A deputada federal Maria Deusdete Lima Cunha Rodrigues, conhecida como Detinha (PL), está no bojo de uma ação penal que apura um suposto esquema de compra de votos durante as eleições municipais de 2024 em Centro do Guilherme, no Maranhão.
A informação foi publicada pela Folha do Maranhão e confirmada pelo Blog do Neto Ferreira.
A ação penal teve origem em investigação conduzida pela Polícia Federal e em denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral. De acordo com a acusação, durante as eleições de 2024, eleitores teriam recebido valores em troca de apoio político.
Em razão disso, a Justiça Eleitoral determinou o desmembramento da ação e colocou Detinha no como investigada em um processo separado.
Os autos tramitam na 101ª Zona Eleitoral de Governador Nunes Freire. O processo original também envolve Laexandro Cardoso da Conceição, conhecido como Alex da Pesca, e Laricélia Santos Costa.
A separação do processo não representa uma nova denúncia ou uma nova investigação. A medida foi adotada pela Justiça Eleitoral para permitir o andamento da ação em relação aos demais acusados, após dificuldades para localizar a deputada no endereço informado no município de Centro do Guilherme.
Segundo a decisão, Detinha possui endereço funcional público na Câmara dos Deputados, em Brasília. Para evitar que as tentativas de citação da parlamentar interferissem no andamento do processo envolvendo os outros acusados, a Justiça determinou o desmembramento.
A deputada é apontada na denúncia como suposta articuladora do esquema. Conforme o Ministério Público Eleitoral, os valores teriam sido oferecidos em nome da deputada, enquanto Alex da Pesca teria atuado na abordagem de eleitores e na entrega do dinheiro.
Depoimentos reunidos durante a investigação mencionam ofertas individuais entre R$ 200 e R$ 500. O relatório policial também registra imagens de quantias de R$ 4 mil e R$ 5 mil relacionadas à apuração.
Em depoimento, Alex da Pesca confirmou ter realizado entregas de dinheiro, mas afirmou que os pagamentos seriam referentes a uma suposta ajuda de custo ou à remuneração por serviços de capina e limpeza. O Ministério Público Eleitoral apresentou entendimento diferente e considerou que os relatos reunidos na investigação indicariam relação dos pagamentos com o período eleitoral.
A investigação também apurou uma possível tentativa de pressionar pessoas que teriam denunciado o caso. Laricélia Santos Costa é acusada de tentar convencer eleitores e testemunhas a gravar vídeos de retratação e modificar declarações prestadas anteriormente.
O relatório final da Polícia Federal informa que a investigação foi concluída no fim de abril. Não houve apreensão de dinheiro ou de outros bens relacionados aos fatos investigados. O equipamento que teria armazenado imagens e conversas mencionadas no processo também não foi localizado, segundo os depoimentos, porque teria sido descartado após apresentar problemas.
Mesmo sem a apreensão dos valores e sem acesso ao equipamento, o Ministério Público Eleitoral considerou que os depoimentos e demais elementos reunidos durante a investigação eram suficientes para o oferecimento da denúncia. A Justiça Eleitoral recebeu a denúncia no fim de maio.
Com o desmembramento, Alex da Pesca e Laricélia continuam respondendo no processo original, enquanto Detinha passa a responder em uma ação penal separada.
