
A apuração revelou que o fluxo financeiro atingiu picos nas semanas imediatamente anteriores ao pleito, com movimentações atípicas que totalizaram quase R$ 10 milhões. Apenas em um dos núcleos investigados, os valores movimentados para repasses ilícitos somaram, aproximadamente, R$ 2 milhões.
As evidências indicam que os recursos eram sacados das contas das empresas e depositados em contas de laranjas. Também foram identificadas planilhas informais de “caixa dois” e arquivos que tratavam explicitamente da logística de entrega de valores e do monitoramento da presença policial nas imediações do banco.
Até o momento, foram identificados 15 candidatos beneficiados diretamente pelo esquema ou destinatários de tratativas de repasses ilícitos. Os repasses eram pulverizados entre servidores.
Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, além do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, do afastamento de um funcionário público e do sequestro de bens no valor de R$ 4 milhões. As medidas visam identificar a extensão do esquema criminoso, recuperar ativos desviados e interromper a continuidade das práticas ilícitas.
Os investigados poderão ser indiciados pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, de lavagem de dinheiro, de organização criminosa, de corrupção ativa e passiva, de desvio de recursos públicos, bem como outros crimes contra a Administração Pública.
