Poder

Antonio Noberto recebe o título de ‘Cidadão Ludovicense’ na Câmara

Blog do Michel Sousa

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O escritor Antonio José Noberto da Silva, membro-fundador da Academia Ludovicense de Letras (ALL), e também membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), recebeu o título de Cidadão Ludovicense, na Câmara Municipal de São Luís nesta segunda-feira (14).

A solenidade foi presidida pelo vereador Marcial Lima (Pen), no Plenário Simão Estácio Sá, por volta das 14h30. A proposição do título foi do vereador Marcial Lima que durante o discurso ressaltou a importância do trabalho de Antonio Noberto.

“O Noberto tem um trabalho social na Zona Rural de São Luís, ele é muito ligado aos movimentos e dialoga com os representantes dessas comunidades que anteriormente faziam inúmeras interdições ao longo da BR-135, ele tem esse reconhecimento. Além do trabalho impecável que faz em assessorar a PRF e obviamente como escritor e divulgador da cultura maranhense e ludovicense”, afirmou o vereador.

Na sequência, o escritor agradeceu a presença de amigos ao plenário. “É a coroação de um trabalho de muito tempo, de décadas aqui no Maranhão, seja na PRF ou na parte cultural. Eu já era cidadão de Guimarães, uma cidade maranhense, mas eu não era de São Luís, minha luta é muito em São Luís . Eu sei do potencial que a nossa cidade tem e eu tento demonstrar isso por meio do meu trabalho”, disse.

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SOBRE NOBERTO

O idealizador da “Exposição França Equinocial para sempre” nasceu em Pentecoste–CE em 30 de agosto de 1970. Filho de Henrique Firmino da Silva e Raimunda Noberto da Silva, aos sete anos veio com a família para São Luís. Publicou seu primeiro livro em 1994, sendo intitulado “A influência francesa em São Luís”. Em 2006, lançou “Só por uma estação: uma viagem ao Brasil”. Em 2012, junto com a exposição, lançou o livro “França Equinocial: uma história de 400 anos”.


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Poder

O Maranhão francês sempre foi forte e líder

Por Antônio Noberto

Antônio Noberto

Antônio Noberto

O Maranhão é pioneiro. Ainda nos anos mil e quinhentos, a Ilha Grande, então Upaon-Açu, era o principal porto e lugar de comércio do Brasil setentrional. Nativos e estrangeiros, principalmente franceses, comercializavam e patrocinavam uma linha quase regular de navegação “entre Dieppe e a Costa Leste do Amazonas”. No último quartel daquele século, o que era apenas um posto de comércio, sem maior raiz, tornou-se morada definitiva dos corsários gauleses, vindos de Dieppe, Saint-Malo, Havre de Grace e Rouen, que aqui deixavam seus trouchements (tradutores) que viviam simbioticamente com os tupinambás (escreve-se sem “s” mesmo). Entre estes estava David Migan, o principal líder francês desta época. Ele era o “chefe dos negros” (índios) e “parente do governador de Dieppe”. Tinha a seu dispor cerca de vinte mil guerreiros silvícolas e residia na poderosa aldeia de Uçaguaba (atual Vinhais Velho), apelidada de Miganville. Vale lembrar que, nesta época, o último reduto português era a fortaleza do Natal, edificada em 1599 por Mascarenhas Homem com a participação de Jerônimo de Albuquerque. Todo o Brasil setentrional estava completamente abandonado pelo colonizador luso e, portanto, nas mãos de comerciantes de outras nações, aí também incluídos ingleses, holandeses, espanhóis, escoceses, dentre outros. Este abandono fez o historiador maranhense João Lisboa declarar no livro Jornal do Tímon que os franceses não invadiram o Maranhão. Eles ocuparam uma terra vaga, desabitada, e que os donatários régios de Portugal e Espanha estavam sujeitos às penas de comisso, pois já se passara mais de um século sem as terras terem sido ocupadas. Na virada do século, segundo o padre e cronista Luis Figueira, que escreveu sua penosa saga na Serra de Ibiapaba, os franceses no Maranhão contavam, inclusive, com “duas fortalezas na boca de duas grandes ilhas”. Uma destas fortificações, por certo, era o Forte do Sardinha, localizado no atual bairro Ilhinha, nos fundos do bairro Basa em São Luís. Esta, em mãos portuguesas, foi nomeada de Quartel de São Francisco, que deu nome ao bairro. Servia de proteção ao lugar, em especial, a Uçaguaba, reduto de Migan.

Os corsários franceses deste período não descansavam. Jacques Riffault, Charles des Vaux, David Migan e Adolphe de Montville, na companhia de centenas de outros navegadores e selvagens de diferentes tribos, se faziam presentes nos mais diversos recantos do Norte e Nordeste brasileiro, geralmente entre o Potengi e o Amazonas. O interior do Maranhão era bem conhecido por eles. O Mearim, Itapecuru, Munim, Grajaú, Tocantins e tantos outros eram vias utilizadas que ligavam o interior maranhense com o litoral e a Europa. Nos outros recantos, a história faz menção a eles no constante comércio com os potiguaras, no porto do Rifoles – na margem direita do Rio Potengi, onde foi construída a Base Naval Brasileira em 1941, nomeada inicialmente de Base Naval do Rifoles –; nos dois ataques à Fortaleza do Cabedelo, na Paraíba, realizadas em 1591 e 1597. Nesta última, Migan foi gravemente ferido, mas sobreviveu. Foram eles que fundaram o núcleo urbano de Viçosa do Ceará, sendo que a cidade ainda hoje conserva os topônimos do legado francês. As duas principais ruas da cidade são: José Siqueira ou Rua Paris e Rua Pedra Lipse, que acessa o principal ponto turístico do município, a Igreja do Céu. O Pará e o Rio Amazonas eram lugares bem conhecidos destes navegadores. Quando Francisco Caldeira Castelo Branco partiu do Maranhão para fundar Belém (1615) levou consigo Des Vaux e Rabeau para auxiliarem na navegação e nos primeiros contatos com os índios de lá.

No período fundacional a liderança continuou, desta feita, em mãos oficiais, através dos Generais Daniel de La Touche de La Ravardière, François de Razilly e Nicolas D’harlay. No Maranhão e terras vizinhas não se fazia guerra a outras tribos sem a aprovação dos ditos generais. A partir da França Equinocial o Maranhão passou compreender parte do Ceará (desde o Buraco das tartarugas – Jericoacoara), o que foi referendado pelo governador geral do Brasil e, poucos anos depois, quando da divisão do Brasil, em 1621, estendendo o território até o Mucuripe, serviu de marco para a criação do Estado do Maranhão, com capital em São Luís compreendendo ainda o Ceará e o Grão-Pará. Tal divisão era praticamente igual aos limites extra-oficiais do empreendimento capitaneado por La Ravardière.

Hoje estes lugares freqüentados pelos franceses fazem marketing de graça para o Maranhão, pois conservam esta história através da literatura e do turismo. Na Fortaleza de Santa Catarina (antigo Forte do Cabedelo-PB) nos panfletos distribuídos aos visitantes, constam os ataques franceses ao lugar. Em Viçosa do Ceará (lembre-se que o Ceará não nasceu no litoral, mas em Viçosa em razão das investidas gaulesas ao local) os principais livros de história são fiéis a este momento. De um deles transcrevemos: “a ocupação de Viçosa teve início quando os franceses vindos do Maranhão em 1590… estabeleceram um núcleo urbano com o apoio das tribos da Serra Grande”. Em Belém, no Forte do Castelo, marco inicial do estado, hoje transformado em museu, um dos painéis mostra a precedência de Daniel de La Touche na região, o estabelecimento da França Equinocial para, em seguida, surgir a capital paraense.

E não parou por aí. No século XIX França e Inglaterra ditaram muito dos modos e costumes dos maranhenses, que mantinham com seus gostos e gastos duas colônias estrangeiras. Vivia-se o conforto inglês e o luxo francês. Muitos comerciantes afluíam de diversas regiões para comprar “o que de mais novo chegava de Paris no último vapor”. O comércio caminhava a reboque dos ideais iluministas que faziam a cabeça da população. E esse modelo alienista foi implantado porque os jovens das famílias abastadas “iam, não raro, formar-se na Inglaterra e na França” (SPIX e MARTIUS, 1981, p.246), prevalecendo, contudo, o modo de vida copiado de Paris.

Era de São Luís que “exalavam os ares de civilização” para toda a parte norte do Brasil, pois não era de se admirar que os estrangeiros a vissem como a quarta cidade brasileira, “a Princesa em meio à Plebe das cidades nortistas.” (TOURINHO, 1990, p.23), e para onde inúmeros visitantes, com os mais diversos interesses, afluíam. Por conveniência, citamos o que nos conta George Gardner em seu livro “Viagem ao Interior do Brasil”, onde menciona que um amigo seu, vindo de Oeiras, então capital da Província do Piauí, “embora major do exército era negociante e tinha vindo comprar mercadorias européias” em São Luís.

Nossa história, por si só, responde a alguns questionamentos sobre o perfil histórico dos maranhenses, em especial, dos ludovicenses. Tanto luxo e abastança têm raízes muito antigas, não é de hoje. Não é à-toa que temos o casario mais pomposo do Brasil colonial. Refiro-me não a quantidade, mas a qualidade dos edifícios. Observemos os de Recife e Salvador, por exemplo. Não é por acaso que novelas (Da cor do pecado) e filmes (Carlota Joaquina), que retratam o período colonial, foram gravados em São Luís. O coroamento de tudo isto veio na frase do francês Paul Adam no início do século passado ao chamar São Luís de “A cidadezinha dos palácios e porcelana” – La petite ville aux palais de porcelana.

Nas últimas décadas, mesmo sem apoio governamental, esta história insiste em não morrer. Como certa vez disse o historiador Mário Meireles “A maior presença de franceses em São Luís é a prova material de que a França Equinocial nunca acabou”.

Com tantas possibilidades de geração de emprego e renda através da história e do turismo, é contraditório andarmos “com o pires na mão” mendigando a demanda alheia, como se fôssemos um não lugar, sem história e sem rumo.

O quadricentenário é o melhor momento para resgatarmos nosso papel de líder, ao menos no cenário regional. São Luís tem plenas condições de ter políticas de turismo próprias, trabalhando em parceria, porém sem esquecer que o cetro da liderança continua a nosso dispor. A um estalo de dedos.

Um pouco de visão e coragem poderá fazer toda a diferença.

Antônio Noberto
Pesquisador, consultor em turismo, Membro do Conselho diretor da Aliança Francesa de São Luís.


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Cidade

Antônio Noberto toma posse no Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

Antonio Noberto

Antônio Noberto

Tomou posse, no último dia 28 de outubro, na condição de mais novo membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, o vimarense honorário Antônio Noberto. O escritor ocupa a cadeira nº 43, patroneada por Tasso Fragoso.

No início de seu discurso, Antônio Noberto destacou que ser escritor no Maranhão é ser visionário:

“Ao observarmos sob tal óptica concluímos que, nós desta casa, trilhamos na direção certa. Optamos pela literatura, cultura, conhecimento e razão. Optamos por criar, inventar”, disse o escritor.

No discurso, o escritor destacou a obra do vimarense Sousândrade, do índio Amaro, do Cumã, e de Maria Firmina dos Reis, que dedicou toda a sua vida a Guimarães, onde está sepultada:

“Faz um mês que o escritor, diplomata brasileiro e membro do IHGB, Vasco Mariz, dizia-me que viu do seu apartamento, na orla da zona sul do Rio de janeiro, a réplica da nau dos 500 anos navegando”.

Estiveram presentes à solenidade o presidente da Câmara Gilmar Avelar, os vereadores Osvaldo Gomes, Ataide Junior e Lourdes Camargo, o escritor vimarense Paulo Oliveira, membro do IHGM, e um grande número de intelectuais, amigos e familiares do novo membro do IHGM.

Com informações do Vimarense


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Cidade

O Plano de marketing turístico de São Luís poderá se tornar um mico

Por Antonio Noberto

Tenho um amigo europeu consultor que comandou por muitos anos a pasta do turismo da cidade de Saint-Malo (pronuncia-se sã-malô), na região da Bretanha. O município tem população equivalente à de Rosário – MA, uns cinqüenta mil habitantes, mas recebe cerca de quatro milhões de visitantes por ano. É muita gente! Ele, Jean-Claude Weisz, nas muitas vezes que esteve em São Luís, não entendia e, por isso, não cansava de perguntar sobre o porquê do nosso baixo desempenho no turismo. E sempre repetia: “Vocês dormem sobre um tesouro e não estão sabendo”. Ele conhece muito bem os nossos números. Sabe que o PIB turismo do estado não chega a um por cento, sendo, portanto, quase desprezível comparado com os demais setores da economia.

Na última semana, confesso que fiquei sem entender ao ver a exposição do Plano de Marketing turístico de São Luís, apresentado no Hotel Luzeiros, no Farol de São Marcos. Foi uma festa bonita, com muitas autoridades e atores do turismo. Espantei-me não pelo que vi na bela exposição do renomado consultor e ex-presidente da EMBRATUR, Eduardo Sanovitz, pois contemplava muitas ações importantes, mas pelo que não vi. Fiquei animado quando o consultor disse aquilo que já dizíamos a mais de uma década, quando compúnhamos o Conselho de Turismo na condição de presidente da ABBTUR/MA – Associação Brasileira dos Bacharéis de Turismo, seccional Maranhão – que nosso maior atrativo é cultura e não natureza. Visualizei ali uma continuação magistral da apresentação. Tudo aquilo que sempre preguei insistente e incansavelmente para o turismo do Maranhão. A alavanca efetiva, propulsora que iria deslanchar nosso turismo e nos tirar do período agrário e dos ofícios estava para ser anunciado pelo senhor Sanovitz. Ele iria anunciar boas propostas para atrair milhares de estrangeiros. Iria dizer que “o rio sempre corre para o mar”, que a demanda francesa é o nosso grande público potencial e a nossa janela escancarada para a entrada de euros e empregos. Mas isso não aconteceu. Minguou, morreu na praia. Não acreditei. Ele mostrou o bê-á-bá que todos conhecemos: que o nosso maior público ainda é o público maranhense, aqueles que vem do interior para fazer algum tipo de negócio; que se hospeda na casa de parentes e amigos; que procura mais as praias, etc. Mostrou os treze maiores atrativos potenciais: acervo colonial, manifestações folclóricas, gastronomia, etc., mas entre os treze não figurou o “A única capital brasileira fundada por franceses”. A apresentação de Sanovitz não fez nenhuma menção sobre a atração do público estrangeiro. Mas precisa apresentar estratégias para esta demanda real e potencial. Do contrário o plano permanecerá manco, incompleto e sem sentido. Só para inglês ver. Um marketing batido, inferior até aos outros apresentados em outros tempos, que também não surtiram efeito, mas ao menos não era incoerente. Este é incoerente porque, apresentado em razão das comemorações dos quatrocentos anos (de fundação de São Luís pelos franceses), não visualizou as oportunidades que o quadricentenário trará para uma maior atração do fluxo francês.

Atualmente, os dirigentes do turismo de São Luís estão tentando direcionar as políticas públicas para os italianos. A Itália, é verdade, não obstante estar atravessando sua maior crise financeira em décadas, tem boa presença no Brasil. O Sul do país, por razões históricas – principalmente a migração novecentista, recebe grande número de italianos, alemães, poloneses, suíços, etc. Fortaleza, em razão da oferta de sol e praia, também vem apostando nos italianos. Os benefícios do investimento, no entanto, vem sendo questionados em razão das muitas mazelas atraídas pelo turismo natural, como alta degradação, exploração sexual e sazonalidade. Os italianos devem sim ser alvo das nossas políticas de turismo de São Luís, mas não como público estrangeiro preferencial, vez que eles buscam natureza e não o histórico-cultural, nosso maior atrativo.

Historicamente, todos sabem, existe uma ligação umbilical entre maranhenses e franceses. E isto remonta o início dos anos mil e quinhentos. Depois veio o período fundacional, o século XIX, chamado “o século do luxo” e continua atualmente através da atividade turística. Os dois são parceiros seculares a ponto dos moradores locais trazerem no próprio adjetivo gentílico a marca do entrosamento secular – o termo ludovicense vem de Ludovico, Luís, o rei da França, em latim. E esta história permanece encravada nos gestos, na vaidade (para o bem e para o mal) e na memória coletiva da população. Não é por acaso que São Luís tem a frota de veículos mais nova do país, a menor população obesa, dentre outros. Isto, em grande parte, legado da história simbiótica franco-maranhense.

Estamos a menos de um ano das comemorações e nada foi feito de divulgação na França. Nada foi feito para resgatar a história gaulesa no Maranhão. A França Equinocial é um dos três capítulos mais bonitos da história colonial brasileira (ao lado das Missões jesuíticas do Sul e do Brasil Holandês). Que pecado! Se continuar assim, em um futuro não tão distante, a história cobrará e pedirá contas aos atuais gestores de São Luís.

São os franceses que há décadas sustentam muitos dos empregos e a renda dos hotéis de São Luís. São eles que, apesar da ausência de políticas públicas direcionadas ao público francês, insistem em querer conhecer este lugar estabelecido pelos seus ancestrais e aqui deixam euros que circulam e ajudam a economia da cidade. Mas o valor do fluxo francês é muito mais potencial que real, até porque quase ninguém fez nada de positivo para atraí-lo. Se algum dia disponibilizarmos políticas públicas aos gauleses eles virão aos montes e aqui deixarão muita riqueza e empregos.

Nós já tentamos, não faz muito, atrair turistas portugueses para São Luís através de vôos charters, mas a iniciativa acabou não tendo continuidade. Dizem que eles eram muito exigentes e sempre queriam as coisas de graça. Agora, contraditória e inexplicavelmente, é a vez dos italianos, que não vem para o Brasil à procura de história e cultura e nem possuem relações históricas maiores (além das eclesiásticas, é claro) com os maranhenses. A gente torce para dar certo, mas a experiência diz que nadar contra a correnteza é mais difícil.

Fui informado por um dos coordenadores que acompanharam a elaboração do atual Plano de marketing que aquilo que foi apresentado no Hotel Luzeiros é apenas a parte nacional e, só no ano que vem, é que deverão ser elaboradas estratégias para o público estrangeiro (e até agora só se fala em italianos), mas aí, “mano”, já será muito tarde. Isto já deveria ter sido iniciado, pelo menos, desde o ano passado.

Se o Plano de Marketing não contemplar de alguma forma (e a tempo) o público francês, será um mico. Será como organizar uma grande festa para alguém e esquecer-se de convidá-lo. Pior que isso, convidar outro em seu lugar e ainda prestar-lhe reverência. Será um prejuízo, em longo prazo, para a população e para os cofres públicos do município e do estado. O não convite dos franceses para a festa entrará, como sempre falam os apresentadores do Globo Esporte, para o “inacreditável futebol clube”, além de não contemplar os interesses da cidade.

Eu continuo aqui, depois de me dedicar por quase quinze anos ao estudo da França Equinocial e da Fundação de São Luís, conhecedor, portanto, do grande potencial do título de “única capital brasileira fundada por franceses”, pronto para colaborar para que cheguemos a bom termo nas comemorações do quadricentenário, que deverá ser um ajuntamento de todas as “tribos e raças”.

Talvez os gestores não saibam, mas já existe um trabalho bem encaminhado de resgate da memória da França Equinocial e da Fundação francesa de São Luís, que precisa entrar na pauta dos quatrocentos anos. E sem os gauleses no ano que vem o evento será incoerente, deselegante e até um mico grosseiro. Eu e meu amigo Jean-Claude continuaremos “sem entender” o porquê do nosso baixo desempenho no turismo.

*Pesquisador, consultor em turismo e membro do Conselho diretor da Aliança Francesa de São Luís.


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