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Em aceno aos anos 90, Sarney Filho manda reinstalar fax em Ministério do Meio Ambiente

Folha de São Paulo

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No auge da popularidade dos aplicativos de troca de mensagens e dos e­mails criptografados, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV), recorreu a uma medida que causou estranheza: mandou reinstalar em áreas estratégicas da pasta outrora aposentados aparelhos de fax.

O ministro tem um à disposição em seu gabinete e há outros em diferentes departamentos do prédio. Para que as máquinas voltassem –elas estão em franco desuso desde o fim da década de 1990– foi necessário fazer intervenções no edifício e abertura de espaço para cabos.

A medida surpreendeu funcionários da pasta, não só pelo ar retrô, mas por soar estranho que justo o Ministério do Meio Ambiente passasse a utilizar aparelho de transmissão de mensagens que opera à base de papel. Há ainda o fato de que mensagens impressas em papel térmico –tipo utilizado nos fax– tendem a desbotar com o tempo e costumam durar cerca de cinco anos. Segundo relatos, o ministro faz questão de receber documentos pelo fax, por mais extensos que eles sejam.

Procurada para comentar a mudança, a assessoria de Sarney Filho inicialmente respondeu à Folha que a informação não procedia. Informada de que a reportagem tinha fotos que comprovavam a instalação dos aparelhos, reformulou a resposta. Segundo a assessora do ministro, há um aparelho na sala das secretárias dele, “que não tem sido usado”.

“Os outros [fax] vamos descobrir pelo seu texto.” Sarney Filho tem tido dificuldades em conciliar seu estilo ao dos funcionários de carreira do ministério. A associação de servidores questionou formalmente o loteamento político do órgão. Em resposta, o ministro argumentou que “o realinhamento de cargos atende, antes de mais nada, ao que considero necessário para o correto funcionamento do MMA”.

“O ministério não tem papel apenas técnico. Como os outros, tem também um papel político que, mal executado, trava a engrenagem.”

O ministro nomeou uma funcionária de sua confiança como chefe de gabinete, Diva Alves Carvalho. Os problemas começaram quando o marido de Diva, Eduardo Carneiro, passou a ocupar também o cargo de assessor especial de Sarney Filho.

E cresceram quando a irmã do marido de Diva também ganhou um cargo, dessa vez no gabinete do deputado que assumiu a cadeira que era de Sarney Filho na Câmara, Davi Júnior (PR­MA). “Todas as nomeações foram feitas dentro da legalidade”, respondeu a assessoria.

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