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Davizinho pode ter mentido sobre a duplicação da BR-010

Do Atual7

O deputado federal pelo Maranhão Davi Alves Silva Júnior, o Davizinho (PR/MA), pode ter mentido ao atribuir para si a ‘paternidade’ da duplicação da BR-010, conhecida popularmente como Belém-Brasília, no perímetro urbano do município de Imperatriz.

Na semana passada, Davi Júnior utilizou a sua página pessoal no Facebook para lamentar publicações de blogs da cidade beneficiada com a obra, que davam créditos ao também deputado federal maranhense Francisco Escórcio, o Chiquinho (PMDB/MA), pelo empenho junto à presidente Dilma Rousseff (PT) pela autorização da revitalização da rodovia.

Na briga do teste de DNA entre os parlamentares, Chiquinho está ganhando. Em documentos obtidos pela reportagem do Atual7, Escórcio é quem aparece como o ‘pai da criança’.

Em fevereiro de 2011, Maurício Pereira Malta, chefe da Assessoria Parlamentar do Dnit, em resposta à Francisco Escórcio, diz que o deputado havia solicitado informações, bem como a adoção das medidas necessárias para o início das obras na BR-010. Meses depois, Malta voltou a se reportar a Chiquinho, após constantes cobranças do parlamentar sobre a previsão de início da ampliação da Belém-Brasília.

m ofício encaminhado ao diretor-geral do Dnit, Escórcio faz alusão à conversa que Sarney teve com Dilma, que o teria encaminhado à Mirian Belchior. Foto: Reprodução
m ofício encaminhado ao diretor-geral do Dnit, Escórcio faz alusão à conversa que Sarney teve com Dilma, que o teria encaminhado à Mirian Belchior. Foto: Reprodução
No início de abril deste ano, o senador José Sarney (PMDB/MA) encaminhou ofício à ministra Mirian Belchior (Planejamento, Orçamento e Gestão), dando conta de uma conversa mantida com Dilma sobre a duplicação da BR-010.

Segundo Sarney, a presidente teria manifestado apoio à execução do empreendimento. No mesmo documento, o senador solicita de Mirian Belchior tomasse providências que levassem à ampliação da rodovia. Até então, Dilma nunca desmentiu a conversa.

Dois dias depois, Francisco Escórcio encaminhou ao diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Jorge Ernesto Pinto Fraxe, ofício em que aponta a mediação em conjunto dele e do prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira (PSDB), pela liberação dos recursos.

No ofício, o peemedebista afirma ainda que Dilma teria dado sinal positivo de inclusão da revitalização da BR-010 nas obras do PAC/2013, e que teria tomado todas as providências para a realização da empreitada, conforme as orientações do diretor-geral do Dnit.

Em outubro do ano passado, Escórcio e Madeira chegaram a ser reunir com Jorge Fraxe para tratarem da rodovia. Para justificar a urgência da obra, eles entregaram ao diretor-geral do Dnit um documento com imagens aéreas da BR-010, que apresenta diversos problemas de infraestrutura e é sinônimo de risco constante para as pessoas que transitam pelas vias. Na época, fotos da reunião foram amplamente divulgadas, para comprovar o empenho do deputado peemedebista pela autorização da obra.

Já que até o momento – além das informações divulgas em seu próprio site e da lamentação no Facebook – apenas alguns vídeos em que Davizinho faz ‘negociata’ com o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, mostram a luta do parlamentar pela revitalização da rodovia, ele pode ter mentido na postagem do Facebook. A reportagem do Atual7 chegou a entrar em contato com Davi Júnior, solicitando documentos que comprovem seu empenho pela BR-010.

No final da tarde desta quinta-feira (13), para justificar a ‘paternidade’ da obra, Davizinho voltou a usar o Facebook, postando um documento em que o Dnit solicita ao secretário de Planejamento Urbano e Meio Ambiente e Recursos Naturais de Imperatriz, José Vasconcelos, as licenças ambientas para duplicação da Belém-Brasília, no eixo de Imperatriz.

Documento do Dnit postado no Facebook não comprava a mediação de Davi Júnior na revitalização da rodovia. Foto: Reprodução / Facebook
Documento do Dnit postado no Facebook não comprava a mediação de Davi Júnior na revitalização da rodovia. Foto: Reprodução / Facebook
‘Agora cabe ao prefeito Madeira constituir a força-tarefa’, argumentou Davi Júnior, na rede social. O documento, no entanto, não cita o nome do deputado como responsável pela solicitação.

O prefeito Sebastião Madeira, que – segundo Davizinho – ficou de criar uma força tarefa para estudar a liberação da licença ambiental pela Secretaria de Meio Ambiente do município para que a obra da BR-010 entre em processo de licitação, também foi procurado pela reportagem, mas ainda não se manifestou sobre o assunto.

Desconfiada, a população de Imperatriz começa a acreditar que o projeto, orçado em mais de R$ 200 milhões, nunca vai sair do papel, e que a garantia de diminuição do alto número de acidentes e o desenvolvimento do fluxo denso da rodovia não passa de obra eleitoreira.

Até hoje, a única ‘prova concreta’ de que a Belém-Brasília pode ser realmente duplicada é uma maquete da obra que, logo após as eleições de 2010, ficou abandona em um galpão.

One thought on “Davizinho pode ter mentido sobre a duplicação da BR-010

  1. Bom, é muito simples, é só observar quem enviou os recursos de emendas parlamentares para o estudo da obra, para a elaboração do projeto, será que o povo de imperatriz tem memória tão curta que não se lembra que quando os engenheiros estavam fazendo toda a medição na cidade para a elaboração do Projeto, este senhor (Francisco Escórcio) nem sabia que obra era essa, e agora ele tenta se aproveitar dando uma de salvador da pátria, querendo tirar vantagem pessoal, o que tem sido recorrente por toda a carreira deste senhor. Hoje não tenho ligação alguma com o Davizinho, mas na época da elaboração do projeto executivo da obra eu estava presente e testemunhei parte do processo e de como essa obrar era (e acredito que ainda seja) importante para ele, e sei o quanto ela é importante para Imperatriz, cidade que já tive o prazer de morar um dia. Quero deixar bem claro que não tenho partido político, e nem voto no Maranhão, e não sei sobre as demais ações do Davizinho, pois moro em Brasília há 13 anos, e já fazem 3 anos que nem sequer o vejo, mas não suporto presenciar injustiças.

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