Poder

Torcedores assassinos amedrontam a sociedade

Por Milton Corrêa da Costa

Como se não bastassem os atos de violência, perpetrados por perigosos narcotraficantes, que ameaçam permanentemente a paz social, como no caso da Favela do Rola, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, colocando sob constante risco de vida moradores da localidade e policiais que ali intervém, torcedores de futebol (bandidos arruaceiros) acabam de protagonizar, no último domingo (19/08), antes da partida entre Vasco e Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, no bairro de Tomás Coelho, subúrbio do Rio, mais um violento episódio onde, no confronto mortal, previamente agendado em redes sociais, foi assassinado o torcedor vascaíno Diego Martins Leal, de 29 anos.

O conflito começou momentos antes do jogo, quando torcedores do Flamengo desceram de um ônibus, vindo de Resende, no Sul Fluminense, e ao passarem por um grupo de torcedores do Vasco, concentrados num porto de gasolina localizado na Rua Silva Vale, resolveram saltar para confrontar. Diego foi morto no interior de um bar. Um torcedor do Flamengo ficou ferido. O primo de Diego presenciou o crime. “Deram cinco disparos, e ainda deram facada nele. É uma violência que não acaba, briga de torcida organizada. Tinham marcado pelo Facebook”, destacou. Cerca de 60 suspeitos de participarem da briga foram detidos e levados para a 44ª DP (Inhaúma). O principal suspeito foi também identificado e preso pela Polícia Militar, sendo ainda apreendidos fogos de artifício. Num outro confronto entre torcedores, no bairro de Jacarepaguá, seis deles foram feridos, sendo dois a tiros. Sete suspeitos foram presos.

Esta é, pois, a ameaça real e concreta que a população pacífica está sujeita, em razão dos combates mortais, que tornaram-se rotina fora dos estádios, empreendidos entre facções criminosas que mancham o futebol pentacampeão do mundo, que irá sediar a Copa de 2014. Profundamente lamentável que pseudotorcedores, bandidos de carteirinha, que almejam não torcer ou apoiar de forma civilizada seus clubes, extravasem insitintos tão vorazes e assassinos. Estamos falando de marginais que vestem camisas de tradicionais clubes, que usam arma de fogo e ferramentas próprias para o crime, não de torcedores que efetivamente amam seus clubes.

Só resta saber agora se da porta pra fora de casa os pais (responsáveis) têm ciência da participação de seus filhos em tais grupos criminosos e o que fazem para monitorá-los e orientá-los. Depois não adianta alegar que foram surpreendidos pelos lamentáveis episódios de sangue, vandalismo e afronta à ordem pública. Tais jovens são tão bandidos quanto os narcotraficantes o são, agindo também acobertados pelo anonimato do grupo.

A sociedade brasileira permanece, portanto, sob a ameaça dos valentões homicidas integrantes de “torcidas organizadas para o crime”. Até quando?

Milton Corrêa da Costa é tenente coronel da reserva da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.


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