Cultura

Carnaval 2013 tem que ser só alegria

Por Marçal Constâncio Ribeiro

E não é que o tempo já passou de novo?… Parece ter sido mais rápido que qualquer cometa que atravessa a camada atmosférica terrestre. Eis que mais uma vez o ano começa, e com ele, suas oscilações sociais. Na terra do pau-brasil, o ano realmente só começa depois das grandes comemorações do rei momo… Pessoa que passa o ano todo esperando o momento certo para ganhar a chave de alguma cidade…  Por falar na festa mais popular deste país tropical, basta dar dois passos… É notório que nos quatro cantos deste chão só se vê alegria e muita folia, seja qual for o ritmo ou a fantasia. Mesmo tendo uns engravatados determinando as procedências do país para o real inicio do ano, a maioria só quer saber de verdade: qual vai ser a próxima atração e que horas o melhor bloco ou escola de samba vai passar…eita Brasil baronil!

Se fosse contado por um pescador, até duvidaria, mas desde quando me entendo como parte deste solo, que conheço a folia momesca por ser a festa da carne… E, diga-se de passagem, que seja na Marquês de Sapucaí ou na Praça da Saudade, o que não falta é carne para ser apreciada e muita das vezes até saboreada…

Mas a maior manifestação cultural do país também é alvo de criticas e sanções… Os religiosos fervorosos e radicais preferem se excluir das relações sociais, reunir-se e fazer de conta que nada de bom acontece atrás dos muros dos retiros. Para os que dizem não gostar da folia, resta um aconchego nas portas de suas respectivas casas para esperar os primeiros embriagados passarem ou simplesmente saber das novidades (leia-se fofoca) que acontecem nas variadas praças da cidade, que estão repletas de fantasias e alegria.

“Um vulcão que ferve de alegria”. Eis a definição dos quatro dias mais esperados do ano por mais da metade da população deste país, que respira os 365 dias do ano o ar das festas. Para esquecer as mazelas e a falta de tantas necessidades sociais, muitos festejam para espantar os males, cada um a seu modo: uns ultrapassam os limites do álcool, e só lembram dos fatos com a ajuda de terceiros, outros aproveitam a alegria causada pela bebida para perder a vergonha e buscar em cada metro quadrado um novo “fica”; os que vão além do “fica” veem o resultado carnavalesco só após os nove meses.

Durante o famoso reinado de momo, a única fantasia que conta é a alegria. Alegria que contagia os que acompanham os blocos, os que prestigiam ou desfilam nas escolas de samba, sujos ou não de maisena. O percurso quem dita são as batidas dos variados ritmos que ecoam diferentemente em todo o país. Para os “retirados” a alegria também é o único desejo onipresente, nas orações e manifestações de fé a um Deus que também acompanha os foliões da bagaceira… O religioso e o profano se unem na busca de um espírito leve e que contagie o próximo. Afinal, o que seria deste chão sem a diversidade, o perdão e a sinceridade? O que seria do Brasil sem o carnaval?


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