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A Guerra das cores: uma falsa polêmica‏

Em todo caso o certo é que o vermelho Jardim não mandou rosas, crisântemos ou qualquer outras flores.

em>Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

O verde Washington Rio Branco disse no programa do seu partido que estava vermelho de vergonha diante de tanta corrupção que vem ocorrendo no Brasil. Foi o que bastou para o vermelho Marcio Jardim também ficasse roxo de ódio com as colocações de Branco. Como sabemos todo jardim ao menos em tese, deve ser verde. No caso do nosso Jardim está mais para verde-melancia ou seja verde por fora e vermelho por dentro.

Em todo caso o certo é que o vermelho Jardim não mandou rosas, crisântemos ou qualquer outras flores e de nenhuma cor ao verde Branco.

O assunto poderia terminar aí, numa espécie de querela de cores e sexo dos anjos se não encerrasse em uma questão de grande indagação para toda nação: Existe corrupção no Brasil?
Ora, a irresignação de Jardim com as colocações de Branco não tem razão de ser. Senão vejamos:

Em seu último relatório sobre a percepção da corrupção no setor público divulgado em dezembro de 2013 a ONG Transparência Internacional revelou que a corrupção no Brasil piorou o que já era ruim, saiu da posição 69ª para 72ª, estando o país no grupo daqueles países onde a corrupção é crônica. Este é um dado que não foi contestado por ninguém do governo pela simples razão de não se ter como contestar;

A própria presidente da República demitiu, quando a corrupção parecia ser um incômodo, um grupo significativo de ministros de Estado devido a comprovação de diversos atos de corrupção;

No momento presente temos um ex-diretor da principal empresa brasileira preso, com denúncia aceita pela justiça por atos gravíssimos de corrupção;

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, figura de proa do partido do governo, foi compelido a renunciar ao cargo ocupado na Mesa e sofre processo no Comissão de Ética da Casa por envolvimento com um doleiro preso após a policia federal o apontar em diversos esquemas de… corrupção e lavagem de mais de US$ 10 bilhões de dólares. Esse deputado, chamado de André Vargas, segundo escutas telefônicas só queria uma coisa singela, sua independência financeira, a partir da ocupação de cargo público.

Neste momento a direção do partido faz pressão para que ele, Vargas, renuncie ao mandato. Mas não pensem que fazem isso por zelo com a moralidade pública ou apreço à ética. A pressão se dá por que o deputado cometeu o grave “pecado” de ter sido descoberto. Não tivesse sido estaria posando de autoridade num cargo importante na Câmara, pleiteando a indicação pelo partido ao Senado da República. É quase certo até que chegasse a ministro de Estado, não fosse a fatalidade da verdade aflorar com toda sua veemência diante de todos.

Vamos um pouco mais adiante. Neste momento a ex-cúpula do partido, as pessoas mais importantes do governo na gestão passada estão cumprindo pena após condenados pelo Supremo Tribunal Federal. Não apenas a ex-direção do Partido do Trabalhadores, como também as ex-cúpulas de diversos partidos que davam e ainda dão sustentação ao governo, além de banqueiros, empresários e outros que se lambuzaram nas benesses do poder. Dentre os vários crimes que os levaram a prisão está nos anais ca corte o crime de corrupção, tanto na sua modalidade ativa quanto passiva.

O que dizer de todas essas denúncias e constatações em relação a Petrobras com seus inúmeros desacertos e prejuízos para nação? O que dizer de tanta gente que enrica do dia para noite sem tenham trabalhado um dia sequer?

Esses são apenas algumas constatações de que vivemos numa nação corrupta, infelizmente. e essa corrupção se alastra por todo o país. O exemplo que vem de cima é copiado e ampliado nas esferas abaixo. Tudo é motivo para uma vantagem, um desvio, um favorecimento. Os poderosos, os donos do poder nunca puderam tanto quanto podem agora. Diante disso, a corrupção não parece arrefecer, pelo contrário ela só aumenta.

No inicio do atual governo, a presidente da República ameaçou punir os “malfeitos”, a forma eufêmica com a qual apelidou a roubalheira que comia o país. O tempo passou e a promessa ficou na prateleira dos esquecidos. As conveniências políticas, o interesse indecoroso por voto, por apoio e espaço na tV nos horários eleitorais nas campanhas são os fatores determinantes do padrão ético do país.

Todos os dias assistimos isso. As maiores lideranças políticas brasileiras a darem sustentação ao governo são mesmas sob as quais pesam o fardo de terem enricado na vida pública. São os mesmos que durante os últimos anos tornaram seus estados suas capitanias hereditárias, as velhas oligarquias que passam o poder de pai para filho, para os parentes, para os aderentes. São Collor’s, os Sarney’s, os Renan’s, os Jucá’s e tantos outros de biografias conhecidas desde sempre.

O partido que está no poder a mais de uma década e que poderia ter feito as reformas que juraram fazer antes de chegar ao poder, nada fez, pelo contrário, o que fez foi se aliar aos mesmos de sempre. O que fez foi cobrar sua parte no butim.

Acredito que o Brasil precisa encarar suas verdades postas e tentar apesar delas, construir um novo futuro. O passado e o presente são de todos conhecidos, não adianta tentar ocultar a verdade com uma cortina de cores.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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