Poder

O efeito nocivo e incontrolável dos Black Blocs

Por Milton Corrêa da Costa

A noite desta segunda-feira, 07/10, foi de terror, selvageria e destruição nos centros do Rio e de São Paulo. A reboque da atual e duradoura greve de professores, no Município do Rio de Janeiro, surgem novamente em cena, com a prática de atos de vandalismo e desordem, os Black Blocs. Nesses cerca de três meses de atuação, as nefastas ações praticadas pelos mascarados de tal grupo radical (dois deles tinham ordem de prisão por assalto e foram detidos recentemente), que tiveram início com as manifestações pacíficas contra o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, culminaram com as lamentáveis cenas de violência no feriado de 7 de setembro -inclusive em diversas localidades do país- onde podemos enumerar as consequências danosas trazidas para a ordem pública e para a população carioca ou para os que transitam pela cidade do Rio de Janeiro, além das consequências futuras para os próximos grandes eventos programados para o Rio, em especial a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Eis os efeitos danosos que podemos constatar:

– constantes interdições de trânsito em vias públicas, em especial no centro do Rio de Janeiro, na Avenida Rio Branco, em dias de semana, muitas vezes em horários de pico, impedindo o direito de ir e vir da maioria, num trânsito já diariamente lento e congestionado;

– consequentes engarrafamentos de trânsito com reflexos em áreas circunvizinhas ao centro da cidade causando atraso no deslocamento de passageiros para suas atividades ou retorno ao lar, o que gera situações de irritabilidade e estresse;

– constantes interdições de vias e do túnel Santa Bárbara, no bairro de Laranjeiras, por ocasião das manifestações nas proximidades do Palácio Guanabara, com grandes reflexos na circulação viária no entorno;

– invasão de prédios públicos, inclusive o Palácio Guanabara; registre-se a tentativa de invasão ao prédio do Fórum no centro do Rio e ainda a recente pichação do prédio da Câmara dos Vereadores e tentativa de incendiar tudo que encontram pela frente, culminando com a queima total de um ônibus no centro do Rio nesta segunda-feira, 07/10 e o ataque à sede do Clube Militar;

– criação de uma ambiência de medo difuso e concreto, no seio populacional, com possibilidade de cada cidadão. mesmo que não participe, ser a próxima vítima de lesões causadas durante os protestos;

– ambiência de medo e clima de tensão, além de transtornos causados aos moradores da rua Pinheiro Machado e ruas e bairros adjacentes;

– desvalorização, neste momento, de imóveis e lojas comerciais da região do entorno do Palácio Guanabara;

– consideráveis prejuízos financeiros causados ao patrimônio público e a comerciantes dos bairros de Laranjeiras, Lapa e Centro, inclusive a proprietários de restaurantes e agências bancárias;

– prejuízos ao setor de turismo, onde a rede hoteleira da cidade já registra cancelamentos de pacotes para a Copa do Mundo;

– dificuldades para a Polícia Civil, ante a frouxidão da lei penal brasileira, em manter presos manifestantes conduzidos à delegacia policial durante os protestos;

– desgaste físico e psicológico de integrantes da Polícia Militar diretamente empregados na difícil missão de restauração da ordem pública e enfrentamento a manifestantes agressivos, em especial o grupo Black Bloc, inclusive com horas extensas de trabalho aos policiais, em razão da ação por vezes prolongada das manifestações e atos de vandalismo;.

Estas são, em síntese, as consequências danosas já causadas pelo grupo radical anárquico Black Bloc, que afronta a ordem pública e ameça o patrimônio público e privado e a incolumidade de cidadãos ordeiros e que as forças legais de segurança têm tido muita dificuldade em contê-lo.

A pergunta que fica é: Se o 7 de setembro foi de extrema violência e vandalismo e tais atos prosseguem rotineiramente, o que poderá ocorrer nos trinta dias de Copa do Mundo no ano que vem? Que as forças legais de segurança, portanto, planejem-se e preparem-se para duros e tensos dias de trabalho. A grave perturbação da ordem pública não pode incorporar-se à rotina da vida brasileira. Falta uma legislação mais dura que possa manter no cárcere, por longo tempo, os arruaceiros do Black Bloc. A sociedade ordeira assim o exige.

Milton Corrêa da Costa é tenente coronel da PM do Rio de Janeiro na reserva.


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