Poder

“Banalização da prisão assusta”, diz advogado de Sarney

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O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB­-AL), o ex-­presidente da República José Sarney (PMDB­-AP) e o senador e ex-­ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR), disse em entrevista à Rádio Estadão, na manhã desta terça-­feira, 7, que preferia não acreditar que houve os.

Segundo ele, as gravações a que teve acesso não implicam em nenhuma tentativa de barrar a Operação Lava Jato. “Quem vai decidir é o STF, quero ver o fundamento do pedido, mas pelo que saiu na imprensa, nada justifica medida tão drástica e espero que o STF não determine uma medida como esta (prisão)”, destacou.

Na entrevista à Rádio Estadão, Kakay classificou o atual momento de “dramático”, destacando que as opiniões emitidas sobre a Lava Jato podem ser interpretadas como tentativa de obstrução. “Dois homens divergirem sobre a Lava Jato não é crime. Eu mesmo sou crítico dos excessos dessa operação e repito, não vi nessas conversas (de seus clientes) qualquer tentativa de interferência. Hoje tudo passou a ser tentativa de interferência.” E continuou com as críticas: “Depois da Lava Jato, prisão preventiva virou regra. Essa banalização da prisão me assusta, enquanto advogado e enquanto cidadão.”

Para Kakay, a delação premiada é um instituto importante para se combater o crime organizado, contudo, ele avalia que este instrumento está sendo “desvirtuado” na atual conjuntura. “A palavra do delator passa a ser vista como verdade”, disse, numa referência às gravações feitas pelo ex-­presidente da Transpetro Sérgio Machado que dão conta de que distribuiu R$ 70 milhões em propina para Renan, Jucá e Sarney. “Todos meus clientes negaram peremptoriamente esses recursos e dizem que não sabem do tal fundo gerido pelo filho do Sérgio Machado (Expedito, responsável pela gestão de um fundo que seria abastecido com dinheiro de propina em Londres.

Do Estadão de São Paulo


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Poder

Procurador quer que Sarney seja monitorado por tornozeleira eletrônica

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal a prisão do ex-presidente da República, José Sarney. Mas, por causa da idade, Sarney seria monitorado por tornozeleira eletrônica.

O ex-presidente é acusado pelo procurador-geral de tentar obstruir as investigações da operação Lava Jato.

Além do ex-presidente, Rodrigo Janot, quer a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Os pedidos de prisão estão com o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, há pelo menos uma semana.


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Poder

Procurador-geral da República pede prisão de José Sarney por tentar barrar a Lava-Jato

O Globo
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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) e do senador Romero Jucá (PMDB-RR). A informação é de um interlocutor de ministros do STF. Renan, Sarney e Jucá foram flagrados tramando contra a Operação Lava-Jato em conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Os pedidos de prisão já estão com o ministro Teori Zavascki, do STF, há pelo menos uma semana.

Janot também pediu o afastamento de Renan da presidência do Senado, usando argumentos similares aos empregados no pedido de destituição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara e do mandato de deputado federal, o que acabou sendo atendido pelo STF.

Os indícios de conspiração, captados nas gravações e reforçados pelas delações de Sérgio Machado e de seu filho Expedito Machado, são considerados por investigadores mais graves que as provas que levaram Delcídio Amaral à prisão, em novembro do ano passado, e à perda do mandato, em maio. De acordo com a fonte, Delcídio tentou manipular uma delação, a do ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, enquanto Renan, Sarney e Jucá planejavam derrubar toda a Lava-Jato.

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A INFLUÊNCIA DE SARNEY

Para essa pessoa com acesso às investigações, não há dúvida de que, se a trama não fosse documentada pelas gravações de Sérgio Machado, a legislação seria modificada de acordo com o interesse dos investigados. Renan, Jucá e Sarney estão entre os políticos mais influentes do Congresso.

Sarney, mesmo sem mandato, controla bancadas na Câmara e no Senado. Ele teria tido, inclusive, papel decisivo no processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff. Jucá, logo depois que Michel Temer assumiu interinamente a presidência da República, foi alçado ao cargo de ministro do Planejamento, mas caiu após a divulgação das escutas.

Numa série de depoimentos que prestou, após firmar acordo de delação premiada, Machado disse que distribuiu R$ 70 milhões em propina para Renan, Sarney e Jucá, entre outros políticos do PMDB durante os 12 anos que esteve à frente da Transpetro, como revelou O GLOBO na sexta-feira. Nas conversas gravadas por Machado, Renan, Jucá e Sarney aparecem discutindo medidas para interferir na Lava-Jato.

Padrinho político de Machado e alvo central da delação do ex-presidente da Transpetro, Renan sugere mudar a lei para inibir a delação premiada. A delação tem sido usada em quase todos os inquéritos abertos na Lava-Jato, inclusive os instaurados contra o presidente do Senado. Mais ousado, Jucá descreve uma articulação política dele e de outros líderes para derrubar a presidente Dilma e, a partir daí, “estancar a sangria da Lava-Jato”.

Sarney sugere a escalação de dois advogados — Cesar Asfor Rocha, ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e Eduardo Ferrão — para uma conversa com Teori Zavascki, relator da Operação Lava-Jato no STF. Para a Procuradoria-Geral da República, está claro que a ação de Renan, Jucá e Sarney tinha como objetivo obstruir as investigações sobre a organização especializada em desviar dinheiro de contratos entre grandes empresas e a Petrobras.

A divulgação de parte das conversas de Machado já resultaram na demissão de Jucá do Planejamento e do consultor Fabiano Silveira, do Ministério da Transparência, em menos de um mês de governo Temer. Agora, caberá ao STF deliberar sobre o pedido de Janot. O pedido foi encaminhado a Teori, mas depende de decisão do plenário do tribunal. Nos últimos dias, Teori sondou colegas de tribunal sobre o assunto.

Esta é a primeira vez que um procurador-geral da República pede o afastamento e a prisão de um presidente do Senado. O pedido de afastamento de Renan foi noticiado pelo jornal “Valor Econômico” na semana passada. Caberá aos ministros decidirem se Renan, alvo de 12 inquéritos no STF, ainda preenche os requisitos para permanecer na presidência do Senado e na linha sucessória da presidência da República. Uma das bases para a futura decisão pode ser o caso Eduardo Cunha.

Cunha foi destituído da presidência da Câmara e do mandato de deputado por tentar atrapalhar a Lava-Jato e por ser portador de uma longa ficha de acusações de corrupção. Cunha foi citado como destinatário de propina por pelo menos sete delatores. Em razão das acusações, já responde a um processo e pelo menos quatro inquéritos no âmbito da Lava-Jato.

PROPINA DE R$ 70 MILHÕES

Nos depoimentos da delação premiada, Machado disse que arrecadou mais de R$ 70 milhões para Renan, Sarney e Jucá, entre outros líderes do PMDB que davam sustentação à permanência dele na presidência da Transpetro. Responsável pela indicação de Machado à presidência, ainda em 2003, Renan foi, segundo o ex-presidente, destinatário de R$ 30 milhões. Jucá e Sarney teriam recebido R$ 20 milhões cada um. Machado disse ainda que arrecadou dinheiro para o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia, e para o senador Jader Barbalho (PMDB-PA).

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Depois de confessar crimes cometidos em nome dele e dos padrinhos políticos, Machado se comprometeu com os investigadores da Lava-Jato a devolver aproximadamente R$ 100 milhões. Parte do dinheiro era administrado por Expedito, um dos quatro filhos dele, que vivia em Londres. As contas com o dinheiro ilegal estão num banco na Suíça. Outros dois filhos de Machado também fizeram delação.


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Poder

Em gravação, José Sarney promete ajudar investigado da Lava Jato

Folha de São Paulo

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O ex­-presidente José Sarney (PMDB-­AP) prometeu ao ex-­presidente da Transpetro Sérgio Machado, investigado pela Operação Lava Jato, que poderia ajudá­-lo a evitar que seu caso fosse transferido para a vara do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba (PR), mas “sem meter advogado no meio”.

As conversas foram gravadas pelo próprio Machado, que nesta terça­-feira (24) fechou um acordo de delação premiada no STF. Em um dos diálogos, gravados em março, o ex-senador e ex­-presidente manifestou preocupação sobre uma eventual delação de Machado. “Nós temos é que fazer o nosso negócio e ver como é que está o teu advogado, até onde eles alando com ele em delação premiada”, disse o ex-presidente.

Machado respondeu que havia insinuações, provavelmente da PGR (Procuradoria-­Geral da República), por uma delação. Sarney explicou a estratégia: “Mas nós temos é que conseguir isso [o pleito de Machado]. Sem meter advogado no meio”. Machado concordou de imediato que “advogado não pode participar disso”, “de jeito nenhum” e que “advogado é perigoso”. Sarney repetiu três vezes: “Sem meter advogado”.

A estratégia estabelecida por Sarney não fica inteiramente clara ao longo dos diálogos obtidos até aqui pela Folha, mas envolvia conversas com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB­-AL), e com o senador Romero Jucá (PMDB­-RR). Sérgio Machado disse que não poderia passar por uma iniciativa apenas jurídica, teria que ser política. Ao final de uma das conversas, Machado pediu que Sarney entrasse em contato com ele assim que estabelecesse um horário e local para reunião entre eles e Renan.

“E o Romero também está aguardando, se o senhor achar conveniente”, acrescentou Machado. Sarney respondeu que não achava conveniente. “Não? O senhor dá o tom”, respondeu Machado.

O ex­-presidente disse que não achava “conveniente, a gente não põe muita gente”. Em seguida ele contou que o ex-senador e ex-­ministro Amaral Peixoto (1905-­1989) costumava dizer que “duas pessoas pessoas já é reunião. Três é comício”. Medida semelhante havia sido indicada pelo próprio Jucá. Em outro áudio gravado por Machado, ele disse que não era bom todos se reunirem ao mesmo tempo, e sim que Machado falasse com cada líder político, que depois se encarregariam de conversar entre eles.

Nas conversas, Sarney deixou claro que concordava com a iniciativa de impedir que o caso de Sérgio Machado fosse enviado para a vara de Moro em Curitiba.

“O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito procedente. Não deixar você voltar para lá [Curitiba]”, disse o ex­-presidente.


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Política

Esquema de propina da Odebrecht funcionava desde governo Sarney

UOL

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A 26ª fase da operação Lava Jato expôs, nesta terça-feira, a existência de um “departamento de propina” na empreiteira Odebrecht, que teria sido utilizado para movimentar altas somas de dinheiro em pagamentos ilícitos para agentes públicos e políticos principalmente em 2014. O esquema, no entanto, pode ser muito mais antigo. Documentos mostram que, durante o mandato presidencial de José Sarney (1985-1990), procedimentos bem semelhantes aos apontados pelos investigadores da Lava Jato envolviam 516 agentes públicos, empresários, empresas, instituições e políticos. Entre eles, há ex-ministros, senadores, deputados, governadores, integrantes de partidos como PSDB, PMDB e PFL (atual DEM).

O UOL teve acesso a quase 400 documentos internos da empreiteira, a maioria datada de 1988, detalhando remessas e propinas a diversos políticos. A documentação estava de posse de uma ex-funcionária da Odebrecht. Como no esquema divulgado pela Lava Jato na terça-feira (22), eram utilizados codinomes para os receptores dos pagamentos e as propinas eram calculadas a partir de percentuais dos valores de obras da empreiteira nas quais os agentes públicos estavam envolvidos.

A Odebrecht afirmou “que não se manifestará sobre o tema”. Todos os políticos ouvidos negaram qualquer envolvimento em esquema de propinas com a construtora.

Na documentação chamada “Livro de Códigos”, havia uma lista, batizada de “Relação de Parceiros”, que detalha os codinomes de políticos, agentes públicos e empresários relacionados às obras da Odebrecht nas quais teriam atuado.

Do PMDB, são citados Jader Barbalho (“Whisky”), atualmente senador, ligado à obra da BR-163, no Pará, e o ex-ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão (“Sonlo”). Os filhos do ex-presidente José Sarney, Fernando e José Filho, aparecem com os codinomes “Filhão” e “Filhote”; Roseana Sarney, como seu nome de casada, “Roseana Murad”, aparece como “Princesa”.

Propinas eram calculadas a partir de percentuais dos valores de obras da empreiteira nas quais os agentes públicos estavam envolvidos.

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Na lista, está também o ex-presidente e atualmente senador recém-desfiliado do PTB, Fernando Collor de Mello (“Mel”), relacionado a um emissário submarino construido na década de 1980, quando ele era governador de Alagoas. Há também o nome de Aroldo Cedraz, atual presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), de codinome “Toldo” e ligado à obra adutora do Sesal – ele ocupava na época os cargos de presidente da Cerb (Companhia de Engenharia Rural da Bahia) e de secretário de Recursos Hídricos e Irrigação da Bahia.

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O já falecido ex-deputado federal e governador do Mato Grosso, Dante Oliveira (1952-2006), que ficou famoso como o autor do projeto que pedia eleições diretas para presidente nos anos 1980, tinha o apelido “Ceguinho” e estaria relacionado a obras de canais em Cuiabá, cidade onde foi prefeito por três mandatos.


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Política

José Sarney e Edison Lobão são citados em deleção de Delcídio

Da Revista Época

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O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou nesta terça-feira (15) a delação premiada do senador Delcídio do Amaral, ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado. Na delação, Delcídio narra inúmeras acusações de corrupção, propina e irregularidades.

Um dos pontos da delação diz respeito a usina hidrelétrica de Belo Monte, maior obra do governo federal, com forte impacto ambiental na floresta amazônica e no rio Xingu. Belo Monte já recebeu a licença final e deve começar a gerar energia ainda este mês – ela terá potência para gerar 4 mil MW por ano, com picos de 11 mil MW.

Segundo Delcídio, as irregularidades começam no leilão da usina, em 2010. Três dias antes do leilão, as grandes empreiteiras que pretendiam tocar a obra, como a Andrade Gutierrez, decidiram abandonar o certame. Com medo do fracasso no leilão, o governo mobilizou empresas de médio porte que formaram um consórcio e apresentaram uma proposta. Foi a única proposta recebida e esse consórcio venceu o leilão. Poucos meses depois, as empreiteiras que tinham abondanado a proposta entraram para o consórcio como sócios e, na prática, passaram a controlar a obra. A leitura de Delcídio é que as empresas de médio porte não tinham condições de tocar a obra, e as grandes que desistiram da obra o fizeram para tentar influenciar o governo para aumentar seus lucros.

A segunda irregularidade aparece nos contratos de equipamentos para a usina. Segundo Delcídio, dois grupos disputavam os contratos para fornecer equipamentos para Belo Monte – um deles formado por empresas chinesas, outro por empresas nacionais. A delação diz que uma intervenção feita por Silas Rondeau, Erenice Guerra e Antonio Palocci resolveu a disputa a favor das empresas nacionais. Desses contratos, foram retiradas propinas para o PT e para o PMDB.

“Delcídio, pelo acima relatado, acredita que a contratação de equipamentos girou em torno de R$ 15 milhões e R$ 20 milhões de contribuições ilícitas para as campanhas do PMDB e do PT”, diz o texto da delação. Segundo Delcídio, o valor do PT foi destinado para campanha eleitoral da presidente Dilma, e o do PMDB para o “grupo do Sarney”, que tem vários nomes do PMDB, incluindo o senador José Sarney e o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A denúncia diz que quem pagou a propina foi a empreiteira Andrade Gutierrez.


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Política

Políticos controlam rádios e TVs da Amazônia Legal

Do Regiãonordeste.com

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Ex-senador José Sarney e ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney.

Uma em cada cinco retransmissoras de TV da região da Amazônia Legal pertence a algum político. Dos 1.737 canais de retransmissão legalmente aptos a produzir conteúdo local, 373, ou 21,5% do total, estão em nome de políticos ou de parentes próximos.

O Maranhão é o extremo desse fenômeno. Das 276 retransmissoras de TV maranhenses, 159, ou 58%, estão registradas em nome de empresas de políticos. Se forem somadas as retransmissoras de prefeituras, são impressionantes 223 televisões comandadas por políticos, o que representa 81% do total de retransmissoras existentes no estado.

As quatro grandes redes nacionais de televisão – Globo, SBT, Record e Bandeirantes – estão associadas a políticos no Maranhão. A TV Mirante, afiliada da Globo, é da família Sarney. A principal emissora do grupo, a de São Luís, pertence aos três filhos do ex-presidente: Roseana Sarney (ex- governadora do Maranhão, ex-senadora e ex-deputada federal, do PMDB), José Sarney Filho (deputado federal do PV, com nove mandatos consecutivos) e o empresário Fernando Sarney, que dirige o grupo de comunicação da família. A Mirante tem 20 retransmissoras no estado.

Em sociedade com a mulher, Tereza Murad Sarney, Fernando Sarney possui mais duas geradoras (o canal 10 de Imperatriz e o canal 9 de Codó), que por sua vez possuem outras nove retransmissoras. Há mais dez retransmissoras em nome da TV Maranhão Central, uma sociedade entre Tereza Murad Sarney e o ex-deputado Joaquim Nagib Haickel (PMDB).

No final de 2014, a família Sarney comprou a empresa Rio Balsas, proprietária do canal 6, na cidade de Balsas. Trata-se de uma emissora geradora. Mas até o final da pesquisa, em outubro de 2015, continuava oficialmente em nome do ex-prefeito Francisco de Assis Coelho (PDT), que ocupou o cargo de 2005 a 2012. A Mirante atribui a situação à lentidão da burocracia do governo. A transferência só pode ser oficializada com aprovação do Ministério das Comunicações, processo que pode levar vários anos.

A família Lobão controla a rede mais extensa do estado: 79 retransmissoras de televisão em nome da Rádio e TV Difusora, afiliada do SBT. Comandada por Edison Lobão Filho, primeiro suplente do pai no Senado e candidato derrotado ao governo estadual em 2014, a rede se tornou uma máquina de alianças políticas.

Tentativa de legalização

No interior do Maranhão foi possível constatar que Edinho Lobão, como é conhecido, terceiriza a gestão das retransmissoras, o que é proibido pela legislação.

Quando ocupou a vaga do pai no Senado, ele propôs legalizar o aluguel das retransmissoras, com o projeto de lei 285/2009. A justificativa para a proposta era a de que os titulares das outorgas tinham dificuldade para implantar as operações e que o arrendamento seria uma forma de “democratizar e estender o acesso à informação e lazer”.

O projeto chegou a ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça – contra o voto isolado do então senador Eduardo Suplicy (PT-SP) –, mas emperrou na Comissão de Desenvolvimento Regional e de Turismo. Em dezembro de 2014, foi arquivado pela mesa diretora do Senado.

Os parceiros de Lobão Filho, na maioria dos casos, são políticos com base eleitoral na localidade, que assumem a responsabilidade pelo negócio.

Um exemplo é a retransmissora de Bacabal, na região do Médio Mearim. Em 1987, o Ministério das Comunicações outorgou o canal 2 daquela cidade à Rádio e TV Difusora, mas quem explora o serviço é o deputado estadual Roberto Costa, do PMDB, afilhado político do senador José Alberto, do mesmo partido.

Famílias tradicionais

A afiliada da Record no Maranhão também pertence a uma tradicional família de políticos, a do senador Roberto Rocha, do PSB, filho do ex-governador Luiz Rocha, falecido em 2001, e irmão do prefeito de Balsas, Luiz Rocha Filho. A mãe do senador é sócia da Rádio Ribamar, concessionária do canal 6 de São Luís. Os herdeiros do ex-governador possuem ainda seis retransmissoras no interior do estado, sendo duas na cidade de Balsas.

A afiliada da Record está em rápida expansão no interior, repetindo o modelo de alianças com políticos e prefeitos. Há relatos de que ela também cobra um valor mensal dos parceiros para liberar o sinal.

O canal afiliado da Rede Bandeirantes em São Luís não tem concessão de emissora geradora, como os outros grandes concorrentes. Ele só tem outorga de retransmissora e produz conteúdo local por estar na Amazônia Legal. A empresa, chamada Sistema Maranhense de Radiodifusão, pertence a Manoel Nunes Ribeiro Filho, ex-prefeito de São Luís e ex-deputado estadual por cinco mandatos. Filiado ao PTB, Ribeiro Filho foi presidente da Assembleia Legislativa por doze anos.


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Poder

FHC e Sarney chamam Getúlio de “homem menor”

Do Brasil 247/Paulo Moreira

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Nunca será demais agradecer a Fernando Henrique Cardoso pela decisão de registrar e publicar os atos cotidianos de seus dois mandatos no Planalto.

Num país onde informações de primeira mão sobre o Poder real costumam ser mantidas num ambiente de segredo absoluto, os Diários da Presidência são uma oportunidade rara de leitura, aprendizado — e mesmo diversão, como você poderá ler a seguir.

Não terminei o primeiro volume, ainda, mas já encontrei uma cena impagável, ao chegar à página 404 do calhamaço de 929 dedicado aos primeiros dois anos de FHC no Planalto, quando ele descreve um almoço com José Sarney, que havia sentado à mesma cadeira entre 1985-1990.

Eles falam de vários assuntos, mas o personagem central de vários momentos da conversa é um terceiro presidente. Getúlio Vargas, vulto que exerce um conhecido magnetismo — positivo ou negativo — junto a seus sucessores, o que é natural, já que nenhum brasileiro que veio ao mundo após 1930 deixou de ter contato direto ou indireto com a obra de Vargas, seja na economia, seja na política e também na cultura.

Em 1996, completando um ano na Presidência, Fernando Henrique recebe José Sarney, que deixara a presidência em 1990, para um almoço. “Muito bom”, escreve referindo-se ao conteúdo da conversa.

Na parte inicial do encontro, os dois falam de uma questão eterna para todo presidente da República: como convencer o PMDB a ajudar o governo a aprovar medidas de seu interesse. (Não ocorria nada de novo. Naquele início de 1995, FHC queria ajuda do PMDB para aprovar reformas; também precisava de ajuda da bancada pemedebista para enfrentar uma denúncia de superfaturamento de 51% na licitação dos radares do SIVAM que havia chegado ao Tribunal de Contas da União. O debate sobre a emenda da reeleição estava começando, e o PMDB estava dividido a respeito, também. Sarney explica ao presidente que os dirigentes do partido vão “ganhar tempo” e simplesmente dizer que “primeiro é preciso que as bases opinem sobre as áreas que provocam algum atrito.” Fechando essa parte do encontro, Fernando Henrique avalia: “Afinamos tudo sobre como conduzir o processo de votação”).

Naquele dia, Sarney tinha levado a Fernando Henrique um exemplar de seu romance recém-lançado, O Dono do Mar. Mesmo admitindo que não leu o livro, o presidente elogia o empenho literário do ex: “Tenho sempre uma admiração pela persistência com que o Sarney vem mantendo esta paixão pela literatura. Não li o livro. Vou ler.” Mais adiante: “Sarney tem a virtude de ser uma pessoa com convicção, fidelidade, se eu posso dizer assim, à literatura.” Ainda: “Ele gosta mesmo. Não é uma coisa feita pró forma, nem é superficial nele.”

Além de O Dono do Mar, Sarney levara um artigo publicado numa revista francesa, Commentaire, “publicação importante nas relações internacionais”, novamente elogia Fernando Henrique Cardoso. (Fundada em 1978 por Raymond Aron, intelectual reconhecido do conservadorismo europeu, no editorial de apresentação a Commentaire se apresenta aos leitores como uma “revista intelectual. Ela não é destinada a divertir, não é destinada a confortar os pré-julgamentos nem alimentar as paixões. Ela quer iluminar a inteligência.”)

A literatura seguiu na pauta da conversa por outra razão. Inédito por mais de cinco décadas, os dois volumes do Diário de Getúlio acabavam de chegar às livrarias, tornando-se obra de leitura obrigatória para os políticos brasileiros. A leitura não agradou os dois presidentes.

“Ele (Sarney) está decepcionado com o diário e tem razão, eu também estou”, escreve Fernando Henrique no encontro de 8 de janeiro de 1996.

O que incomoda Fernando Henrique é o foco do Diário de Vargas: Ele reclama da fala de horizontes intelectuais, de pensamentos profundos sobre o país. “Depois de algum tempo de leitura, é a pequena história, não se vê muito mais do que intriga, um ou outro entra e sai, não se vê o conteúdo das discussões, a visão de Getúlio sobre Brasil, nada disso deixa marca no livro.” Como se, depois dessas palavras, tivesse ficado mais à vontade na conversa, Sarney admite: “Eu já estava até arrependido de tanto que eu tinha atacado o Getúlio e fazendo a revisão de meu juízo anterior, mas agora vejo que não, que Getúlio era um homem menor”, disse Sarney.

“É verdade”, repete Fernando Henrique, que prossegue: “A leitura não mostra um homem de grande descortino nem de empenho maior com problemas do país.”

Apenas duas linhas depois, numa passagem significativa para quem acabara de se referir a um antecessor que não havia demonstrado “empenho maior com problemas do país”, o próprio Fernando Henrique derrama-se em elogios ao momento em que o país se encontrava um ano depois de sua posse: “vivemos um raro momento em que, bem ou mal, as pessoas que estão controlando os grandes órgãos do Estado, a Presidência da República, o Senado, a Câmara, são pessoas que têm noção do país. Eu disse a Sarney: ‘pois é, apesar de tudo os resultados do ano passado foram muito positivos.’ Ele concordou.”

Doze páginas adiante, nos parágrafos dedicados a 15 de janeiro, Sarney está longe. Fernando Henrique desenvolve estas reflexões sobre dois vultos da história francesa, Charles De Gaulle e François Mitterrand. Compara o papel de um e de outro, sem esconder a preferência por De Gaulle. Referindo-se a um antigo dirigente do PS que pouco a pouco abandonou as ideias clássicas dos partidos de esquerda, numa trajetória semelhante a que diversos observadores apontam no próprio FHC, ele acusa Mitterrand de ter dado “uma volta muito grande para o que hoje se chama neoliberalismo.”

De repente, entre uma vírgula e outra, Mitterrand sai de cena e em seu lugar aparece Getúlio para ser comparado com De Gaulle. Apontando um ponto positivo na personalidade de De Gaulle, Fernando Henrique encaixa uma crítica repentina a Getúlio. De Gaulle, escreve, “tinha uma ideia de morte, de quem quer entrar para a imortalidade.” Num raciocínio separado por uma vírgula, Fernando Henrique abandona Mitterrand e explica que a ideia de morte mostra que De Gaulle era “diferente do Getúlio. Que a morte, como eu vi nos diários do Getúlio, era para ele uma vingança pessoal: já que eu não posso ganhar, eu ganho morrendo. Se matou e ganhou.”

Getúlio encerrou o seu Diário em 1942, ou doze anos antes de 1954, o ano em que deu o tiro no peito, evitou um golpe militar e impediu um retrocesso que faria a roda da História andar para trás. Muitos fatos ocorreram entre a última linha do Diário e a tragédia: ele foi deposto pelos generais que havia nomeado; os Aliados venceram a guerra; a CLT se consolidou; a Guerra Fria passou a definir as relações entre potências; a Petrobras foi fundada.

Em 1996, na página 416 de seu próprio diário, Fernando Henrique registrou uma versão pessoal para o suicídio. “No caso de Getúlio”, escreve, “a visão (da morte) é a de um homem autoritário: ou aceitam o que estou fazendo ou então eu ganho nem que seja me matando.”

O “homem menor”, que cometeu suicídio por ser “autoritário”, foi um personagem típico da história dos vencidos.

Mesmo aliados históricos de Fernando Henrique tiveram outra visão sobre a tragédia, como o advogado José Gregori, que foi ministro da Justiça no segundo mandato de FHC.

Em 1954, Gregori era um líder estudantil da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, um dos centras da mobilização pela deposição de Getúlio. Chegou a participar de comícios, no Rio de Janeiro, onde fez discursos pela saída do presidente, eleito em 1951.

Décadas depois, em seu próprio livro de memórias, Gregori reconhece que participou de uma “revolução errada”, escreveu, referindo-se, com humildade, à aula de política prática recebida da massa de brasileiros pobres, trabalhadores, muitos deles pretos, que ocupou o centro das grandes cidades do país para manifestar indignação e fúria.

No livro “Pai dos pobres”, o historiador norte-americano Robert M Levine recorda um elogio a Getúlio proferido pelo presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, em discurso pronunciado no Rio de Janeiro, em novembro de 1936. Patrono da recuperação da economia de seu país, destruída pela crise de 1929, Roosevelt admitiu, publicamente, a contribuição de Getúlio para a construção do New Deal, a política econômica que privilegiava o emprego, os investimentos e protegia os sindicatos no esforço para vencer a depressão. Roosevelt atribuiu a Getúlio o mérito de ter sido “uma das pessoas que inventaram o New Deal.”


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Maranhão

José Sarney é transferido para o Hospital Sírio Libanês, em SP

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O ex-presidente José Sarney recebeu alta do UDI Hospital na manhã desta quinta-feira (14), tendo sido transferido para o Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde deverá dar continuidade ao seu tratamento e será submetido a cirurgia para correção da fratura no ombro direito, segundo a direção da unidade de saúde.

O Ex-Presidente durante a transferência se fez acompanhar pelo Médico Cardiologista Gustavo Gama.

Na última terça-feira (12), Sarney sofreu um acidente doméstico no banheiro da sua casa de veraneio, na Ilha de Cururu, na Raposa, onde sofreu uma fratura no ombro direito. Momentos após a queda, o ex-presidente foi transferido pra São Luís no helicóptero do empresário e dono da Franere Construções, Marcos Regadas, que atendeu ao pedido da família.


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Maranhão

José Sarney passará por cirurgia

Ex-senador, José Sarney.

Ex-senador, José Sarney.

Em entrevista a TV Mirante, o médico José Bonifácio Barbosa afirmou que o ex-senador José Sarney terá que ser operado em virtude da fratura que sofreu no ombro, após uma queda no banheiro da sua casa de veraneio, na Ilha de Curupu, em Raposa, região metropolitana de São Luís.

Segundo o diagnóstico, Sarney teve uma fratura de colo de úmero, ou seja, uma fratura no ombro, mas está sem problema.

“Do ponto de vista cardiológico ele está estável, com a pressão arterial controlada. De modo que ele está bem. Ele não foi operado, mas ter que ser porque ele está usando o anti-coagulante. Então, ele tem que passar uns dois ou três dias aqui para a gente poder decidir sobre como será a cirurgia”, explica o médico.

O José Bonifácio esclarece, ainda, que o motivo da cirurgia foi o comprometimento de dois fragmentos do ombro que ocasionado pela fratura. “É cirúrgico porque houve uma fratura com dois fragmentos, de modo que ele precisa de uma placa para poder sustentar os fragmentos para que haja uma consolidação no lugar adequado”, diz.

O médico acrescenta que o processo cirúrgico não é simples e que o ex-presidente ficará imobilizado por um determinado período.


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