Na política, ninguém chega longe sozinho. Em Imperatriz, a vitória de Rildo Amaral não pode ser analisada sem considerar o peso do grupo político liderado pelo governador Carlos Brandão. O Governo do Estado intensificou investimentos, entregou obras, levou asfalto e participou ativamente da construção de um ambiente político favorável que fortaleceu a candidatura do então deputado estadual.
Agora, quando chega o momento de demonstrar lealdade política, o prefeito escolhe o silêncio.
Questionado por jornalistas sobre quem apoiará para o Governo do Maranhão, Rildo Amaral foge da resposta, desconversa e evita declarar apoio a Orleans Brandão, justamente o nome apoiado pelo governador que esteve ao seu lado durante a campanha em Imperatriz.
A postura causa estranheza. Mais do que isso, transmite a impressão de que, depois de alcançar o objetivo de chegar à Prefeitura, o apoio recebido perdeu importância. A política exige coerência. Quem aceita caminhar ao lado de um grupo para conquistar uma eleição dificilmente escapa de cobranças quando chega a hora de retribuir essa parceria.
O distanciamento fica ainda mais evidente na disputa pelo Senado. Em vez de apoiar Weverton Rocha, candidato respaldado pelo grupo de Carlos Brandão, Rildo decidiu seguir outro caminho, apoiando André Fufuca e Eliziane Gama. No entanto, Rildo justificará que Fufuca e Eliziane já enviaram recursos de suas emendas parlamentares para ajudar Imperatriz.
Na prática, o prefeito envia um recado claro: prefere manter as portas abertas para outros projetos políticos enquanto evita assumir compromisso com quem esteve ao seu lado na eleição municipal. Ao não se manifestar publicamente pela sua preferência ao pré-candidato ao governo, Rildo demonstra claramente que não deve favor ou muito menos gratidão para o governador Brandão
Silêncio, na política, também é uma escolha. E muitas vezes diz mais do que um discurso. Ao permanecer em cima do muro diante da sucessão estadual, Rildo Amaral alimenta dúvidas sobre sua lealdade política e abre espaço para críticas de que a gratidão durou apenas até o fim da campanha eleitoral.
O eleitor acompanha. E a história costuma registrar não apenas quem estendeu a mão, mas também quem resolveu soltá-la quando o cenário mudou e no final essa postura cria uma mancha terrível para a imagem de Rildo Amaral.
