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Delegado revela novos suspeitos de envolvimento em crime de grilagem de terras

Do iMirante

O delegado Carlos Alberto Damasceno, chefe da comissão que investiga crimes de grilagem de terras, na região metropolitana da capital, disse em entrevista ao jornalista Roberto Fernandes, no programa Ponto Final, na rádio Mirante AM, revelou a existência de uma outra quadrilha de estelionatários, que usa escrituras públicas frias para compra e venda de terrenos na área do Araçagy, além dos municípios de Paço do Lumiar e Tutóia. Segundo o delegado, esse novo grupo, ainda sob investigação, tem ligação direta com o corretor de imóveis Elias Orlando Nunes Filho, de 58 anos, e do ex-vereador do município de Paço do Lumiar, Edson Arouche Júnior, o Júnior do Mojó, de 43 anos. A polícia chegou a esses nomes após checagem de documentos.

O delegado Carlos Alberto Damasceno. Foto: Reprodução

O delegado Carlos Alberto Damasceno. Foto: Reprodução

O delegado disse, ainda, que nenhum dos suspeitos de integrar o novo bando está na cadeia. Eles prestaram depoimento no prédio da Supervisão de Áreas Integradas de Segurança Pública (Saisp), no bairro do Turu.

O primeiro a depor, segundo a Polícia Civil, foi o atual presidente da casa de show Clubão da Cohab, Raimundo Nonato de Almeida, de 63 anos, que, de acordo com as investigações, teria se utilizado de três carteiras de identidades falsas para produzir 29 escrituras públicas. “Em uma das cédulas, ele se passava por Raimundo Nonato Silva”, contou o delegado.

Raimundo de Almeida, ainda de acordo com as investigações, teria feito todo o esquema fraudulento se utilizando ainda de um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de uma empresa chamada Lee Jiai, cujo proprietário, Lourenço Moura Rodrigues, que foi morar no Ceará, chegou a ser preso há dois meses, em uma rápida passagem por São Luís. Ele esclareceu desconhecer essas fraudes e acabou liberado por falta de provas.

Sobre a empresa Leei Jiai, o delegado disse tratar de uma empresa do comércio varejista de móveis e equipamentos em geral, cujo Lourenço afirma tê-la fechado em 2006, mas esquecido de dar baixa. “A partir daí, a fraude foi iniciada”, explicou Damasceno.

O delegado Carlos Damasceno ressaltou que a empresa Lee Jiai contratou os serviços da empresa OI, que liberou trinta linhas telefônicas que foram distribuídas a membros da quadrilha.

No inquérito que se encontra na delegacia de Defraudações, a OI descobriu que fora vítima de uma fraude. A empresa sustou as linhas telefônicas e reclama de uma dívida superior a R$ 70 mil.

Outro suspeito. Também foi ouvido ainda, na sede da Saisp, um homem identificado como Oscar das Neves Coutinho, que teria ajudado o presidente do Clubão a vender as escrituras públicas falsas.

Questionado sobre os compradores desses terrenos irregulares, o delegado Damasceno disse que muitos são coniventes com as fraudes e também estão sendo interrogados.

– Há indícios de compradores que tinham conhecimento da fraude praticada por essa quadrilha. Eles estão sendo investigados e se, constatado envolvimento no crime de grilagem de terras nas áreas nobres das regiões de Araçagy e Paço do Lumiar, podem responder por falsidade ideológica e formação de quadrilha – assegurou.

A comissão, que apura crimes de grilagem de terras, é também composta pelos delegados Joviano Furtado e Pedro Adriano Menezes.


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