Poder

Se há vitória, ela é do povo

Por Abdon Marinho

Como costuma dizer meu amigo Dr. Pêta, esse governo não parelha. Falo do governo federal, embora o estadual não fique atrás. Vejam vocês que apesar do ‘chega prá lá’ em pleno Itaquerão, na abertura da Copa do mundo da FIFA, eles ainda tentam por todos os meios faturar em cima do evento, tirar uma ‘casquinha’ em cima do povo, tentando colocar para debaixo do tapete todos os desacertos cometidos, toda a corrupção e favorecimentos havidos e até passar a borracha em toda sua incompetência na organização do mundial.

Para evitar mais esse acinte é bom que se afirme e reafirme com todas as letras: “SE HÁ VITÓRIA, ELA É DO POVO”.

O governo usurpador que teve mais tempo que qualquer outro governo do mundo, até mais tempo e condições que a Africa do Sul, ficou foi longe de cumprir as metas estabelecidas, o tal do legado para o povo brasileiro foi convertido apenas em obras de estádios e os “puxadinhos” nos aeroportos. O resto, nada. Fizeram foi justamente o que não prometeram: enterrar dinheiro público em estádios que depois da Copa ainda não se sabe que serventia terão. As contas apontam que 96% (noventa e seis por cento) das obras dos estádios públicos ou privados saíram do nosso bolso de alguma forma, seja através do aporte direto ou dos incontáveis incentivos fiscais. Obras que sabemos custaram muito acima do valor de mercado e muitas delas chegaram ao mundial sem estarem completamente prontas, como ainda não estão. Na Arena das Dunas, até o dia do primeiro jogo o Corpo de Bombeiros não havia liberado suas instalações para uso. Após o jogo de abertura do mundial com a vitória do Brasil sobre a Croácia, acusaram os jogadores daquele país de haverem vandalizado os vestiários, responderam na bucha: “os vestiários não estavam prontos”. Os acusadores enfiaram a língua no saco e nunca mais disseram nada.
Como vemos, nem os estádios que representavam o mínimo do mínimo os organizadores montados numa montanha de recursos públicos conseguiram entregar na forma, no tempo e como deveriam, faço um cálculo as demais coisas. Após dez dias de jogos, nos estádios e seus entorno ainda é possível ver operários arrumando, maquiando aqui e ali.

Apesar de toda sua comprovada incompetência o governo tenta faturar em cima da Copa. Quer faturar em cima do espírito cordial, festivo e alegre do povo brasileiro, que salvo algumas exceções, tem recebido de forma acolhedora os turistas; querem faturar em cima do talento dos jogadores brasileiros e estrangeiros que têm feito bons jogos. Pois é, esse governo não tem mesmo parelha.

A sociedade, no começo cética e irritada com o governo, tem deixado que o espírito cívico fale mais alto e começa a manifestar sua alegria com a seleção, sobretudo nos bairros mais populares, embora, ao menos até onde minhas lembranças alcance nunca tenha visto tantos brasileiros indiferentes aos jogos. São esses cidadãos, anônimos cidadãos, que não lucraram como vem lucrando a FIFA, que não desviaram um centavo das fábulas que gastaram nas obras das arenas, que amargam todo dia a falta do transporte prometido e não entregue, que sofre com a falta de saúde e educação deficientes, os responsáveis pelo sucesso, até aqui, alcançado pelo evento. Esse povo brasileiro que dá de dez a zero no governo de oportunistas cínicos.
Outro dia, um dentre tantos ministros deste governo que não sabem o dizem, disse que a Copa não sentia falta das obras de mobilidade que prometeram. Parei para ler novamente pois não havia acreditado nos meus olhos. O cidadão chegou ao cinismo de dizer que estamos muito bem de transporte ao ponto de sequer sentimos falta de melhoria com tantos turistas na cidade. Não possui mesmo noção de nada. Ignoram que a abertura da copa só se deu com relativo sucesso no quesito transporte público graças ao governo de São Paulo que contrariando os conselheiros do Planalto enfrentou a greve do metrô e garantiu o funcionamento no dia da abertura.

Se até o momento temos tido uma Copa alegre e participativa – os protestos existentes e que a mídia brasileira, por dividir os lucros, faz questão de ocultar –, isso se deve ao nosso povo, se deve aos atletas, nada se deve a FIFA e ao governo.

Embora no calor da festa as pessoas já não lembrem, mas uma das frases mais inspiradas já dita por um jogador de futebol ouvi de um dos nossos na véspera do mundial numa entrevista coletiva, disse ele: “Nós, os atletas, não somos do governo”. Delimitou bem a questão.

Infelizmente, como era de se esperar o governo parece que não ouviu a colocação e tenta auferir vantagens de todo tipo no evento, até, como vimos, nos seus fracassos.

Nossa missão é lembrá-lo que a ele só pertence a parte que não fizeram ou a que fizeram mal feitas, o resto não. O sucesso menos ainda.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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