Política

Delação de Cerveró cita Lula e Renan Calheiros

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Em um dos depoimentos que prestou à Procuradoria Geral da República (PGR), no acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró relatou casos de propina envolvendo a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. No documento, Cerveró aponta que teve reuniões com vários políticos para tratar da distribuição de dinheiro ilegal.

Cerveró foi diretor da área internacional da Petrobras até 2008, quando foi exonerado do cargo. Funcionário de carreira da estatal, ele acabou ocupando, entre 2008 e 2014, a diretoria financeira da BR Distribuidora. Durante todo esse tempo, teria ajudado empresas a firmarem contratos fraudados com a Petrobras. No depoimento, ele cita os nomes do ex-presidente Lula, dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Fernando Collor (PTB-AL) e Delcídio do Amaral (PT-MS) e do deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP), além da presidente Dilma Rousseff (PT).

Veja ponto a ponto cada item da delação de Nestor Cerveró.

Lula
Segundo Cerveró, a indicação dele para o cargo na BR Distribuidora foi feita pelo próprio ex-presidente. O novo cargo seria uma espécie de retribuição, por Cerveró ter ajudado o Grupo Schain a fechar um contrato de mais de R$ 1 bilhão com a Petrobras, quando o ex-diretor ainda ocupava a diretoria internacional da estatal. Para Cerveró, Lula se sentia agradecido pelo trabalho feito por ele no negócio.

O aluguel do navio seria uma forma de compensar a Schain por um empréstimo feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai, no valor de R$ 12 milhões. O valor nunca foi pago ao Banco Schain.

O caso gerou a prisão de Bumlai, que já responde a processo relativo a isso. Em depoimento, o empresário confirmou que usou o dinheiro para repassar ao Partido dos Trabalhadores, para pagar dívidas de campanha, mas isentou o presidente Lula de participação no caso. Ele disse que Lula nunca soube de nada.

Cerveró ainda disse que Lula concedeu espaço para que o senador Fernando Collor pudesse ter influência para indicar diretores da BR Distribuidora. O ex-presidente nega as acusações.

Parlamentares
O ex-diretor detalhou as atribuições de cada área da BR Distribuidora, na arrecadação de propinas para políticos. Cerveró explicou que, durante o governo Lula, cabia à diretoria financeira, ocupada por ele, arrecadar dinheiro de propina para o PT e para o PMDB, mais especificamente para Renan Calheiros e Delcídio do Amaral. Cabia ainda à área atender pedidos de Fernando Collor e de Cândido Vacarezza.

Segundo Cerveró, a diretoria de mercado consumidor era indicação do PT. A propina arrecadada ali seria distribuída para parte da bancada petista na Câmara dos Deputados. Já as diretorias de operação e logística e rede de postos de serviço era indicação de Collor. Sendo assim, o dinheiro arrecadado ficaria com o senador.

A distribuição das tarefas teria sido explicitada pelo presidente da BR Distribuidora, José de Lima Andrade Neto, indicado pelo então ministro de Minas e Energia, o senador Edison Lobão (PMDB-MA).

Renan Calheiros

Cerveró disse que, em 2012, foi chamado para uma reunião no gabinete de Renan Calheiros. Na ocasião, o senador lhe cobrou sobre o repasse de propina, mas Cerveró afirmou que não estava arrecadando nada naquela ocasião. Calheiros teria dito que tiraria o apoio político para manter Cerveró no cargo.

Dilma Rousseff
A declaração de Cerveró sobre a presidente é indireta. O único momento em que fala da presidente é quando cita o que Collor lhe teria dito no encontro, sobre o poder de indicar quem quisesse para os cargos mais altos da BR Distribuidora.

Do G1


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Poder

Lula será investigado por tráfico de influência

Do G1, em Brasília

Lula, ex-presidente.

Lula, ex-presidente.

A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu inquérito para investigar suposto tráfico de influência internacional do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para favorecer a construtora Odebrecht, uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato. Após uma apuração preliminar, deflagrada depois de ter sido protocolada no MPF uma representação apontando suspostas irregurilaridades cometidas pelo ex-presidente, os procuradores da República disseram ter identificado indícios suficientes para investigá-lo.

Além de abrir o inquérito, o MPF do Distrito Federal solicitou o compartilhamento de provas da Lava Jato para incluir na investigação criminal envolvendo Lula. A apuração do petista está sob a responsabilidade do núcleo de combate à corrupção.

Ao G1, a assessoria do Instituto Lula informou que o ex-presidente não irá se manifestar sobre a abertura do inquérito.

Em maio, a revista Época revelou que o Ministério Público Federal no DF estava investigando o ex-presidente da República. Na ocasião, a reportagem reproduziu o pedido de apuração preliminar que citou “supostas vantagens econômicas” obtidas, direta ou indiretamente, por parte de Lula da Odebrecht entre 2011 a 2014.


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