Crime

Chefes do tráfico escapam de cerco policial na Camboa

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A polícia realizou ontem uma megaoperação nos apartamentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do bairro Camboa, conhecido como Carandiru, mas o principal objetivo não foi alcançado, já que não conseguiu prender os “cabeças” do tráfico de drogas e chefes de facções criminosas que residem no local, identificados como Valdirene Pereira, a Val, viúva do traficante Daniel Almeida dos Santos, o Danielzinho, e o homem conhecido como Leo Gordo.

Esses criminosos seriam os responsáveis pelo clima de terror no residencial, com a venda de entorpecentes, realização de tiroteio e até mesmo de expulsarem moradores que não aprovam as atividades do bando. Esse tipo de incursão policial vai ser desenvolvido ainda este ano em outros locais da capital dominados pelos criminosos.

O resultado da operação, que reuniu quase 1.000 policiais, 60 delegados e até o helicóptero do CTA , foi apresentado na tarde de ontem em coletiva na sede da Secretaria de Segurança Pública. Uma metralhadora de origem argentina, um revólver calibre 38 e duas pistolas, uma delas roubada da Polícia Civil de São Paulo, foram as armas apreendidas. Sete pessoas foram presas e cinco menores apreendidos.

Entre os detidos somente seis foram identificados, Jhennyfer Kerlem Pereira Viana, Carlos Mariano de Sousa Neto, Denes Alexsandro Silva Diniz, Denilson Oliveira Silva, William Cleyton Pinheiro e Adriano Ferreira Silva. A polícia também encontrou em um apartamento 1,5 kg de maconha pronto para ser comercializada.

Autuação

Segundo o delegado geral da Polícia Civil, Lawrence Melo, os detidos foram levados para a sede da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), no Bairro de Fátima, onde prestaram esclarecimentos, e logo depois foram encaminhados para a unidade prisional onde vão ficar presos à disposição do Poder Judiciário.

O titular da Seic, delegado Thiago Bardal, informou que todos os detidos foram autuados por organização criminosa, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de droga e corrupção de menor. A partir da prisão desses criminosos, foram identificados outros membros do bando, chefiados por Valdirene Pereira que ainda esta semana terão a sua prisão solicitada ao Poder Judiciário.

Também no local, foram apreendidas 15 aves e até mesmo um macaco sagui pelo Batalhão Ambiental da Polícia Militar. Esses animais serão devolvidos ainda esta semana ao seu ambiente natural. Explosão O comandante do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Célio Roberto, informou que em um dos apartamentos foi encontrada uma fábrica clandestina de detergente líquido, com armazenamento de material com alto poder explosivo.

Os bombeiros encontraram ainda um botijão de gás irregular e 1.695 litros de hipoclorito de sódio. Todo esse material foi apreendido e vai ser periciado pelos peritos do Instituto de Criminalística (Icrim). “Esse material apreendido tinha o poder de explodir todo o residencial”, afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros Militar.

O secretário de Segurança Pública, delegado Jefferson Portela, declarou que ainda ontem uma equipe da Secretaria das Cidades estava no local fazendo o mapeamento dos moradores, enquanto trabalhadores faziam a limpeza da área, principalmente a pintura dos muros para retirar a marca das facções criminosas.

Vingança

As ações criminosas no Residencial do PAC estavam sendo chefiadas por Valdirene Pereira, como forma de vingança da morte do traficante Daniel Almeida dos Santos, o Danielzinho, de 30 anos, que foi morto a tiros no dia 15 de dezembro do ano passado, nas proximidades de uma casa lotérica, na Avenida Colares Moreira, no Renascença.

Além dela, também funcionava como chefe o traficante Leo Gordo. Ainda segundo o delegado, essa onda de criminalidade ficou mais intensa depois da morte de Danielzinho e de outro criminoso identificado como Pinóquio, que era soldado do tráfico, assassinado no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no ano passado. Nessa localidade, começaram a ocorrer de forma diária tiroteios promovidos entre as facções criminosas rivais que tinham como alvo dominar o tráfico de droga na Ilha, principalmente nos bairros Liberdade e Camboa. Eles ainda são acusados de realizar assassinatos e expulsar vários moradores dos seus imóveis.

Do Estado


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