O deputado federal e presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry, vem pregando um discurso contra o que chama de “oligarquia”, “coronelismo” e “política familiar” do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB). Entretanto, na prática, faz exatamente aquilo que tanto critica.
Ao indicar sua esposa, Joslene Rodrigues, como primeira suplente da senadora Eliziane Gama, Jerry entrega um exemplo claro de que o discurso muda quando os interesses lhe convém.
A contradição ficou ainda mais evidente após o dirigente municipal do PCdoB, Odair José Neves, revelar que sua indicação para a suplência foi rejeitada pela direção estadual do partido, comandada por Márcio Jerry.
Em publicação nas redes sociais, Odair tornou público o resultado da reunião. “Em reunião nesta quarta-feira, 29, a direção estadual do PCdoB decidiu negar minha indicação para suplente de senador, decidiu manter a indicação de Joslene Rodrigues.”
A convenção do PCdoB acontece nesta sexta-feira (31), quando o dirigente informou que levará o tema para análise dos convencionais, um dia antes da convenção da coligação que oficializará a chapa de Eliziane Gama.
Durante todo o embate político com o grupo do governador Carlos Brandão, Jerry adota um discurso duro contra a participação de familiares em espaços de poder. Durante entrevista ao podcast O que pequeno, ele reforçou essa tese, que classifica como nepotismo político.
“Olha o desacerto político do Brandão é assim uma coisa que chama a atenção, inclusive no Brasil, eu ouço muito isso em Brasília. O sujeito pegou um time unido, forte, amplo, com perspectiva de futuro e jogou tudo isso fora para dizer: aqui tem que ser no coronelismo das antigas, quem manda é familiarmente e quem vai para candidato vai ser o meu sobrinho. Até o presidente Lula disse a ele: ‘Rapaz, esse negócio de botar sobrinho para ser candidato a governador não dá certo’.”
Ao indicar e manter sua esposa como primeira suplente de Eliziane Gama, Márcio Jerry acaba atingido pelo mesmo tipo de crítica que vem dirigindo ao governador Carlos Brandão: a de que, quando o assunto é dividir espaços de poder, o discurso contra as oligarquias termina onde começam os interesses da própria família.
