Crime

Cerca de 14 Vereadores de São Luís são suspeitos de agiotagem, diz Seic

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Segundo informações uma investigação comandada pelo delegado Augusto Barros, Superintendente Estadual de Investigações Criminais (Seic), apura irregularidades na concessão de empréstimos em esquema de agiotagem no Estado envolvendo pelo menos 14 vereadores da Câmara Municipal de São Luís. Os empréstimos podem ter movimentado cerca de R$ 30 milhões.

De acordo com informações, o delegado pediu já quebra de sigilo bancário de 13 pessoas, o que vai poder identificar quem faz parte do esquema.


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Poder

Deu no Globo: Vereadores de São Luis são suspeitos de agiotagem

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Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Maranhão apura o que pode ser um dos maiores esquemas de agiotagem no estado. O delegado responsável pelo inquérito, Augusto Barros, estima que as irregularidades na concessão de empréstimos podem ter movimentado cerca de R$ 30 milhões e envolvem pelo menos 14 vereadores da Câmara Municipal de São Luís. O número de políticos envolvidos, porém, pode subir e abranger até deputados estaduais.

O esquema estaria na ativa há anos. Segundo as investigações, funcionaria da seguinte forma: vereadores pediam empréstimos consignados a uma funcionária do Bradesco, banco que tem a conta oficial da Câmara Municipal. Para tanto, apresentavam nomes de funcionários do Legislativo. O dinheiro seria repassado para esses laranjas, mas eles não precisavam pagar. Os próprios vereadores se encarregavam de fazer os repasses para quitar os empréstimos.

No entanto, como a taxa de juros cobrada nos consignados é muito baixa, cerca de 2%, os vereadores aproveitavam o dinheiro barato para emprestar para terceiros, cobrando taxas muito maiores, de aproximadamente 7%. A diferença era o lucro do grupo.

Entre os suspeitos de integrar a quadrilha estão Isaías Pereirinha (PSL), que preside a Câmara Municipal de São Luís pela quinta vez, e seu vice, Astro de Ogum (PMN), amigo do senador José Sarney (PMDB-AP). Em artigo publicado recentemente no jornal da família, Sarney, um reconhecido supersticioso, agradeceu ao poder espiritual do vereador.

No início da semana passada, o juiz titular da 7ª Vara Criminal de São Luís, Fernando Luiz Mendes Cruz, decretou a prisão da ex-gerente do Bradesco Raimunda Célia Moraes da Silva Abreu, que está foragida. Raimunda seria a principal operadora do esquema, segundo a Polícia Civil.

A ex-gerente é considerada peça-chave para esclarecer a participação de cada um dos investigados. O advogado dela, José Cavalcante de Alencar Júnior, entrou com um habeas corpus para tentar livrá-la da prisão, mas, até sexta-feira, a Justiça não havia decidido sobre o pedido. O GLOBO entrou em contato com o escritório do advogado, mas a secretária informou que ele estava doente e não poderia atender.

— O esquema tem um potencial bombástico — disse o delegado Augusto Barros, que disse ao GLOBO que, apesar de os indícios apontarem para a participação de 14 vereadores, a investigação se estende sobre todos os 31 parlamentares da Câmara Municipal.

 

Há dois meses, Barros pediu a quebra de sigilo bancário de 13 pessoas, mas a Justiça do Maranhão ainda não se manifestou sobre o requerimento. Ele espera ter acesso aos dados bancários para fazer cruzamentos e identificar quem mais participaria do esquema.

O delegado afirmou que a agiotagem no Maranhão é um dos principais crimes, que gera até mortes. O jornalista Décio Sá, que mantinha um blog no qual atacava políticos e empresários, teria sido assassinado a mando de agiotas, em 2012. Em abril deste ano, a polícia prendeu quem acredita ser o mandante do assassinato: Gláucio Alencar, apontado como um dos maiores agiotas do estado.

— Foi a partir da investigação da morte do jornalista que evoluímos e chegamos a essa quadrilha que atua na Câmara de São Luís — afirmou o delegado Barros.

O GLOBO telefonou quatro vezes para a Câmara Municipal de São Luís para falar com o presidente e o vice da Casa, mas não foi atendido em nenhuma dessas ocasiões. O Bradesco informou apenas: “A senhora Raimunda não faz mais parte do quadro de funcionários do banco. O Bradesco esclarece que está acompanhando o assunto e não deve se pronunciar enquanto as denúncias não tiverem sido esclarecidas pelos órgãos competentes, por envolver questões que envolvem sigilo bancário”.


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