Poder

Caos, politicalha e hipocrisia

Por Abdon Marinho

Discorri em textos anteriores sobre o quanto os municípios instalados na ilha de São Luís estão despreparados para lidarem com situações de emergência, sobre o quanto a infraestrutura é deficiente e precária. Acrescentei dizendo que em matéria de obras mal e porcamente acabadas, os prefeitos da região metropolitana seriam os mais aplicados alunos da governadora do Estado.

Apesar disso, não os tiro ou atribuo a eles toda a responsabilidade pelo que aconteceu no último dia 10/05. Acompanhei da minha varanda todo o aguaceiro que caiu por estas bandas. Desde que aqui resido, e já se vão trinta anos, poucas vezes vi chuva tão intensa. Não resta dúvida que o caos poderia ser minorado em diversos pontos da ilha se houvesse uma infraestrutura melhor, o que não há, em todo caso, dificilmente se passaria incólume diante de tamanho aguaceiro.

O caos que a população viveu foi sentido em toda ilha e não apenas na cidade de São Luís. Digo isso por que chega às raias da canalhice ignorar o que aconteceu nos demais municípios apenas com o propósito de se tirar uma vantagem politico-eleitoral dos fatos ocorridos imputando ao prefeito da capital, e apenas a ele, a situação vivida. Não quero com isso isentar ninguém da sua responsabilidade, nem os prefeitos dos municípios, nem tampouco o governo do Estado.

Assim como tivemos diversos pontos de alagamentos na cidade de São Luís, por conta de obras mal feitas ou má conservadas, tivemos também as mesmas coisas nos demais municípios. Não faltaram ruas alagadas em toda parte. As MA’s que cortam ilha tiveram o tráfego interrompido em diversos pontos, na 204 e 201 só veículos mais altos se arriscavam a passar em determinados trechos, depois nem estes veículos conseguiam. O alagamento de diversas ruas do Renascença não tem como único responsável o governo governo municipal da capital, ali tem como sócio de desgraça e caos o governo do Estado que já jogou mais de 100 milhões (até onde contei) nas obras de urbanização da Lagoa da Jansen e não fez as galerias com nível ou vazão suficiente para receber todo o volume de água, sem conta que fez parte da obra mais alta que o nível da rua, tendo como conseqüência o alagamento de diversas casas do bairro. Aliás, grande parte dos problemas de daquele bairro e dos vizinhos se deve a má execução das obras de urbanização da Lagoa, executada pelo governo do Estado a um custo estratrosférico.

Não é só, diversas ruas do Maiobão, em Paço do Lumiar alagaram. Naquele bairro tem uma rua que a prefeitura já fez asfaltamento diversas vezes e todo ano as chuvas levam. Casos idênticos aconteceram nos últimos temporais e acontece também no Município de São José de Ribamar.

Em resumo, em matéria de gestores que não sabem ou não fazem bem o dever de casa, não é apenas a capital que está sendo bem servida, esta é uma sina que acompanha praticamente todos os municípios maranhenses e que têm com professor da disciplina o governo do Estado. E isso não é de hoje, todos nós estamos cansados de saber.

Se são devidas as críticas ao gestor da capital? Sim. São devidas. Não pelo caos de ontem – que reputo além de suas possibilidades –, mas por todo o resto de obras mal feitas, nojentas até, e que não minoraram estes e tantos outros caos que assistimos quase que diariamente. Assim como são devidas as críticas aos demais gestores e a gestora estadual que também tem responsabilidade e que não fica devendo nada a nenhum dos piores gestores municipais.

O que não se pode tolerar é essa politicalha infame, essa hipocrisia desabrida que faz com que vejam os defeitos da gestão da capital mas que os tornam cegos para enxergar os defeitos da gestão de São José de Ribamar, de Paço do Lumiar, da Raposa e do governo estadual. Observem que os mesmos críticos que vêem os milhões gastos em obras da capital, por esse gestor ou pelo anterior, sem que estas obras surtam os efeitos desejados ou almejados pela população, nada dizem sobre a centena de milhões gastos na Lagoa; nada dizem sobre os mais de um bilhão que o governo estadual está jogando na lama com obras de recuperações asfálticas horrorosas em diversos municípios do interior.

No caso da capital a situação chega a ser patética. Antes criticavam o gestor anterior elogiavam o atual; depois passaram a criticar o atual e a elogiar o anterior; agora, por conta das conveniências políticas, criticam a ambos. Se um ou outro mudasse de lado ou simplesmente utilizassem de qualquer outro “convencimento”, estou certo que não veriam quaisquer defeitos, ainda que eles (os defeitos) estivessem gritando nas ruas da capital.

Encerro dizendo que o grande problema do Maranhão é que os políticos, na verdade, estão pouco se “lixando” para os problemas do povo. Só enxergam suas conveniências políticas pouco se importando se hoje estão com sicrano, beltrano, etc. Mudam de lado como quem muda de roupa e ainda conta com uma choldra a defender-lhes e a fazer coro com a bandalheira.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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