Poder

Ousadia ilimitada

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Meus amigos que acham que os condenados pelo STF no escândalo do “mensalão” são meras vítimas das elites que manipularam a justiça e os meios de comunicação terão mais um dissabor, motivado mais uma vez pela ousadia ilimitada destes grandes “líderes”. Os mais lúcidos reconhecendo a corrupção desenfreada, acabavam por justificar seus companheiros com a justificativa de que os desacertos, os malfeitos ou outros eufemismos para justificar os atos apurados, comprovados e punidos, foram missões da causa. Os heróis, os guerreiros, sacrificaram suas vidas, seus interesses pessoais, numa missão pelo bem do país. Muitos incautos e até pessoas motivadas pela boa-fé, acabavam aceitar com complacência os abusos perpetrados. Confesso que em algum momento, motivado pela boa-fé das pessoas de bem, dei algum crédito de confiança, a essas histórias, até por consideração aos amigos, que afiançavam com tanta convicção a inocência daqueles. Claro que isso ficou para trás com a conclusão do julgamento e descortinar das provas. Ainda assim ficava a dúvida sobre o enriquecimento pessoal.

Outro dia escrevi sobre o suspeito emprego oferecido por um hotel ao Sr. Dirceu. Porque um salário tão acima do mercado? Que capacidade teria o apenado para recebê-lo? Que tipo de serviços prestaria ao empregador?

Em princípio pensei que se tratasse da contratação de um “lobista” de luxo. Alguém que usaria da influência, que sempre fez questão de exibir, para retribuir a gentileza, ou ainda, alguém que usaria durante o expediente o permissivo legal garantido aos apenados para continuar a prática dos crimes. Porque não? O que impediria? Quem vigiaria o apenado no local? Quem vigiaria o vigiador?

Alguém comentando o texto cantou essa pedra que o jornal nacional tem divulgado desde ontem. Dizia o comentário que esse hotel pertenceria, de fato ao apenado, através da operação Panamá. Vi e não acreditei. Seria muita ousadia. Seria também uma prova de extrema burrice ou falta de cautela. Será não imaginaram que um empregão desses, com esse salário, chamaria a atenção? Será que ainda presos, continuam a apostar que essa é uma terra de ninguém e que algo assim passaria na boa?

Os fatos que estão vindo a público no bojo desse excesso de confiança não são apenas graves por revelar a prática criminosa de pessoas tão importantes da República, que valendo-se dos artifícios de vis delinqüentes, traficantes e outros de iguais naipes se utilizam para ocultar o produto dos seus crimes. Esses mesmos artifícios, ao menos, a primeira vista, parece ser o mesmo utilizado pelos nossos “guerreiros” para ocultar o produto da corrupção, da traficância de influência, dos desvios de dinheiro público.
Uma investigação mais aprofundada, talvez venha a descobrir a origem e o caminho do dinheiro que falta no nosso país. Soterrará, em definitivo, a história da carochinha de que era a “causa”, o bem do Brasil, e essas histórias todas que iludem os tolos e os puros de boa-fé.

Ao que parece estamos diante de uma pataguada, muito semelhante aquela urdida pelo Sr. Collor, com a sua operação Uruguai. Essas pessoas juram amar o Brasil mas sempre correm para os paraísos fiscais em busca de socorro para justificar seus negócios mal contados.

Impressiona como os criminosos não resistem a um exibicionismo. São jóias, carrões, mansões, palácios, roupas de moda, e todos os luxos. O Sr. Dirceu não resistiu a “aurea” de ser um criminoso “modelo”, tão especial ao ponto de arranjar um emprego capaz de causar inveja não apenas aos seus padeiros de Papuda como aos cidadãos de bem que sempre levaram um vida reta e obediente a lei. Talvez essa essa deformação do caráter dos criminosos tenha ajudado o Brasil a descobrir o que essas pessoas, que foram para os presídios como se fossem para uma colônia de férias ,o que efetivamente são: criminosos, bandidos comuns, que extorquiram a nação sem qualquer propósito nobre. Roubaram como todos os demais, para ficarem ricos, para exibirem o produto dos seus delitos à vista de todos.

Sosseguem meus amigos, são apenas bandidos comuns e como tais querem continuar a dirigir seus negócios durante o cumprimento das penas, como fazem o Fernando Beira-Mar, o Marcola e outros próceres do submundo.

Felizmente, ao menos por enquanto, estes ao menos na aparência, estão fora do alcance dos cofres públicos. Cuidemos dos outros que estão soltos e na ativa.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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