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Aparelho de escuta é encontrado no gabinete de Barroso, do STF

O equipamento foi descoberto há cerca de duas semanas, durante uma varredura de rotina feita nos gabinetes dos ministros.

O Globo

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A Secretaria de Segurança do Supremo Tribunal Federal (STF) descobriu um aparelho próprio para realizar escuta ambiental dentro do gabinete do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). O equipamento foi descoberto há cerca de duas semanas, durante uma varredura de rotina feita nos gabinetes dos ministros. O material estava desativado e foi encontrado dentro de uma pequena caixa, debaixo da mesa do ministro. Não se sabe há quanto tempo o aparelho estava no local.

O equipamento está em posse da Secretaria de Segurança do tribunal, que se recusa a prestar qualquer informação adicional sobre o caso. O gabinete do ministro informou que o caso está sendo apurado. Entretanto, a assessoria de imprensa do STF declarou que não será investigada a origem do equipamento, ou quando ele foi colocado no local. Por questões de segurança, o tribunal não informa qual a periodicidade das varreduras nos gabinetes dos ministros.

Barroso integra o STF desde junho de 2013. Antes dele, quem ocupava o gabinete era o ministro Joaquim Barbosa, hoje aposentado. Como as varreduras são realizadas com frequência, é pouco provável que o equipamento estivesse no local antes da aposentadoria de Barbosa. Embora tenha ficado surpreso com a escuta, Barroso encarou o episódio de forma leve.

— Se alguém ouviu, ficou sabendo que aqui no nosso gabinete a gente trabalha muito e com bom humor — disse o ministro.

Barroso foi o relator do acórdão da decisão tomada pelo STF em dezembro do ano passado que definiu o rito do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O ministro também é relator das execuções penais dos condenados no processo do mensalão. Em março, o ministro esteve nos holofotes por ter criticado o PMDB, pouco antes de Dilma ser afastada do cargo.

Sem saber que estava sendo filmado, Barroso lamentou a falta de alternativa para comandar o país – e citou como exemplo foto publicada pelos jornais em que caciques do PMDB anunciavam a debandada do governo Dilma. A declaração foi dada a alunos da Fundação Lemann, que foram recebidos em audiência por Barroso no tribunal.

— Quando, anteontem, o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e: Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder. Eu não vou fulanizar, mas quem viu a foto sabe do que estou falando— declarou Barroso.

A foto à qual o ministro se referia estampava figuras notórias do partido – em especial, o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), o senador Romero Jucá (RR) e o ex-ministro da Aviação Eliseu Padilha. Os dois últimos viraram ministros do presidente interino Michel Temer na semana passada.

— O problema da política neste momento eu diria é a falta de alternativa. Não tem para onde correr. Isso é um desastre. Porque, numa sociedade democrática, a política é um gênero de primeira necessidade. A política morreu. Talvez eu tenha exagerado, mas ela está gravemente enferma. É preciso mudar — disse o ministro na ocasião.


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