Poder

Os guerreiros e os derrotados

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Hoje cedo, logo que abri o computador, passei a olhar minhas pastas de fotos, milhares de fotografias, umas recentes outras mais antigas, momentos felizes, outros médios, outros nem tanto, revi pessoas que partiram para outro plano, pessoas que partiram para outras cidades, outros estados, pessoas saíram de minha vida sem avisar, sem dizer adeus ou até logo. Todos tiveram seu papel, encenaram, saíram de cena, de uma forma ou de outra. Esse post não é sobre isso. Algum dia talvez escreva sobre o assunto. Esse post é sobre uma questão que me assaltou enquanto via as fotos, as pessoas que partiram para um outro plano.

Pensava nisso. Conheci e conheço tantas pessoas que não dão valor a vida, que não lhes dão nenhuma importância, que atentam contra a própria, de forma deliberada ou por vias involuntárias.

Gostaria de entender essas pessoas. Como é que, tendo saúde, sendo capazes, cometem tantos desatinos, contra sua saúde, sua existência? Queria entender que mecanismo de autodestruição é esse que impele as pessoas a se destruírem ou que não as impede de buscar sua destruição. Os vícios, os mais variados. A irresponsabilidade de pegar um veículo e ir dirigir sem qualquer condição, sem qualquer preocupação com o mal que pode causar a si e aos outros. Nossas estatísticas são alarmantes, muitas pessoas, sobretudo os jovens, têm um comportamento destrutivo, auto e exo. Não acredito que alguém pegue um carro, por exemplo, a intenção de matar. Entretanto qualquer um é capaz de compreender que em determinadas condições isso pode acontecer. Aliás, isso fatalmente acontecerá. Assim como acontecerão diversas outras formas de destruição caso se pratique determinadas condutas.

São pessoas que nasceram vitoriosas, com saúde, boas condições, disposição, atléticas, etc., e no entanto, e apesar de tudo que a vida lhes deu escolhem trilhar o caminho da derrota, da destruição. Gostaria de entender como se deixam derrotar assim.

Por outro lado, talvez para fazer o contrapeso, conheci e conheço pessoas guerreiras. Pessoas que acometidas por dificuldades físicas, por enfermidades e outros males, encontram num sopro de vida uma razão para lutar, que não buscam e que não atendem ao chamado da morte, ainda quando esta insistente e sem trégua tenta lhes levar. Essas pessoas guerreiras, têm tanta energia, tanto vigor interior que os olhos (essas janelas da alma) transbordam de esperança nas mais ínfimas vitórias. Fazem da esperança uma bandeira para cada conquista, ainda que seja um ano, um mês, um dia, uma hora, um minuto ou um segundo a mais. Essas pessoas que não possuem nada além da esperança de continuar a luta são os verdadeiros exemplos de vida aos quais devemos nos mirar e aprender. Para elas, a vida, a quem tantos não dão a mínima, é sim um motivo em si para continuar a luta, é sim o um motivo justo para não desistir nunca, para que se apegue a cada fio de esperança e o transforme num cabo de aço nesta batalha. São tantas as lições que ensinam e que as vezes não lhes atribuímos importância. A maior delas é que a vida é um bem em si e que não precisa de qualquer complemento. Ensinam que se você tem saúde, você pode conquistar tudo que desejar. Bastando para isso que saiba lutar por seus objetivos. Ensinam que não há limite inatingível se você não se deixa derrotar.

Crianças, jovens e adultos que lutam a luta pela vida, são exemplos de perseverança, esperança e fé. São a eles que deveríamos seguir e não a alguns babacas que apesar de possuírem tudo não possuem a própria vida, não lhe dá o menor valor. Como podem ser exemplo para alguma coisa?

Como disse, pensava sobre isso. Buscava uma razão para justificar isso. Por qual razão tantos querem morrer enquanto tantos outros apenas querem um pouco mais de vida? Por qual razão uns não lhe dão valor enquanto para outros é apenas isso o que vale?

Pensava em como seria bom se derrotados aprendessem com os guerreiros.

Bom dia e boa reflexão a todos.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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