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Joesley diz que ‘comprou’ 5 deputados para votarem contra impeachment de Dilma

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O dono da JBS, Joesley Batista, disse, em delação premiada, que atuou juntamente com o deputado João Bacelar (PR-BA) na compra de cinco deputados federais, ao custo de R$ 3 milhões cada um, para votarem contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Segundo Joesley, no dia 9 de abril de 2016, um sábado, uma semana antes da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, ele se reuniu com Bacelar. Na ocasião, segundo o delator da JBS, Bacelar disse que ‘tinha conseguido convencer 30 deputados a votarem a favor de Dilma em troca de R$ 5 milhões cada um’.

Joesley, no entanto, diz ter concordado com a ‘compra’ de apenas 5 deputados no valor total de R$ 15 milhões divididos em parcelas.

No depoimento, o dono da JBS, porém, afirma que não lembra quais eram os parlamentares que receberam o pagamento. Segundo ele, o dinheiro era distribuído por João Bacelar, e que só tinha conseguido repassar R$ 3,5 milhões.

Parte do pagamento – R$ 500 mil -, diz Joesley, ocorreu em março deste ano.

COM A PALAVRA, DILMA ROUSSEFF

A propósito das notícias a respeito das delações efetuadas pelo empresário Joesley Batista, a Assessoria de Imprensa da presidenta eleita Dilma Rousseff esclarece que são improcedentes e inverídicas as afirmações do empresário:
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1. Dilma Rousseff jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário, nem de terceiros doações, pagamentos ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos.

2. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior. Nunca autorizou, em seu nome ou de terceiros, a abertura de empresas em paraísos fiscais. Reitera que jamais autorizou quaisquer outras pessoas a fazê-lo.

3. Mais uma vez, Dilma Rousseff rejeita delações sem provas ou indícios. A verdade vira à tona.
ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF

Do Estadão de São Paulo


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Poder

Dono da JBS relatou crimes a Temer, que nada fez

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Na conversa em que gravou o presidente Michel Temer, o dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, relata uma sequência de crimes que vão de obstrução à Justiça, suborno de procuradores e compra de informações privilegiadas.

A gravação do empresário que fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR) mostra até tentativa de ter influência em órgãos que regulam e fiscalizam as atividades do grupo empresarial (assista ao vídeo acima).

Ao longo do encontro, Temer ouviu tudo e não condenou os relatos de crimes do empresário em nenhum momento. Pelo contrário, em alguns trechos da conversa, o peemedebista chegou a repetir que tava “ótimo”. Além disso, o presidente da República não mandou investigar nada.

Com desembaraço e demonstrando intimidade com o chefe do Executivo federal, Joesley pediu na conversa facilidades dentro do governo e combinou encontros na calda da noite.

Joesley Batista foi em 7 de março ao Palácio do Jaburu – residência oficial da Vice-Presidência na qual Temer ainda mora com a família – para encontrar com o presidente da República às 22h40. O compromisso não estava na agenda oficial do peemedebista.

Com o gravador no bolso, o dono da JBS registrou cerca de 30 minutos de conversa. Na vasta documentação entregue pela PGR ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores fazem uma análise desse áudio.

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No começo da visita informal ao presidente da República, Joesley informa o motivo do encontro. O empresário diz a Temer que antes estava conversando com o ex-ministro Geddel Vieira Lima e com o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, para tratar de interesses do seu grupo empresarial.

Então, o delator explica ao peemedebista que, em razão das investigações decorrentes da Operação Lava Jato, gostaria de saber com quem deveria falar, quem seria o interlocutor do presidente.

“Eu vinha falando com o Geddel ali, tudo bem, enfim, andei falando algumas vezes com o Padilha também, mas, agora o Padilha adoeceu, ficou adoentado, ai eu falei, deixa eu ir lá, pra dar…”, ressaltou Joesley Batista.

Eduardo Cunha

Após explicar o motivo da conversa, o dono da JBS entra no assunto principal: o deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso pela Lava Jato, em Curitiba, desde outubro.

Joesley Batista: Primeiro dizer o seguinte, tamo junto. O que o senhor precisar de mim, viu? Me fala. É..

Michel temer: Só esperar passar essa [inaudível]

Joesley Batista: E te ouvir um pouco, presidente. Como é que o senhor tá nessa situação toda do Eduardo [Cunha], não sei o que, Lava Jato.

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No documento encaminhado ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, os procuradores da República dizem que Michel Temer conta no encontro com o dono da JBS que Eduardo Cunha tentou fustigá-lo com as perguntas que fez na qualidade de testemunha do processo do deputado cassado na Justiça Federal do Paraná.

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O presidente da República conta ainda ao empresário que Cunha pediu a ele que intercedesse no Supremo em seu favor. Temer, então, responde que só tem interlocução com dois ministros da corte.

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Após ouvir o relato de Temer, Joesley diz que tem feito “o máximo” por Eduardo Cunha e que “eliminou pendências, que zerou tudo”. Por esse motivo, destaca o delator, está bem com o ex-presidente da Câmara.

Neste momento, Joesley Batista ouve do presidente a recomendação “você tem que manter isso, viu?”.

Joesley Batista: É. Eu queria falar assim que na (inaudível) dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui para ali, zerou tudo. E ele foi firme em cima e ele já estava lá, veio, cobrou, tal, tal, tal. Pronto. Acelerei o passo e tirei da frente.

[inaudível] Companheiro dele que está aqui, porque o geddel sempre estava…

Michel temer: [inaudível]

Joesley Batista: Geddel é que andava sempre ali, mas o Geddel [inaudível] eu perdi o contato, porque ele virou investigado.

Michel Temer: É complicado.

Joesley Batista: Eu não posso encontrar ele.

Michel Temer: É, vai com cuidado. Parece obstrução de Justiça.

Joesley Batista: Isso, isso, [inaudível] o negócio dos vazamentos, o telefone lá do Eduardo, com Geddel volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós. E não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. Como é que eu, o que que eu mais ou menos consegui fazer até agora? Eu tô de bem com o Eduardo.

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Michel Temer: Tem que manter isso, viu.

Joesley Batista: Todo mês…

Michel Temer: [inaudível]

Joesley Batista: Também… Eu estou segurando as pontas, estou indo


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