Poder

Front de guerra

Por Abdon Marinho

Outro dia li numa coluna que jornalistas brasileiros merecem muito mais o título de correspondentes de guerra que muitos jornalistas que estão em áreas de conflito ao redor do mundo. achei a colocação pertinente.
Tanto que diante disso resolvi nesta postagem chamá-los assim.

E os nossos correspondentes de guerra informam as últimas notícias daquele país tropical ao Sul de Equador e que vai receber milhões de turistas no ano que vem. Vamos a elas: bandidos armados de fuzis fazem arrastão e assaltam dezenas em área nobre do Rio de Janeiro. Na mesma cidade um engenheiro erra o caminho e alvejado por traficantes.
Já em São Paulo foi um analista de sistemas que está internado em estado grave após escapar de um assalto. Os bandidos insatisfeitos com o pouco dinheiro que a vitima tinha, cem reais, lhe atearam fogo, para escapar da morte certa ele saltou do carro em movimento. Ainda na capital paulista, semana passada um arrastão de meliantes provocou pânico em centenas de passageiros na saída do aeroporto de Congonhas.

Você não precisa ir muito longe para saber que vivemos numa situação de guerra, pior o inimigo pode lhe atacar a qualquer momento e em qualquer lugar. Apesar disso o país investe bilhões em estádios esportivos para sediar uma copa do mundo. Já nem falo que o evento só nos dará prejuízos, que se colocarmos na ponta do lápis investimento e retorno a conta ficará longe de fechar, já não falo que nossa participação nos dois eventos (copa e olimpíada) será pífia. Isso só não ver quem não quer. O que me preocupa no momento é a segurança que o país vai oferecer aos visitantes, pois nós a patuleia, já estamos a costumados a sair de casa sem saber se voltaremos.

Em todos os cantos do Brasil há um recrudescimento da violência. Tomemos como exemplo o Rio de Janeiro, até as áreas festejadas como pacificadas, as poucas áreas, apresentam níveis elevados de violência. Em dezenas de setores da cidade a polícia não consegue entrar. Balas de fuzis são disparadas por qualquer motivo e a qualquer hora, sobretudo durante a noite, podendo acertar inocentes, como de fato acerta quase sempre. No morro do alemão, bastou a rede globo sair de lá com sua equipe de filmagem, capitão não sei o que à frente para que os bandidos metessem bala até numa passeata pela paz.

Há pontos da cidade onde se mata uma pessoa por ela ter errado o caminho. Essa cidade vai receber grandes eventos, copa das confederações, jornada da juventude, copa do mundo e olimpíada, só para citar os que lembro agora.
Até uma província, como a nossa, possuem números relacionados a violência que nem toda a nação em guerra ostenta.
Ainda assim e apesar disso, o que ver nas TV’s, nos jornais, nos rádios, são apelos ufanistas, como se se tivesse algo a festejar ou a comemorar. Numa sociedade onde os cidadãos estão trancafiados em casa e os bandidos soltos nas ruas, roubando, estuprando, molestando e matando, por tudo e por nada, soa como piada (sem graça) o convite vem pra rua, que a rua é a maior arquibancada do Brasil (o melhor comercial do ano, é verdade).

Ao dizermos essas coisas as autoridades acham que estamos sendo pessimistas, ou torcendo contra, não, não é isso. Na verdade estamos vendo o que as autoridades deveriam está vendo e tomando providências. Ao invés de lotearem o governo entre seus aliados, deveriam está fazendo o dever de casa, garantindo as coisas mais elementares para os cidadãos. Saúde, segurança, educação. Podiam começar por ai e não pelo circo armado e pelo pão dormido. O problema é que para as autoridades não interessa o serviço correto, sério e de longo prazo. O que querem é o espetáculo, a grandiloqüência, o apelo ao patriotismo chinfrim, o resto que se dane, o que são milhares de vida em troca de uma eleição?

É isso. E viva o circo!


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