Poder

Técnico de prestígio

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Há uma máxima no futebol que é a seguinte: quando se diz que um técnico está prestigiado na verdade está se dizendo que a sua queda é iminente. Isso ocorre geralmente quando time não vai indo muito bem. Demite-se o técnico para que outro, com mais talento, experiência ou sagacidade organize o time e consiga um resultado melhor.

Pois bem o exemplo futebolístico encerra por aqui. No Maranhão, como dizia Vieira, desde os meados dos anos 1600, até os céus mentem. O que dizer então da lógica ou racionalidade?

Na esteira da violência que tomou conta da ilha esse fim de semana, a governadora inverteu toda a lógica, até mesmo a lógica simples do futebol, ao invés de demitir o técnico, demitiu o time. Confesso que nunca tinha visto alguém demitir o time ao invés do técnico. Mas no Maranhão é assim que acontece.

Não estou aqui dizendo que o comando militar não devesse ser demitido. Até acho que deveria. Tanto isso é verdade que parte da tropa festejou. Entretanto essa mudança deveria vir junto com a mudança do técnico.
A responsabilidade pela condução da política de segurança, até do ponto de vista legal é do secretário. A cúpula das policias, militar e civil, cumpre é seque a política determinada pelo secretário. Se não seguia ou se a mesma não apresentou o resultado esperado a responsabilidade é do chefe e não do subordinado.

O secretário determinou uma política e ela não foi cumprida ele próprio deveria demitir o subordinado, colocar o indigitado no “banco”. Pelo que li aqui a presidente do clube passou por cima do técnico e escalou outro time para continuar o jogo. Algo me parece fora de ordem.

Vivêssemos outros tempos, se o superior demitisse os subordinados, sem que essa fosse uma medida requerida pelo chefe, como parece ter sido o caso em tela, esse chefe pediria para sair junto com os subordinados e não como se deu, pelo menos pelo li.

Li que a governadora determinou a demissão dos subordinados do secretário mantendo-o no cargo. Isso sendo verdade, trata-se de caso de falta de compostura do secretário que permitiu que demitisse sua equipe e ao invés de pedir para sair junto com ela, agarrou-se ao cargo. Como isso é possível? Ontem o secretário reuniu com essas mesmas pessoas a quem agora foi comunicar suas exonerações. É normal exonerar, o anormal é manter o chefe das diretrizes traçadas e demitir os executores das medidas. Será que vivemos dias em que o rabo balança o cachorro e não contrário e não me avisaram? Rsrs. Como é que outro time seguindo as instruções do mesmo técnico vai mudar o estilo de jogar? Já vi muitos técnicos fazerem um time, nunca vi foi um time fazer um técnico. Há uma impropriedade nisso que está acontecendo.

Ao que me parece, digo isso baseado na noticia que li, o secretário tornou-se uma figura decorativa dentro da estrutura da secretaria, um menino de recado com a missão de transmitir as ordens da governadora.

Impressiona o apego que tem esse cidadão ao cargo. Qualquer outro, com um mínimo de brio, tivesse a equipe a que conduz, demitida pediria para sair junto, assumiria a responsabilidade pelo ocorrido, ainda que sem culpa, por não ter sido um bom condutor da missão. Diferente do que possa parecer, o secretário, neste episódio, só se enfraquece e coloca em risco a segurança do estado e de sua população.

O modelo de segurança que temos já se apresenta absurdamente incapaz de combater qualquer tipo de crime. A reação do estado a criminalidade deve ser firme e incisiva, deve sufocar o crime e todas as suas manifestações. É isso que não se vem fazendo. O estado tem se mostrado omisso neste quesito. Esses desacertos que culminam no que assistimos são os grande responsáveis pelo clima de insegurança que vivemos.

O técnico, de fato está prestigiado, tanto que a governadora demitiu o time e manteve o manteve. A próxima medida será proibir a violência por decreto.

Abdon Marinho é advogado eleitoral


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Um comentário em “Técnico de prestígio”

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