Poder

O julgador da Justiça

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Existem palavras que não combinam com quem as profere. São frases que quando ouço não consigo me calar. Vejam um exemplo:

Ontem enquanto a polícia republicana diligenciava no sentido de fazer cumprir mandados de prisão expedidos pela mais elevada instância da Justiça brasileira. Concomitante, ocorria um encontro do Partido Comunista do Brasil (PC do B), em sua saudação à presidente da República, talvez no afã de lhe agradar o presidente do partido saiu-se com essa: “julgo que no julgamento do mensalão não houve justiça”, me perdoem se erro alguma palavra, entendi que disse assim.

Como vivemos num país onde as instituições não se respeitam, a presidente simplesmente ignorou essas palavras e tratou foi de fazer sua campanha eleitoral. Estivéssemos nós noutro lugar a presidente da República teria admoestado e repreendido o insolente. Como ousa agredir, ainda que com palavras corteses uma instituição republicana justamente diante da mandatária maior da nação que em juramento solene de posse jurou defendê-las? Aqui as pessoas vão deixando passar, ignoram, fingem que não ouviram ou não se aperceberam da extensão das palavras.

Dizer que a mais alta instituição da justiça agiu com injustiça é um ataque à ordem vigente no país. Dizer isso na presença da presidente da República soa como uma afronta.

A coisa fica mais esquisita quando vemos quem promove o ataque, simplesmente o presidente de um partido que apoia formalmente as derradeiras ditaduras do mundo, a Coreia do Norte, Cuba, o regime venezuelano, o equatoriano. Todos modelos de democracia, ao menos para o partido que dia sim, dia sim lança notas e manifestos aos seus governos. Pois é, justamente ele, ousa criticar nossa justiça, nosso STF, ousa julgar a nossa justiça, dizer quando um julgamento é justo ou injusto. Justo deve ser a violação dos direitos humanos, as prisões políticas, o cerceamento da liberdade de expressão nos países cujo os regimes apoia formalmente.

A presidente Dilma, apesar de ter falado por mais uma hora ou concordou ou deixou passar incólume a ofensa as instituições do país que preside. Talvez por se achar confortável no papel de ditadora que lhe atribui, não seus adversário, mas sim seus aliados. Só isso é capaz de justificar que cooneste com esse tipo de posicionamento.

Chega a ser um espetáculo grotesco que integrantes do partido da presidente e seus aliados se postem em frente as instituições com cartazes pedindo a soltura de condenados pelo STF dizendo que os mesmos são prisioneiros políticos, o que tentem invadir o STF com se viu ontem. Só ditaduras têm prisioneiros políticos. Democracias possuem encarceram criminosos comuns, foi isso o que foi feito. A presidente precisa dizer aos seus aliados que preside uma democracia com instituições sólidas e que não admitirá ataques as mesmas. Espero que faça isso o mais rápido possível. Pois de ousadia em ousadia se constrói as ditaduras mais sanguinárias. Ontem, a presidente perdeu uma oportunidade de reafirmar seu compromisso com a democracia e com as instituições que jurou respeitar é a defender, espero que tenha sido uma exceção e não um novo padrão de atitude.
O Brasil espera bem mais de seus dirigentes.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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