Poder

Um país de gângsteres, boateiros, blindeiros e mentirosos. O que dizer aos nossos filhos?

Por Milton Corrêa da Costa

O vergonhoso episódio que leva o país, perante o mundo, para um imunda e fétida vala podre, envolvendo a ardilosa tentativa de um ex-presidente da República, de blindar a quadrilha dos ‘companheiros do ‘mensalão’, ao pressionar e ameaçar indiretamente o Poder Judiciário, com a possibilidade de colocar também na lama a integridade moral do ministro Gilmar Mendes, do STF, fere todos os princípios éticos da política e cai no mundo do crime e do gangsterismo.

Quando três pessoas têm três distintos relatos sobre um fato-o estranho encontro no gabinete do ex-ministro Nelson Jobim ocorreu- das três uma: ou os três mentem, ou dois dizem a verdade e o outro mente, ou um só diz a verdade. Pelo tom de indignação, até que se prove em contrário, como cidadão brasileiro, no pleno direito constitucional da liberdade de pensamento, fico com a verdade do Ministro Gilmar Mendes.

Indignado com o que chama de “ sórdida ação orquestrada para levar o Supremo Tribunal Federal para a vala comum”, Gilmar Mendes não teve papas na língua: “A gente está lidando com gângsteres. O Brasil não é a Venezuela onde Chávez já mandou prender até juiz. Estamos lidando com bandidos que ficam plantando essas informações (boatos)”, acusando o ex-presidente Lula (o chapéu no estilo Al Capone é mera coincidência) de centralizar a divulgação de informações falsas sobre a rederida autoridade judicial.Resumindo, chamou Lula, com todas as letras, de chefe dos gângsteres e do banditismo. Em sua defesa Lula não se providenciou. No início da notícia do ‘mensalão’ Lula havia declarado que de nada sabia. Depois se disse traído. Por último tenta blindar os ‘companheiros traidores’. Por mais que se tente não dá pra entender tais distintos comportamentos. Que interesses teria o ex-presidente em tentar blindar os companheiros do PT? Será que haverá novas denúncias durante o julgamento do esquema do Valerioduto? Ou trata-se apenas de postergar o julgamento para fazê-lo cair no esquecimento? Ou será que é mesmo pura gratidão aos saudosos companheiros?

Pelo sim e pelo não, estamos diante de um escândalo “jamais visto na história desse país” ( qualquer semelhança novamenteé mera coincidência). Fico pensando mesmo o que dizer aos nossos filhos e netos. O partido da decantada ética, a grande vestal da política brasileira, o Partido dos Trabalhadores PT), que se opunha a tudo de ruim que ocorria no país da cachoeira de denúncias, do dólar na cueca, do envelope suspeito dos gabinetes e das licitações fraudulentas, acabou também enlameado e sujo, dos pés a cabeça, pela mesma lama.

Só resta agora ao Supremo Tribunal Federal julgando o quento antes o processo do ‘mensalão’, deixar claro ao povo brasileiro que o crime do colarinho branco e dos gabinetes da política também não compensa. O exemplo da firme aplicação da lei, para as novas gerações, precisa ser deixado.

Por enquanto, como disse o Ministro Gilmar Mendes, a gente está lidando com gângsteres”. Profundamente lamentável. Continuamos sendo o país da falta de ética e de vergonha. A sociedade brasileira, em nome da ética na política, aguarda ansiosa a decisão do Supremo Tribunal Federal. Que prevaleça sobretudo a isenção e o rigor da lei.

Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro


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