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Vídeo: genro de desembargador relata que foi monitorado

O advogado Marcelo Mota, genro do desembargador Guerreiro Júnior, revelou, em entrevista exclusiva ao Blog do Neto Ferreira, que foi monitorado pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão. Mota e a sua esposa, filha do magistrado, foram citados em uma das denúnicas do delegado Ney Anderson como alvos de grampos ilegais da SSP (reveja aqui). O monitoramento ocorreu logo após a soltura do agiota Pacovan, cliente do escritório de Fernanda Guerreiro.

De acordo com o causídico, os monitoramentos ocorreram por algumas vezes, sendo uma percebido pelas câmeras de vigilância da sua residência e outro ocorrido em um show, onde foi seguido por pessoas em vários lugares. Os fatos foram levados ao conhecimento do delegado Ney Anderson, que à época era chefe do Departamento de Combate ao Crime Organizado, órgão da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic). “Eu percebi em duas ocasiões: uma em casa, percebi nas minhas câmeras carros passando, os mesmos carros passando repetidamente pela rua da minha casa e em outro momento em um show que eu estava eu percebi que estava sendo monitorado, todo lugar que eu ia com a minha esposa essas pessoas acompanhavam como se fosse de forma ocasional, mas eu percebi que era que estava sendo monitorado”.

Mota ressaltou que os alvos não seriam ele e a esposa, mas sim Guerreiro Júnior. O advogado também cogita que a motivação das monitorações seriam o descontentamento da SSP por algumas decisões judiciais proferidas pelo magistrado.

“Eu tenho certeza que deve ter algum descontentamento por alguma decisões judiciais do aparelho de Segurança que pode ter motivado isso, não tenho como afirmar que ele [desembargador Guerreiro Júnior] foi monitorado ou não, porque dr. Guerreiro é uma pessoa íntegra, não tem grandes patrimônios, vive do salário dele normal, tem uma vida simples, não teria subsídios que determinassem uma investigação, mas eu tenho certeza que houve um monitoramento pq eu percebi que estava sendo monitorado e com certeza o alvo não seria eu ou minha esposa, a intenção deles seria exclusivo o dr. Tiago Bardal quando veio ao meu escritório, após ter saído da Superitendência [Estadual de Investigações Criminais], ele me relatou que tinha ordens para me monitorar, tanto eu quanto minha esposa, quanto outros parentes de desembargadores”, declarou Marcelo Mota.

Marcelo cobrou também uma postura mais incisiva da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão no caso. Para ele a entidade tem obrigação moral de posicionar perante aos fatos e pedir uma investigação mais aprofundada sobre a espionagem contra a classe jurídica.

O advogado pediu que seja aberto o sistema Guardião para apurar se houve o monitoramento ou não.

Procurada pelo Blog, a OAB-MA declarou que continuará a exigir a apuração rigorosa por parte do Poder Público de todas as denúncias, nas quais acusação o secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, de ordenar grampos ilegais a desembargadores, assessores e familiares de magistrados.

“Sobre as denúncias de suposta espionagem a magistrados e seus familiares, que veio à tona por meio de denúncias do ex-delegado Tiago Bardal e do delegado Ney Anderson, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Maranhão, ratifica seu compromisso com a defesa do Estado Democrático de Direito, no qual é imprescindível o respeito às normas jurídicas e o combate à todo e qualquer excesso ou abuso. Nesse viés, continuará a cobrar do poder público que todas as denúncias sejam apuradas com rigor, responsabilidade e prudência, respeitando-se o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal constitucionalmente assegurados.”

A Secretaria de Segurança Pública foi procurada, mas não se pronunciou até o fechamento da reportagem.


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