Poder

Zezé Di Camargo e Luciano não são ‘malas’, são dois brasileiros vencedores

Por Milton Corrêa da Costa
 
Um colunista de um jornal de grande circulação do Rio,  que promove há alguns anos uma votação para eleger o que denomina de ‘Mala do Ano’, acaba de anunciar que a dupla de cantores Zezé Di Camargo e Luciano são as ‘malas do ano’. Segundo o jornalista, a votação para primeiro lugar -outros artistas de renome como Claudia Leitte também aparecem na lista dos mais votados e até o conceituado médico Drauzio Varella- a causa determinante da eleição da famosa dupla de cantores sertanejos, foi o recente incidente em que Luciano, após um desentendimento normal com o irmão, num momento de estresse natural de qualquer ser humano, após haver misturado calmantes com bebida alcoólica, anunciou no palco, que a patir daquele instante a dupla estaria desfeita. Logo em seguida voltaram às boas para alegria de seus milhões de fãs, dentro os quais eu me incluo.

Segundo o jornalista,  o termo ‘Mala’, com a votação “escolhida por brasileiros de todo o planeta”, conforme declara, é identificado como a figura que durante o ano se destacou entre todas que perturbaram, incomodoram, foram inconvenientes, praticaram autopromoção, pisaram na bola e, enfim, encheram o saco da população. Se o conceito de ‘mala’ for este, perdoe-me, mas  Zezé Di Camargo, Luciano, Claudia Leitte, Drauzio Varella, Wanessa Camargo, Ivete Sangalo, Neymar e o governador Sérgio Cabral incluídos na lista dos mais votados, não se enquadram neste conceito.

Zezé e Luciano são exemplos sim de dois brasileiros de origem humilde – o filme que estourou bilherias ” 2 Filhos de Francisco” mostrou- que venceram com sacrifício na vida e chegaram aos píncaros da glória pela obstinação, talento e perseverança. Exemplos de superação. Wanessa Camargo foi vítima de destrato em público pelo destempero e falta de sensibilidade e educação de um desses jornalistas humoristas que não respeitam ninguém.  Claudia Leite e Ivete Sangalo são fenômenos artísticos nacionais consagrados e Neymar é o maior talento do futebol brasileiro surgido nos últimos anos, possuindo hoje um imenso fá-clube de crianças e adolescentes que desejam imitá-lo na indumentária, na irreverência sadia e até no corte de cabelo.

O médico Drauzio Varella é exemplo de um profissional que contribui publicamente pela boa saúde e bem estar de todos nós, inclusive numa recente campanha antitabagismo. O governador Sérgio Cabral também não se enquadra no conceito de ‘mala’. Muito pelo contrário, enfrentou até aqui, com coragem e determinação, o narcoterrorismo no Rio, sendo o principal responsável pelo resgate da paz e da cidadania de milhares de pessoas subjugadas até então ao terror dos fuzis em morros e favelas do Rio. Deveria sim fazer jus a uma estátua em praça pública, ainda em vida, pela coragem da implantação do vitorioso projeto das UPPs, sem falar na luta também obstinada em defesa do Estado na questão da redivisão dos royalties do petróleo, onde suas lágrimas, num momento de emoção, foram de sinceridade.

Por fim é preciso que se saiba quem vota para eleger a chamada ‘Mala do Ano’. Seguramente que os votantes, em sua maioria, não pertencem às classes mais humildes ( milhões de fãs de Zezé e Luciano por exemplo), que não dispóem de computador e certamante de dinheiro para comprar jornal todos os dias. Acho que a fonte e o método da pesquisa, caso já não tenham sido, deveriam ser divulgados. Quem são os “brasileiros de todo o planeta” que votaram? Melhor e mais justo contratar, no próximo ano, um instituto de pesquisa. Aí sim talvez surjam as verdadeiras ‘malas’ que se locupletam pela corrupção, pela falta de ética comportamental, pela inconveniência e que pisam na bola a todo instante. Muitas das verdadeiras ‘malas’, na realidade, permanecem ocultas neste país.


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