Política

Lobão foi sócio do pai de André Serwy, acusado de receber propina da UTC

Senador Edison Lobão.

Senador Edison Lobão.

O senador Edison Lobão (PMDB-MA) foi sócio de pai de operador de propina citado por dono da UTC. Em depoimento sob acordo delação premiada, o empreiteiro Ricardo Pessoa afirmou que o peemedebista orientou que ele pagasse R$ 1 milhão desviado das obras de Angra 3 ao empresário André Serwy, filho de Aloysio Serwy, sócio de Lobão na Arco S/A.

O Estado obteve a trechos do inquérito sobre irregularidades na usina nuclear de Angra 3. No material, consta “uma informação policial” que detalha indícios do vínculo empresarial entre Lobão, Aloysio e André Serwy. Procurado pela reportagem na quinta-feira passada, o senador confirmou que foi sócio da Arco S/A antes de ingressar na política.

“Foi uma participação muito pequena, quase ínfima, há muito tempo atrás. Aloysio era meu amigo e eu fiz isso (fiquei sócio) para ajudá-lo naquela época. Depois eu saí da empresa”, disse Lobão. O senador não nega que mantenha amizade com a família Serwy. “Eu e Aloysio trabalhamos juntos logo quando me mudei para Brasília”, disse.

Sobre as declarações de Pessoa sobre pagamento de propina por intermédio de André, Lobão não quis se manifestar e pediu que a reportagem procurasse seu advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. “Negamos essa versão do Ricardo Pessoa. Ele é confuso”, disse o advogado. “Essas delações todas são muito frágeis”, afirmou.

Na semana passada, Lobão foi um dos alvos da Operação Catilinárias, desdobramento da Lava Jato que realizou uma série de ações de busca e apreensão em residências de políticos em Brasília. Na casa do senador, a Polícia Federal recolheu papéis e documentos que deverão subsidiar as investigações sobre a participação dele no esquema em Angra 3.

No inquérito, há a reprodução de uma ata da Assembleia Geral Extraordinária da empresa com data de 4 de julho de 1977. “Encontramos dentre os acionistas da Arco S/A Comércio e Indústria o nome Edson Lobão. É possível que se trate do senador Edison Lobão. Notem que naquela época o diretor-presidente era Aloysio Serwy”, diz o documento. A declaração de Lobão ao Estado desfez essa dúvida.

A ligação entre os Serwy e Lobão aparece no depoimento que Ricardo Pessoa prestou em maio deste ano ao Ministério Público Federal. Segundo o dono da UTC, Lobão pediu um porcentual entre 1% e 2% do valor do contrato das obras de Angra 3. O valor máximo estimado foi de R$ 30 milhões, que seriam utilizados pelo PMDB na campanha de 2014. Na oportunidade, Lobão era ministro de Minas e Energia.

“Olha, nós temos que assinar esse contrato, porque o PMDB está precisando de dinheiro para a campanha”, disse Lobão, segundo Pessoa. “Mas a gente nem assinou contrato”, reclamou o empreiteiro. Então, Edison Lobão teria pedido um adiantamento de R$ 1 milhão e recomendou que o empreiteiro procurasse André Serwy para fazer o pagamento.

Ainda no depoimento de Pessoa, ele descreve André “como uma pessoa próxima de Lobão” e que ele dava ao ministro o tratamento de “meu tio”. O dono da UTC ainda ressalta que André “é filho de Aloysio Serwy, amigo e sócio de Edison Lobão na empresa Arco S/A Comércio e Indústria”. Pessoa diz que o R$ 1 milhão foi pago em três parcelas. O montante fora retirado do “caixa 2 da UTC”, coordenado pelo doleiro Alberto Youssef, um dos primeiros delatores da Operação Lava Jato.

Com informações do Estadão


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Lobão fechou diretamente sobre propina de R$ 1 milhão, diz deltador

Senador Edison Lobão.

Senador Edison Lobão.

O dono das construtoras UTC e Constran, Ricardo Pessoa, disse em sua delação premiada que fechou diretamente com o senador Edison Lobão (PMDB-MA) o repasse de R$ 1 milhão em propinas e que o acerto, segundo ele, incluía atender com atenção especial a pedidos de doação eleitoral feitos pela cúpula do PMDB no Senado. Lobão era ministro de Minas e Energia e, conforme Pessoa, a suposta propina milionária serviria para garantir contratos de consórcio integrado pela UTC nas obras da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ).

Um consórcio formado por UTC, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht — todas investigadas na Operação Lava-Jato e suspeitas de integrarem o “clube do cartel” — executa as obras. O grupo venceu uma concorrência no fim de 2013 para obras em Angra 3, no valor de R$ 3,1 bilhões. Por ter saído vencedor, o consórcio optou por um pacote de obras que inclui edificações não nucleares, no valor de R$ 1,75 bilhão.

Com o êxito da contratação, o dono da UTC disse ter interpretado que o acordo da suposta propina a Lobão deveria estender benefícios aos caciques do PMDB no Senado. Os registros das doações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) corroboram o que Pessoa afirmou na delação. A direção do PMDB em Alagoas, controlada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu um repasse da UTC de R$ 500 mil em agosto e outro de R$ 500 mil em setembro de 2014. O filho de Renan, Renan Filho (PMDB), foi eleito governador de Alagoas. Já a direção do PMDB de Roraima — controlado pelo senador Romero Jucá — foi financiada com três repasses de R$ 1,5 milhão ao todo, também em agosto e setembro de 2014. A direção do PMDB na Bahia ganhou R$ 300 mil da UTC, conforme os registros do TSE, e a direção nacional do partido, mais R$ 500 mil.

Ainda conforme a delação, Pessoa afirmou que repassaria às demais empreiteiras do consórcio a necessidade de ratear a suposta propina a Lobão e de dar atenção especial a doações aos demais representantes do PMDB no Senado. Pessoa enxergava em obras de usinas nucleares um filão para garantir à UTC a presença no grupo das maiores empreiteiras do país. Na delação, ele citou outros pagamentos para a participação em Angra 3: o advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, recebeu R$ 50 mil mensais para influir em processos do tribunal, mais R$ 1 milhão sobre um processo de Angra 3, conforme o empreiteiro.

O advogado de Lobão, Antonio Carlos de Almeida, diz que “delações em série perderam a confiança”. Segundo ele, depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa já se contradiziam sobre um suposto repasse de R$ 1 milhão em propina.

Jucá disse ao GLOBO não saber o que Lobão e Pessoa trataram sobre doações ao PMDB. (O Globo)


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