Artigo

O ocaso de uma estrela

O grande problema do Brasil é que enquanto faltam estadistas sobram ‘cascateiros', uns piores que os outros.

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

O comandante máximo do Partido dos Trabalhadores é o Sr. Lula, na verdade sempre foi desde a sua fundação em 1980. Nunca fui filiado a essa agremiação e sempre mantive com a mesma uma relação crítica.

Em 1985, quando o partido orientou seus parlamentares a se absterem do processo eleitoral indireto, que elegeria Tancredo Neves e José Sarney, torcia, como a grande maioria dos brasileiros, pelo fim da ditadura e pela eleição da chapa oposicionistas. Se não me é falha a memória, um dos motivos que fez o partido ser contra a chapa era justamente o vice-presidente, haviam outros. O partido dizia que não podia admitir concessões.

Um outro momento emblemático da vida política do país foi a posição do partido na diante da Constituição de 1988, a Carta que Ulysses Guimarães chamou de a Constituição cidadã. Somente com muita luta os parlamentardes petistas a assinaram, assim mesmo sob protestos.

Apesar da minha discordância em relação ao partido naqueles momentos históricos, acabei por votar no candidato do partido em 1989, 1994, 1998 e 2002.

Quando o partido, chegou ao poder começou a atentar contra as instituições e contra a democracia que tanto nos custou construir e as suas instituições, achei ser o momento de me posicionar contra.

Quando voltei para que chegassem ao poder tinha a ilusão que as mudanças ocorridas no Brasil, um operário no poder iria influenciar para que houvesse a mudança no Maranhão, que o estado encontraria sua vocação para o desenvolvimento e sobretudo que haveria a democracia tão sonhada com a alternância no poder. O que não aconteceu.

A história é conhecida de todos. O partido no poder aliou-se aqueles a quem tanto combatia. Aquelas pessoas a quem atribuíam o atraso do país. Todos se tronaram aliados de primeira hora do governo petista. E, ao invés do Brasil influenciar o Maranhão deu-se justamente o contrário. O Brasil é que está influenciando o Brasil no que temos de pior. Quem não se lembra do próprio Lula acusar o Sr. Sarney das coisas mais abjetas? Quem não se lembra de vê-lo criticar o Sr. Lobão? Quem não se lembra de vê-lo criticar o Collor, o Renan, o Jucá? O que vemos hoje? São todos aliados de primeira hora do lulismo, do petisco. Do Sarney, o Sr, Lula disse sem nenhum pudor ou constrangimento: “O Sarney é o meu irmão de alma, está acima do bem e do mal”. Não me surpreendi nenhum pouco ao vê-lo receber e hipotecar apoio ao candidato Lobão Filho. Acho que só os ingénuos acreditou que o PT iria apoiar o candidato comunista. Não sabe que no partido quem dá a última palavra é o Sr. Lula e que ele já decidiu desde muito tempo que a capitania do maranhão é território do seu irmão de alma e dos seus sucessores. Sobre esse assunto, como prometido, escreverei um post exclusivo.

Certa vez perguntei a um político maranhense, que esteve presente naqueles momentos políticos participando de dentro do partido e do Congresso Nacional, qual sua opinião sobre o Sr. Lula ao que respondeu: “É uma pessoa horrível, a mais asquerosa com quem já convivi”.

Quando estourou o escândalo do “mensalão”, perguntei a um amigo, deputado do partido e conhecedor da máquina partidária, se havia alguma possibilidade do Sr. Lula não saber o que se passava no andar acima do seu no Palácio do Planalto, ao que esse amigo respondeu-me: “É impossível que não soubesse, no partido as decisões são colegiadas. ninguém iria fazer isso sem o conhecimento da cúpula, principalmente dele”.

O Sr. Romeu Tuma Júnior, fala de certo barbudo que dormia em sofá e que era um informante da Polícia Federal sobre o andamento dos movimentos populares durante a ditadura militar, enquanto seu pai, o velho Tuma era um dos seus delegados mais influentes.

O Brasil parece ter sido de surpresa com a entrevista concedida pelo Sr. Lula a uma emissora de TV portuguesa, em que um ex-presidente da República ataca de forma abjeta o Supremo Tribunal Federal, dizendo que um dos seus julgamentos foi 80% (oitenta por cento) ‘político’. Vivemos tempos difíceis quando é que se imaginou que veríamos um cidadão brasileiro atacar a Suprema Corte do seu país. Já ouvimos esse tipo de coisa da boca de marginais, nunca de ex-presidente da república. Ainda mais quando sabemos que a maioria dos ministros que lá estão foram nomeados por ele e por sua sucessora, ambos do mesmo partido. O que resta saber é se o STF terá coragem de interpelá-lo, de chamá-los às fluas para que diga perante a justiça em condições se deu o julgamento político e no que se baseia para afirmar tal coisa a uma emissora estrangeira. O silêncio é a pior resposta. Diante da afronta, caso não façam nada, só restaria o caminho da renúncia coletiva, sobretudo daqueles que foram indicados e nomeados pelo ex-presidente. Mas, talvez aguardem que venha e diga, como sempre faz, diga que houve uma má interpretação de suas palavras, um preconceitos das eleitas contra o operário e cabem deixando o dito pelo não dito.

Outro destaque sobre a matéria foi o fato do Sr. Lula apresentar seus correligionários que cumprem pena como meros conhecidos sem nenhuma intimidade. Poder-se-ia até dizer que só conhece o Sr. Dirceu e o Sr. Genoíno e os demais apenas de ‘vista’ como se diz por aí. Será que pensa que a entrevista exibida em Portugal ninguém no Brasil iria tomar conhecimento e que estaria muito bem no falso papel de mentiroso. Quer dizer que a aquele senhor Dirceu que foi apresentado como capitão do time que assumiu o governo em 2003 era um mero conhecido de “vista”?

Analisando os fatos em conjunto esse comportamento do Sr. Lula não deve surpreender a ninguém com um mínimo de discernimento, trata-se do mesmo comportamento que sempre o conduziu. O comportamento daqueles que usa as pessoas em benefício próprio. Que se conduz tendo por norte os seus interesses.

A sabotagem do governo Dilma praticado por setores do partido tem dois propósitos. O primeiro enfraquecê-la até que não tenha condições de disputar as eleições e o partido lhe negue legenda ou a substitua. Será que alguém tem dúvidas de que se o Sr. Lula quisesse não já teriam acabado com essa sabotagem? Será que alguém duvida que ele está por trás deste movimento pela sua volta? Só os tolos. O Lula quer voltar e a forma mais fácil para isso é sabotar, ainda que em prejuízo da nação, o governo que elegeu para sucedê-lo.

O outro propósito, esse mais sagaz, é criar uma espécie de sublegenda, como aquelas existentes nos tempos da ditadura militar. O partido, ao criar dois grupos dentro do partido, usa a tática dos partidos que sustentavam o regime, fazendo com a discussão se dê entre eles – qualquer um que ganhe vai bem –, e não como se deve fazer nas democracias mais consolidadas, entre governo e oposição.

Como, em matéria de ingenuidade a oposição só tem a ensinar, não se deram conta da patranha e até acham que estão na vantagem. Infelizmente, para eles, não é nada disso. E ao invés achar ‘bonito’ ou estimular essa falsa briga, deveriam era denunciar o atentado que se perpetra todos os dias contra a nossa democracia e contra as nossas instituições.

O grande problema do Brasil é que enquanto faltam estadistas sobram ‘cascateiros’, uns piores que os outros.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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