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Roseana Sarney é novamente arrolada a propinagem em acareação de delatores

Ex-governadora Roseana Sarney.

Ex-governadora Roseana Sarney.

A ex-governadora Roseana Sarney pode realmente ser presa pela Polícia Federal, em desdobramento da Operação Lava-Jato. Ela teve o nome citado pela quinta vez durante informações colhidas sobre políticos envolvidos no esquema que desviou milhões da Petrobras.

Na tarde de ontem segunda-feira (22), o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef passaram por acareação na Polícia Federal de Curitiba. Um ponto abordado nos questionamentos foi o nome da filha do ex-senador José Sarney.

Para os membros da Polícia Federal e Ministério Público Federal Paulo, Roberto Roberto Costa voltou a reafirmar que mandou entregar R$ 2 milhões em propina para a campanha de Roseana. E essa reafirmação complicada cada vez mais a peemedebista.

O verba destinada para Roseana Sarney, segundo depoimentos dos acusados, é oriunda do esquema corrupto que teve o objetivo de desvio e lavar dinheiro na Petrobras.


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Poder

As relações de Roseana Sarney, Lobão e Paulo Roberto Costa

A ex-governadora Roseana Sarney e o senador Edison Lobão provavelmente estão na lista dos 26 políticos que visitaram a sede da Petrobrás no Rio entre 2004 e 2014.

Registros da Petrobras mostram que 26 dos 48 políticos que são investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava-Jato estiveram na estatal durante este período. Ao todo, cerca de 202 visitas foram registradas.

O mais requisitado pelos políticos foi o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, delator do esquema. Com o aval do ex-diretor, em 2014, Roseana assinou um decreto para fins de desapropriação e declarando de utilidade pública, uma área em Bacabeira de 20 km² em favor da Petrobrás.

Costa também afirma que o ex-ministro de Minas e Energia pediu pessoalmente a ele uma ajuda de R$ 1 milhão, além de outros R$ 2 milhões para a campanha de 2010 da então governadora do Estado.

Os dados sobre a movimentação na Petrobrás têm o objetivo de reforçar o teor das acusações feitas nas delações premiadas, principalmente a de Paulo Roberto Costa.


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Delator diz que ex-ministro Lobão pediu ‘ajuda’ de R$ 1 milhão

Folhapress

Lobão, Roseana e Paulo Roberto Costa, delator do esquema de corrupção.

Lobão, Roseana e Paulo Roberto Costa, delator do esquema de corrupção.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em depoimento gravado em vídeo como parte do acordo de delação premiada fechado com a força-tarefa da Operação Lava Jato, que o ex-ministro de Minas e Energia e atual senador pelo PMDB do Maranhão, Edison Lobão, lhe pediu “uma ajuda” de R$ 1 milhão, além de outros R$ 2 milhões para a campanha da então governadora do Estado, Roseana Sarney (PMDB), em 2010

Segundo Costa, o pedido foi feito pessoalmente pelo então ministro –ele não soube dizer se no ministério ou na casa de Lobão em Brasília. O peemedebista foi ministro de Minas e Energia de janeiro de 2008 a janeiro de 2015. Como foi eleito senador em 2010, deverá exercer o mandato no Senado pelo Maranhão até o ano de 2019.

Embora investigado em um dos inquéritos abertos no STF (Supremo Tribunal Federal) por ordem do ministro Teori Zavascki, Lobão vai presidir a Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

No depoimento em vídeo, quando indagado se Lobão lhe explicou o motivo do R$ 1 milhão, Costa respondeu: “Precisava de uma ajuda”. Costa afirmou que o pedido não foi presenciado por outra pessoa. “Obviamente que só tinha eu e ele presente, não tinha mais ninguém. Onde ele fez essa solicitação, de uma ajuda para a campanha dela [Roseana] e também uma ajuda para ele”.

Segundo o ex-diretor da Petrobras, o pagamento foi “operacionalizado” pelo doleiro Alberto Youssef. Segundo Costa, Youssef depois “disse que [o pedido] foi atendido”.

Os procuradores informaram que Youssef já negara, em seu depoimento, ter recebido ordem de Costa para providenciar recursos para Roseana e Lobão. Costa ponderou: “Agora, muitos desses casos eu não tenho contraprova de que foi entregue. Se o Youssef, por alguma cargas d’água, não entregou e me falou que entregou, para mim entregou”.

Na petição em que pediu a abertura de inquérito no STF sobre Lobão e Roseana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que sobre os R$ 2 milhões, Youssef “deixou clara a possibilidade de que tenha efetivamente participado desse pagamento, tendo inclusive se recordado de uma entrega, no exato valor referido, no hotel Blue Tree da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo”.

CONFUSÃO

Em pelo menos um ponto no depoimento em vídeo, Costa manifestou confusão na comparação com o primeiro depoimento que ele próprio deu sobre o assunto. Costa falou de Roseana em duas etapas de depoimentos no acordo de delação premiada. Em depoimento prestado em 30 de agosto passado em Curitiba (PR), à força-tarefa da Lava Jato, ele afirmou que, além de encontros com equipes de governo do Maranhão, esteve pelo menos três vezes com Roseana e que “as tratativas da governadora em relação ao pagamento de propina para o abastecimento de sua campanha eram breves e se restringia a perguntas se estava tudo ‘acertado”.

Na segunda etapa dos depoimentos, contudo, agora conduzida pela PGR (Procuradoria Geral da República) no Rio de Janeiro em 11 de fevereiro passado, Costa primeiro afirmou que não falou do envio do dinheiro à campanha da governadora, “nunca tocou no assunto com ela”.

Um dos procuradores então leu o trecho do depoimento anterior de Costa. O ex-diretor então corrigiu: “Se consta no depoimento, para mim o que vale é o depoimento”.

Os procuradores concordaram que “está todo mundo cansado”. Outro procurador indagou se ele poderia ratificar todo o depoimento anterior, e Costa concordou. “A minha memória estava muito mais boa aqui [no primeiro depoimento] do que aqui”. Os procuradores então transcreveram o primeiro depoimento no texto do segundo depoimento.

Minutos depois, Costa voltou ao tema. “Tô tentando me lembrar aqui. Acho que foi uma coisa assim ‘está tudo certo?’ Acho que foi nesse sentido”, disse o ex-diretor. “Mas não teve uma conversa mais longa, detalhada, sobre isso”.

OUTRO LADO

Em discurso na tribuna do Senado no último dia 12 de março, Edison Lobão negou ter feito qualquer pedido de dinheiro ao ex-diretor da Petrobras. “Minha dignidade jamais foi posta à prova. Tenho uma vida sem manchas, sem nódoas, sem máculas. Esse é meu patrimônio. É em nome dele que repudio toda a tentativa de envolver meu nome no escândalo de corrupção que abala a nossa maior empresa, a Petrobras”.

Em recurso protocolado no STF, o advogado de Roseana, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que “não há convergência, mas contradições entre os depoimentos dos delatores e, por óbvio, não há verossimilhança, mas uma completa dissonância entre a suposta entrega de vantagem à campanha política da agravante [Roseana] –que nunca existiu!– e a tal entrega de R$ 2 milhões em um hotel em São Paulo”.


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