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Codinomes indicavam posto político na lista da Odebrecht

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Nem só para recebedores de propinas, caixa 2 e outros pagamentos indevidos a Odebrecht inventava codinomes. Os cargos aos quais cada beneficiário concorria também eram codificados. A cada eleição, a lógica mudava.

Houve ano em que a hierarquia “eclesiástica” foi adotada. Concorrentes a governador eram chamados “bispos”; a deputado estadual, “padres”. Em outro pleito, a inspiração foi o organograma militar, com “capitão” designando candidatos ao Executivo dos estados, e assim por diante.

A estratégia foi revelada por Benedicto Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, nos depoimentos de delação premiada. Ele explicou que os nomes constam das planilhas organizadas pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, área que organizava o pagamento de propinas, ao lado da alcunha dada a cada político.

O método era importante para que os executivos soubessem o cargo que estavam em jogo na eleição. Quanto maior o posto, mais dinheiro se justificava dar. Questionado sobre alguns termos em determinada planilha, Benedicto explicou:

— Nesta eleição, provavelmente, a forma de codificar os cargos era por cargo eclesiástico. O pessoal da área de operação falava: ‘bispo’ é um candidato a governador, ‘padre’ é candidato a deputado estadual.

FUNCIONÁRIOS TAMBÉM TINHAM CODINOMES

Codinomes também eram gerados para os próprios funcionários da Odebrecht que operavam o sistema Drousys, gerenciador das ordens de pagamentos de propinas, com servidor na Suíça.

Alguns dos operadores da plataforma digital mencionados por delatores são identificados como Waterloo, Tisarina, Charles. Hilberto Mascarenhas, um dos delatores, disse em documento entregue à Lava-Jato que ele era o Charles.

Com informações d’O Globo


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