Poder

Mensalão: epílogo, sobre notas, cartas e imagens

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

O Brasil está mesmo perdido. O STF é composto, nos termos do artigo 101 da Constituição Federal, por onze Ministros, escolhidos dentre os cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. Diz mais: Os Ministros dos Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. É assim, com todas essas amarras e envolvendo tantas pessoas que é formado o STF.
Pois bem, ao teor das notas, cartas e imagens exibidas após a decisão do STF de mandar que os condenados no processo do “mensalão” comecem a cumprir suas penas (muitas delas excessivamente brandas), querem nos fazer crer que a mais alta Corte da República é composta por pessoas que não possuem os requisitos necessários para ocupar tão elevados cargos, uns tontos, insensatos, com motivações subalternas. Negar até a morte, fingir indignação é direito que todos têm. Os irmãos Cravinho ainda hoje se dizem inocentes, os Nardoni idem, Até Fernadinho Beira-Mar, e o Camacho, líder do PCC, juram inocência, apesar de continuarem delinquindo mesmo dos presídios. É direito dos réus, condenados, encarcerados se dizerem inocentes. Agora, como querem os senhores Dirceu, Genoíno e o seu partido, são mais quinhentos.
Dizem em suas notas/cartas que são vítimas de grave injustiça, que são prisioneiros políticos. Vejamos: a mais alta Corte de Justiça do país passa oito anos instruindo um processo, dois anos só às voltas com um julgamento, e não foi capaz de aquilatar a culpabilidade de cada um a ponto de mandar encarcerar tão inocentes figuras? Estamos perdidos.
O Sr. Genoíno embora mais lacônico nas palavras, foi infinitamente mais espalhafatoso nos gestos, ridículo até. A imagem dele, ao sair de casa, com uma capa de super-herói é um monumento a estultice. Então ele se acha o super-homem? acima de todos? numa posição de superioridade?
Já o Sr. Dirceu, mais longa que os textos que escrevo (rsrs), repetiu pela enésima vez os mesmos argumentos que os ministros, a grande maioria, em alguns casos quase a unanimidade rechaçaram. Nós estamos falando dos onze cidadãos que, nomeados pelo presidente da República foram aprovados pela maioria do Senado Federal, na grande maioria das vezes aprovados quase que a unanimidade, possuindo o notável saber jurídico e a reputação ilibada. Apesar disso, após oito anos de análise não se deram conta da inocência patente deste senhor? Estamos perdidos.
Faltou defesa a ele e aos demais, apesar de haverem constituído as mais caras e famosas bancas de advogados da nação? Acredito que não.
Os punhos erguido dos prisioneiros é um sinal de acinte as instituições e aos cidadãos de bem. Uma afronta aos princípios democráticos.
A nota do partido também não escapa ao ridículo. Vejam, eles dizem que seus militantes nada fizeram de errado, que são prisioneiros políticos, que os ministros foram pressionados. Como é isso? Eles presidem a República há dez anos. Presidem uma ditadura? Só ditaduras permitem prisioneiros políticos ou por crimes de opinião. Os Ministros do STF não possuem os requisitos para julgar e julgaram sob pressão? A grande maioria não foi indicada aprovada e nomeada por eles e por sua sempre generosa maioria no Congresso Nacional.

Afrontam as instituições democráticas com um discurso mentiroso como se não tivessem compromisso com a Constituição que o seu governo jurou defender e respeitar. É assim que defendem e respeitam a Constituição, jogando lama sobre suas instituições?

Uma derradeira observação. O ex-presidente Lula (aquele mesmo que quando estourou o escândalo, naquela famosa entrevista dada da Europa ao fantástico, reconheceu que o partido teria cometido erros e que os culpados deveriam ser punidos com os rigores da lei) ao saber da expedição dos mandados de prisão teria ligado aos seus aliados, Dirceu, Genoíno e Delúbio (?) para dizer: “Estamos Juntos”, esse “estamos juntos” assemelha-se em gênero, número e grau com o comercial de uma famosa montadora de veículos. Aposto que ele não vai ajudar a lavar o carro.

Esse povo gosta mesmo é de insultar a inteligência de nós outros.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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