Depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) ficará sem um cargo público e sem foro privilegiado a partir de 2027. Será a primeira vez em 24 anos, desde 2002, que o político bolsonarista não terá um cargo público.
Atualmente, Flávio é senador pelo Rio de Janeiro. Seu mandato termina em fevereiro de 2027, quando os novos eleitos tomam posse no Senado.
O senador entrou para a vida pública em 2003, após disputar e ser eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, aos 21 anos. Sua carreira política inclui as seguintes vitórias:
2002: eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PPB;
2006: eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PP;
2010: eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PP;
2014: eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PP; e
2018: eleito senador federal pelo PSL.
Flávio também tentou ser prefeito do Rio de Janeiro em 2016, mas foi derrotado. Dez anos depois, o herdeiro de Jair Bolsonaro sofre uma nova derrota.
Às 21h08, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 97% das urnas já tinham sido apuradas, confirmou a vitória de Lula. Ao fim, com 100% das urnas apuradas, Flávio conseguiu 59,8 milhões de votos (48,21% do total), enquanto Lula teve 64,3 milhões de votos (51,79%).
Perda do foro privilegiado
Como senador da República, Flávio terá foro privilegiado até fevereiro de 2027. Depois disso, o político volta a poder ser investigado e processado pela primeira instância, ou seja, a justiça comum.
No entanto, as investigações nas quais Flávio já é investigado formalmente devem permanecer no Supremo Tribunal Federal.
Isso porque, em 2025, o Supremo definiu que crimes praticados no cargo e em razão das funções continuam sendo julgados pelos tribunais superiores, mesmo depois de o político deixar o cargo.
oro privilegiado é como é chamada a regra que define quais tribunais tem o direito de julgar certos políticos no Brasil em razão da importância do cargo que ocupam. A ideia é que autoridades sejam julgadas por Cortes Superiores e não por um juiz de primeira instância, e evitar, assim, potenciais perseguições.
Flávio Bolsonaro é formalmente investigado em dois casos que correm no Supremo Tribunal Federal. O primeiro deles é sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Menos de seis meses depois de anunciar sua pré-candidatura, o portal The Intercept revelou áudios e mensagens mostrando que Flávio negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o pagamento de R$ 130 milhões como investimento no filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.
“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. […] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?”, disse Flávio em uma das conversas.
Já a segunda investigação tem ligação com o advogado Willer Tomaz. Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária do advogado, que é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. A informação está em troca de e-mails localizada pela Polícia Federal (PF).
Para a PF, o cadastro dava a Flávio “acesso operacional relevante” à conta bancária e “sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”.
