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Vale é citada em esquema de ‘propina’ com a COMEFC no MA

A logo is pictured on Brazilian mining company Vale's central sales office in Saint-Prex near Geneva June 4, 2012. REUTERS/Denis Balibouse

A mega mineradora Vale S.A. pode estar envolvida em um grande esquema de corrupção com o Consórcio do Municípios dos Corredores Multimodais do Maranhão – COMEFC.

Em um dos áudios obtidos com exclusividade pelo Blog do Neto Ferreira, a Vale é citada como recebedora de propina oriunda de obras realizadas pelo COMEFC em municípios que são cortados pela estrada de ferro Carajá no Estado.

Na última sexta-feira (11), o Blog publicou trechos de diálogos que aparecem empreiteiros negociando porcentagem dos contratos que seriam repassados para a presidente do COMEFC e prefeita de Vila Nova dos Martírios, Karla Batista e diretor do Consórcio, Dilton Carvalho. (Relembre)

No trecho a seguir, os mesmos empresários identificados como Mauro e Jozadai, agora, discutem a parte que caberá à mineradora e como será feito o repasse.

Questionado por Jozadai sobre a relação do Comefc com a Vale, Mauro diz: “lá na Vale é Dilton [Carvalho] quem negocia. O metiê ele que resolve lá“. Jozadai volta a perguntar: “ele que leva a grana para o pessoal?”

E então, Mauro começa a fazer revelações acerca de como o diretor do Consórcio, Dilton Carvalho, conseguiu o apoio da mineradora para chegar ao cargo. “olha o que ele falou para mim, Mauro, para eu ser eleito [diretor da Comefc] eu trabalhei (inaudível). Eu tive que conquistar os prefeitos para votar em mim. São 23, parece que ele teve 18 a 19 votos. E tive que fazer o ‘metiê’ com o pessoal da Vale para forçar os prefeitos não quebrar o compromisso assumido.”

O empresário completa: “porque não adianta tu só conversar com o prefeito, tu sabe que político é vagabundo para te dar uma função. Mas se tu vai lá na fonte que ilumina isso aqui. Aí o superintendente da Vale chama o cara [prefeito]: vem cá, olha tu vai ter que votar em Dilton por isso, por isso, por isso, por isso. Ele vai dizer que não? Vai perder benefícios?”

Jozadai quer saber se a Vale entra na divisão dos 10% da propina, o construtor Mauro diz que vai negociar com a mineradora, fala de repasse (propina) para prefeita e sobre uma obra de R$ 920 mil em Santa Quitéria.

“Calma, calma, calma! Mas, isso na hora que eu chegar, não vou entregar o dinheiro assim para ele- Dilton, tá aqui os $50 mil, quanto é da prefeita [Karla Batista], quanto é ter percentual, quanto é do pessoal da Vale. Aí é que nós vamos negociar. Eu to resolvendo o negócio dessa mulher aqui, to tirando ela do sufoco. O dela não é mais 10% não, o dela é só 5”, explicou Mauro.

“Ah, os 5% que sobrar…?”, Jozadai questiona. O empreiteiro detalha: “calma! Aí vai fazer o rateio entre vocês. Porque vou dizer para ele que o percentual não pode passar disso. Aí ele vai dizer: não, Mauro, mas eu negociei aqui, fulano, fulano, fulano é X. Aí é uma coisa de negociação.”

Ainda no mesmo diálogo, é detalhado o caminho do repasse da propina para a mineradora. “A gente passa o dinheiro e ele passa para os caras lá da Vale“, diz Jozadai. E Mauro confirma: “se vira.”

As revelações são explosivas e colocam a Vale como um dos personagens principais de um esquema criminoso, que foi gravado e denunciado ao Ministério Público do Maranhão.

Ouça ao áudio:


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Prefeita de Vila Nova dos Martírios nega irregularidades na COMEFC

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A prefeita de Vila Nova dos Martírios e presidente da Consórcio dos Municípios dos Corredores Multimodais do Maranhão – COMEFC, Karla Batista, emitiu nota acerca da matéria “Áudio revela propina entre COMEFC e prefeita; Vale sabia”, que foi veiculada neste Blog na última sexta-feira (11).

Karla nega as acusações e afirma que a função do consórcio é de assessoria na viabilização de convênio para os municípios. Disse também que há 1 ano e meio vem cumprindo com honestidade o papel de presidente.

Leia a nota na íntegra:

“Exercendo meu direito de resposta, venho através deste, manifestar-me quanto à publicação da matéria “Áudio revela propina entre COMEFC e prefeita; Vale sabia” na qual foram feitas denúncias de corrupção envolvendo a diretoria do COMEFC, funcionários da Vale S.A e empreiteiros.

Na manhã deste sábado (12.08.2017), fui surpreendida com as gravíssimas informações divulgadas neste veículo de comunicação que imputam – falsa e irresponsavelmente – à minha pessoa condutas ilícitas e absolutamente reprováveis enquanto Presidente do Consórcio dos Municípios dos Corredores Multimodais do Maranhão – COMEFC -, informações estas obtidas por meio de gravação telefônica que retrata diálogo entre terceiros, ainda não identificados, das quais jamais tive conhecimento e que de já afirmo minha repulsa e indignação.

Exerço a Presidência do COMEFC há quase um ano e meio cumprindo com vigor e honestidade a função a mim confiada. Durante todo esse período diversos projetos foram conquistados pelo consórcio e executados pelos municípios consorciados, beneficiando milhares de pessoas nas mais diversas áreas: saúde, educação, geração de emprego e renda, aquisição de ambulâncias, dentre outros.

Esclareço que, diferentemente do que se alega na gravação (e que retira a credibilidade da narrativa), a função do consórcio é meramente de assessoria na viabilização de convênios, apresentação de projetos e, posteriormente, nas prestações de contas, competindo a cada ente consorciado (município), observadas as balizas de legalidade, moralidade e transparência, a celebração, execução e pagamento dos contratos firmados para realização das obras e serviços conveniados.

Ressalto que não compactuo e nem tolero o mal feito, e afirmo que serão imediatamente investigados e apurados os fatos narrados, de modo a responsabilizar os envolvidos nas esferas cível, criminal e administrativa, acaso constatado o mínimo lastro de veracidade na denúncia.”

Karla Batista Cabral

Prefeita Municipal de Vila Nova dos Martírios


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Áudio revela propina entre COMEFC e prefeita; Vale sabia

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Prefeita de Vila Nova dos Martírios e presidente da COMEFC, Karla Batista

Áudio, obtido com exclusividade pelo Blog do Neto Ferreira, revela um escândalo de corrupção, que envolve a diretoria do Consórcio do Municípios dos Corredores Multimodais do Maranhão – COMEFC, funcionários da Vale S/A e empreiteiros.

A COMEFC é presidida pela prefeita de Vila Nova dos Martírios, Karla Batista, e tem como diretor administrativo Dilton Carvalho Ribeiro. Ambos aparecem como personagens principais em uma conversa sobre licitações que se dá entre 2 empresários do ramo da construção.

O Consórcio do Municípios dos Corredores Multimodais do Maranhão – COMEFC tem a participação de 22 municípios percorridos pela Estrada de Ferro Carajás no Maranhão, com o objetivo central de melhorar o nível do IDH-M dos municípios no raio de ação da Ferrovia.

O diálogo trata de um esquema de propina que seria repassada para Karla Batista e Dilton, que comandam a rede de fraudes, para que contratos fossem firmados com tais empresas.

De acordo com trechos do áudio, o diretor e a presidente receberiam 10% em propina, cada um, pelas obras realizadas pelo Consórcio e a Vale estava sabendo de toda a articulação. “HN1*- O financeiro disso aqui quem resolve é o Consórcio. Não é o prefeito que paga.” E o HN2* questiona: “quem paga é o sr. Dilton?” E o HN1 responde: “É! Quem paga é ele. 5 a 10 dias está na conta. A vantagem disso aqui, cara, é que você tem certeza que o valor daquela obra está guardado lá para você receber.”

HN2 volta a perguntar: “é a Vale né?” HN1 confirma: “E você não tem que ta correndo atrás de prefeito, dessa loucura que a gente vive não. Porque tu sofre com isso. Você senta numa cadeira, o prefeito entra por uma porta, sai por outra, e tu tá la.” HN2 quer ter certeza que o contrato é de confiança e questiona: “mas a prefeita de Vila Nova [dos Martírios] já está tudo acertadinho?” E o HN1 garante: “tudo, tudo, tudo casado.”

Ainda desconfiado da situação, HN2 quer saber se a Vale está sabendo da negociação: “e o pessoal da Vale está por dentro?” E o HN1 volta a dizer: “tá! Claro que o pessoal da Vale tem que está sabendo.” Então, HN2 pergunta: “então, quem (inaudível) o pessoal da Vale é a gente ou o Dilton?” E o HN1 confirma e fala que a ponte entre a Vale e a Karla Batista é o diretor Dilton: “Dilton! Ele que é a ponte”.

Em outra parte da conversa, os empreiteiros tratam sobre os valores que tem que repassar para a prefeita de Vila Nova dos Martírios e como se daria esse repasse. Dialogam também acerca de obras a serem realizadas no município e o orçamento das mesmas que são contempladas pelo Consórcio.

HN2 pergunta: “tu tem o valor das obras lá, de Vila Nova [dos Martírios]?” HN1 diz que sim: “tenho! Dá 3.200.000 milhões essas obras lá. Reforma e manutenção.” HN1 completa: “De reforma e manutenção de escola. De construção, quer dizer. Reforma e manutenção e outra é construção.” HN2 questiona: ” Dá 3.200.000 [milhões]?” E o HN1 garante:”3.200.000 [milhões]! Foi o que ele [Dilton] me falou no período.”

E os dois continuam com acertando as negociações. HN2 – “Sim! Vamos só acertar! A gente dá esse dela. Quanto é o percentual da prefeita lá?” HN1 afirma: “não tem percentual dela. Esse percentual é os 10%. Mas se conseguisse, no caso 150 [mil], entraria no valor dela os 10%. Que se der os 40% de 3.200.000 vai dar certinho. Vai dar 180 mil né? Não seria isso? Ela receberia 150 [mil], aí ficaria 30 [mil] para gente pagar depois, só que não pagaria agora. Esses 30 [mil] a gente pagaria no final da obra.”

HN2 tenta entender os cálculos: “ah, então deixa eu ver. Lá tem 3.200.000,00 milhões de obras em Vila Nova dos Martírios.” E HN1 explica: “isso. No P0. Coloca no P0 que vai precisar de R$ 150 mil.” E HN2 questiona: “vai ter que dar 150 mil para Karla?” HN1 detalha o motivo: “é! Para resolver o problema jurídico dela.”

E a partir disso os empreiteiros começam a fazer os cálculos para saber quanto terão que dar como propina. HN1: “aí vamos lá. O valor da obra aí. [Ele faz conta para saber o valor exato que tem que repassar para prefeita]” HN2, confuso, pergunta: “então, desses R$ 128 mil seria?” E HN1 reponde: “os 40%. É 1.280.000,00 milhão”.

HN2: “ah, a Vale vai liberar R$ 1.280.000,00 milhão. A comissão da prefeita quanto?” HN1 responde: “seria os 10% do valor [3.200.000,00 milhões], R$ 320 mil”. HN2 volta a questionar: “então, R$ 320 mil seria a comissão dela. Então, a gente receberia da mão da prefeita 1.280.000,00 milhão que a Vale pagaria…”

HN1 explica mais uma vez: “R$ 150 mil, que a gente já passou para ela. É! Nós já não passamos 150 para ela? Ela não receberia nada aqui. Ficaria conosco o dinheiro. E ela só iria receber a diferença de 320 para 150, que dá 170 no final do trabalho.” HN2 ratifica: “quando terminasse as reformas das obras dela a gente pagaria”. E HN1 fala: “isso! A gente pagaria o restante”.

Em tempo: *HN1 e HN2 são os empreiteiros que não foram identificados pelo Blog.

Ouça a íntegra do diálogo abaixo:


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