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A infidelidade conjugal pode motivar a vingança diabólica de matar e esquartejar?

Um tiro na nuca do marido, em seguida o esquartejamento do corpo com sangue por todos os lados.

Por Milton Corrêa da Costa

Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 38 anos, formada em Direito, está presa em nome da lei. Confessou à polícia, nesta quarta-feira 06/06, o bárbaro assassinato do marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos, com quem tem uma filha. O fato se deu no interior do apartamento em que residiam, na Zona Oeste de São Paulo, em 19 de maio último, tendo a homicida dispensado os serviços da empregada e da babá da filha momentos antes da cena diabólica. Crime certamante premeditado, apesar de Elize ter alegado em sua defesa ( indefensável) ter sido vítima de agressão durante uma discussão. Um tiro na nuca do marido, em seguida o esquartejamento do corpo com sangue por todos os lados (passaram-se dez horas entre o crime, o esquartejamento e a saída do apartamento com o corpo mutilado) desvencilhando-se do corpo, já separado por membros, em sacolas plásticas e transportando-o em três malas com rodinhas (as câmeras do circuito interno do elevador mostraram), para finalmente jogá-las numa área de matagal na localidade de Cotia, Grande São Paulo. Em princípio, a motivação do crime foi a provável comprovação de infedilidade conjugal por parte do marido.

Um crime macabro, diabólico, sanguinário, de fazer inveja ao mestre do suspense Alfred Hitchcock, que causa espanto e perplexidade em todos nós pela desproporcionalidade do ato frio, bárbaro e calculista. Uma autêntica cena (real) de filmes de terror muito em moda, tipo Jogos Mortais’ ou ‘Jogos Vorazes’. A primeira pergunta: Até que ponto o cinema, a televisão e Internet podem influenciar e criar bárbaros assassinos? Psiquiatras precisam começar a responder. Por sua vez, o crime de traição, conferiria o direito, ao cônjuge traído, como forma de saciar sua vingança ou ciúmes incontrolável, de matar pelas costas (lembremos do covarde crime do jornalista Pimente Neves contra sua namorada)? A traição será mesmo a justificativa para o crime de Elize Matsunaga ou apenas pano de fundo para em vertdade apoderar-se de um seguro de R$ 600 mil a ser deixado pelo marido? Teria a assassina sanguináriia agido sozinha para se desvincilhar das partes do corpo? Que tipo de instrumentos, perfuro-cortantes (somente faca?) foram utilizados para esquartejar o corpo? Elize Aráujo era possuidora de personalidade psicopática? Já era uma mente assassina? Ou era uma doente mental? Há histórico de vida que demonstre, até aquele macabro momento, a hiperagressividade da homicida?

São perguntas que precisarão ser respondidas pela polícia e por psiquiatras para a elucidação plena de um crime brutal com todos os requintes de perversidade, frieza e vingança. O pior é que tais delitos, envolvendo infidelidade conjugal, têm sido rotina entre casais. Algumas vezes o enredo de crimes semelhantes tem outro fim trágico. Na madrugada de 02 de fevereiro último, um empresário. que acabara de assassinar a facadas sua mulher, suicidou-se, também a golpes de faca (provavelmente a mesma usada para matar a mulher) num quarto de um motel em Belo Horizonte. Onze minutos depois de assassinar a mulher, uma procuradora – os dois filhos pequenos estavam em casa- o empresário entrou sozinho no motel e se matando com 28 perfurações de faca no corpo. A causa da tragédia a infidelidade conjugal do marido. A mulher descobriu que ele tinha uma amante e queria a separação. O marido não aceitava. Depois de beber naquela noite cometeu o bárbaro crime e se matou, provavelmente arrependido pela insensatez cometida.

As perguntas que ficam são: Será que a infidelidade conjugal, pelo modo mais lógico, humano e racional, não deve ser resolvida pelo direito do cônjuge traído da separação e do divórcio? Ou os traidores, mesmo flagrados pela infidelidade, tem o direito de ameaçar a integridade física da mulher traída para que mantenha, perante à sociedade, a aparência normal do casamento? O que leva seres humanos à prática de crimes tão cruéis (não se pode esquecer do bábaro crime do casal Nardoni)? O amor pode se transformar numa relação doentia e possessiva? Que pena merece a homicida Elize Matsunaga? Que tipo de sequelas irão adquirir os filhos, de uniões destroçadas de forma tão trágica? As crianças terão que pagar, ad eternum, pelos erros e atos bárbaros de seus pais? O que dizer agora aos pais da vítima, Marcos Matsunaga? Que seu filho, por ter pulado a cerca, foi condenado à pena capital e ao esquartejamento? Esta aberta a difícil e polêmica discussão sobre um tema que certamente não gostaríamos de abordar, mas que infelizmente faz parte da insensatez humana.

Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro


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