Artigo

Respeitem as putas

O senador além de errar na análise das estatísticas, erra de forma forma mais grosseira, ao ofender as profissionais que vivem do ofício de levar prazer as pessoas.

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Vez por outra os políticos recorrem a velha artimanha de falar mal das famílias e profissões alheias e também das suas próprias. Aconteceu por estes dias na coluna do senador Sarney o uso de um termo que há tempos não via ou ouvia: VIVANDEIRA.

Não é a primeira vez que políticos o usam. Uma ligeira busca na história recente do pais vemos o termo sendo usado no começo do período militar, quando Castelo Branco referiu-se aos políticos civil, disse ele: “Eu os identifico a todos. São muitos deles os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas,vêm aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias ao Poder Militar.”

Se não me falha a memória Ulysses Guimarães também fez uso do termo quando a Assembleia Nacional Constituinte foi atacada por alguns saudosistas da ditadura militar chamando-os de vivandeiras de quartéis.

Agora foi vez do senador maranho-amapaense (esse termo foi criado pelo saudoso jornalista Walter Rodrigues para referir-se ao político de híbrido domicílio), chamar os opositores vinvandeiras. Disse o senador que, por conta de artigo publicado dias antes sobre o manuseio de dados do IBGE, algumas pessoas teriam enxergado um ataque ao órgão, concluindo ser mera “agitação de vinvandeiras”. Que estes, os políticos, usavam alguns dados esparsos para denegrir – outro termo infamante do ponto de vista do politicamente correto uma vez que denegrir é tornar negro. Algo contra os negros? – o Maranhão que cada dia está mais rico e próspero.

Os políticos não usam o termo “vivandeira” no seu sentido gramatical constante do dicionário e que significa tão somente “[Do fr. vivandière.] Substantivo feminino. 1. Mulher que vende mantimentos, ou que os leva, acompanhando tropas em marcha”. Não, de forma alguma. Usam o termo com o mesmo foi usado inúmeras vezes na literatura, como se o fosse sinônimo não dicionarizado de prostituta, de meretriz, puta, por assim dizer. E o fazem em alusão as milhares de mulheres que durante as guerras acompanhavam as tropas com o intento de prestarem seus favores sexuais. Este país deve muito aos soldados brasileiros e também a estas mulheres.

Este é o sentido de usar o termo no sentido mais pejorativo de putas, prostitutas, meretrizes e não aquelas outras que tinha apenas o ofício de levar os mantimentos, explorar um bar ou uma quitanda ou ainda as fofoqueiras que ficavam no entorno dos quartéis a fazer mexericos.

Ao referir-se a estas pessoas como forma de desqualificar os opositores – se o foi no passado – com certeza não é no presente. Chamar um político de prostituta, de puta, de vivandeira dos quartéis, como querem, não ofende aos políticos, ofende sim, as profissionais do sexo, que diferente da maioria dos políticos ganham o seu sustento com um trabalho árduo, no labor, se não honesto, ao menos digno, vendem o que tem, seu amor, seu carinho, sua sexualidade ou como se dizia outrora, vendem o próprio corpo. Fazem isso, correndo todos risco que o negócio oferece, a exploração por cafetões, as chantagens dos “homens da lei”, a violência que toma conta das ruas.

Como vemos, a vida destas profissionais não é fácil. É cheia de riscos e sobressaltos. Entretanto, apesar disso é mais honesta e decente que vida de muitos dos nossos políticos que levam dias a formular estratégias para enganar o povo, para explorar as riquezas dos estados e cidades. A grande maioria nunca soube o que é trabalhar, o que é pegar no pesado.

O senador além de errar na análise das estatísticas, erra de forma forma mais grosseira, ao ofender as profissionais que vivem do ofício de levar prazer as pessoas. Com relação aos números faz, ele é não os opositores uma leitura equivocada. O Maranhão é um estado rico, todos os maranhenses com um mínimo de instrução, consegue perceber. Possui condições ímpares, uma localização privilegiada, um solo fértil, recursos hídricos em abundância, possui gás, possui petróleo, possui ouro e outros minerais. Entretanto, apesar de tudo isso ocupa os últimos lugares nos indicadores sociais de tudo que é instituto de pesquisa e não apenas do IBGE ou IPEA, os resultados do IDH estão aí para quem quiser examinar retratando a pobreza da população, o resultado do ENEM não permite dúvidas quanto a situação da educação.

Estado a nossa nas últimas posições de um país que é quase último no quesito, os dados do programa social “bolsa família”, colocam o Estado do Maranhão ao lado Piauí como os estados que possuem mais cidadãos no referido programa, com mais de 60% (sessenta por cento) de suas populações inscritas. Como é possível responder com otimismo a dados como estes? Como é aceitável que um estado como tantas riquezas como as declinadas acima tenha, em pleno século 21, um população sem educação que preste e mais de 60% (sessenta por cento) de sua população vivendo as custas das esmolas governamentais? Quem ao longo dos anos tem se locupletado das riquezas do Maranhão enquanto o povo amarga a miséria mais aviltante?

Em que pese tentarem ofender as putas chamando-as de políticos, decerto que a culpa por tudo de errado que acontece no Estado não é por culpas daquelas mas pelo oficio e graças destes. Diante de tudo que temos visto, não resta dúvidas que se os estados fossem governados pelas putas, meretrizes e vivandeiras estaríamos em melhores situação do que tendo estes mesmos estados dirigidos pelos … políticos.

Por tudo que têm feito são elas merecedores de maior respeito que eles.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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