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Remédios perdem validade em galpão enquanto faltam em hospitais de São Luís

Do G1,MA

Medicamentos da Secretaria Municipal de Saúde de São Luís (Semus) guardados em um almoxarifado localizado em um galpão na BR-135 perderam a validade enquanto remédios similares faltam nos postos de saúde da capital maranhense.

Fotos comprovaram que as caixas com remédios estão fechadas e que os produtos não foram distribuídos. Um ex-funcionário do almoxarifado confirmou o caso e contou que a Secretaria de Saúde de São Luís foi avisada quando os produtos ainda estavam próximos do vencimento, mas nada foi feito.

“Através de reuniões, e-mails… a gente sabia, né? Um funcionário informava e tentava resolver, mas nunca houve nenhuma solução para o caso e ficou por isso mesmo”, informou o funcionário, que não quis se identificar.

Um e-mail encaminhado pela empresa terceirizada que administra o galpão para a supervisão da Secretaria Municipal de Saúde pede orientações sobre o que fazer com os produtos vencidos em estoque e uma lista de remédios e produtos que passaram do prazo de validade e se estragaram.

Na lista estão medicamentos para tratar diarreia, dermatite ou candidíase e micoses; crises de refluxo, vômitos ou pra aliviar náuseas; além de água para autoclave, um equipamento para esterilizar artigos hospitalares. Um funcionário de posto de saúde que preferiu não se identificar contou que os medicamentos da lista estão constantemente em falta.

“É comum sim. Eu trabalho na Prefeitura e sei que isso falta. Duvido e aposto com qualquer um que todas as unidades tenham essa medicação… apropriada para entregar para a comunidade”, contou.

Um memorando encaminhado à Secretaria também avisou sobre o vencimento de 103 mil unidades de sulfato ferroso compradas em 2016. O sulfato ferroso é uma vitamina para tratar anemia e usada por mulheres grávidas. Esses e outros remédios que deveriam ter sido distribuídos nos hospitais e postos de saúde de São Luís têm feito falta à população.

“Às vezes a gente vai e eles dizem que pra gente ir aguardando… e nisso aí vai passando o tempo e a gente nunca consegue o medicamento. Um descaso com a população porque às vezes a gente não tem nem condições, né?”, afirmou a autônoma Rosicleia Segadilha.

A Secretaria Municipal de Saúde disse que instaurou sindicância para apurar a responsabilidade pelo ocorrido e editou uma portaria nomeando uma comissão técnica para conduzir o processo de incineração dos medicamentos de acordo com as normas sanitárias, evitando os riscos à saúde e ao meio ambiente. À TV Mirante, a secretaria não respondeu sobre a falta de medicamentos nos postos de saúde.


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